domingo, 23 de dezembro de 2007

Pão, vinho e humildade: Feliz Natal

“Eis o meu corpo, tomai e comei! Eis o meu sangue, tomai e bebei. Fazei isto em memória de mim, hoje e sempre”.
Segundo o Novo Testamento, esta frase foi presenciada por pelo menos 12 pessoas que estavam sentadas numa mesa em torno de um homem, a 1974 anos, se não me falha a memória, nem erro nas contas. Há um filme de Mel Brooks, A História do Mundo, onde aparecem 13 pessoas, sendo a 13ª o próprio Brooks, como garçom, mas isso não importa. Haveria, também, segundo o mesmo filme de Mel Brooks, uma 14ª pessoa, que teria registrado a cena, um tal de Leonardo, não se sabe ao certo, se bem que essa foto o teria tornado famoso até hoje. Tão famoso que sua foto foi copiada aos milhões – talvez bilhões – e encontra-se em quase todas as residências do mundo. Ganha de longe da foto de Che Guevara.
A frase não ficou gravada em nenhum fita cassete ou CD, nem mesmo num disco de vinil, não se sabe se por deficiência do sistema de sonorização durante o evento, ou porque naquela época ainda não existiam mesmo gravadores de som. No entanto, ficou registrada nos escritos de algumas daquelas 12 pessoas que participavam daquele jantar, por sinal, o ultimo na companhia daquele homem.
Tinha completado 33 anos fazia pouco tempo, cerca de tres ou quatro meses, salvo engano. Pelo menos para os padrões atuais, até que era jovem.
Ninguém ali sabia, a não ser ele próprio, que era sua última ceia na companhia de seus principais amigos, se bem que um deles, que dizem chamar-se Judas, não era tão amigo assim. A partir daquela noite, seriam 40 dias de puro sofrimento, dor, humilhações.....e morte.
Nascido aos 25 dias do mês de dezembro do ano que se tornou conhecido como Zero, tornou-se tão importante para a Humanidade, que o tempo passou a contar, para muitos povos, à partir do seu nascimento, segundo contam, em meio a vaquinhas de presépio – muito embora não houvesse, ainda, o Congresso Nacional brasileiro – e sob a luz de uma estrela, que guiou, de forma mais segura que os instrumentos daquele avião da Varig que ia para Belém e que se estrebuchou na Amazônia 1989 anos depois, os passos dos camelos daqueles três Reis que foram visita-lo ainda na manjedoura. Curiosamente, dizem que a estrela também era de Belém, mas não a Belém do avião da Varig, e nem a estrela era aquela que está na cauda dos aviões da companhia aérea brasileira.
Ao se despedir da vida terrena de seus 12 amigos, e, por meio deles, de todos os seus seguidores, foi humilde, pedindo-lhes que, ao comerem do pão e beberem do vinho, no futuro, o fizessem lembrando-se dele.
“1973, tanto tempo faz que ele morreu/o mundo se modificou/mas ninguém jamais o esqueceu”. Em plena ditadura militar brasileira, um cantor e compositor popular da chamada Jovem Guarda, fazia sucesso em todo o Brasil registrando, agora em vinil, o óbvio: ninguém jamais o esqueceu, embora Antonio Marcos tenha se enganado nas contas. Quando compôs a musica, faziam 1973 anos que Ele havia nascido, e não morrido.
Nem hoje, 1974 anos depois da sua morte, o esquecemos. Na noite de amanhã, comemoraremos seu aniversario de nascimento. Poucos meses depois, num dia que ficou conhecido como Páscoa, o seu renascimento.
Feliz Natal a todos. Com toda a humildade.

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