Em 1961, os jornais do pais e do exterior noticiavam a maior tragédia já ocorrida na cidade de Niterói, então capital do velho estado do Rio de Janeiro. Por desentendimento com a administração do Gran Circus Norte-Americano, um enorme circo que se apresentava na cidade, um ex-empregado tocou fogo na lona do Picadeiro. Naquela época, as lonas dos circos eram comuns, não como as de hoje que não propagam as chamas. O ato daquele irresponsável causou a morte de nada menos do que 371 pessoas que assistiam ao espetáculo naquela noite e deixou mais de 100 gravemente feridas, algumas com seqüelas graves pelo resto de suas vidas.
A televisão tem noticiado a tragédia no Morro do Bumba, na semana passada, como a maior de Niterói. Não foi, ainda. Em todo o estado do Rio de Janeiro, contavam-se na noite de ontem, 225 mortos pela ação das chuvas e deslizamentos de terras, a maioria no deslizamento do Morro do Bumba.
Conto a história do incêndio no Gran Circus de 1961 não para corrigir a informação da televisão atual quanto ao fato de ser a tragédia atual a maior da cidade, mas para afirmar que os responsáveis pela tragédia do Bumba são tão safados, tão irresponsáveis para com a vida humana – a dos outros e a sua própria – quanto foi aquele empregado que, por vingança contra seus patrões, ateou fogo na lona daquele circo.
Quando vou ao Rio de Janeiro ou a Salvador, olho para as favelas dessas cidades e fico imaginando quanto custa construir uma casa dependurada naqueles morros. E como eles conseguem o dinheiro para construi-las. Teoricamente não poderiam fazê-lo nunca, porque são famílias pobres ou da classe média baixa, cuja renda familiar não ultrapassa os 2 mil reais, isso nos casos raros em que chega nessa “fortuna”.
Construir uma casa de 70 ou 80 metros quadrados de área ou mais – às vezes de até dois ou três andares – naqueles morros custa muito mais do que construir uma casa de 100 metros quadrados, com acabamento e tudo, num terreno em planície ou planalto, porque a estrutura exigida é muito maior. Muito mais blocos, muito mais ferro, muito mais cimento, muito mais brita, areia. Como conseguem o que a classe média comum do chamado “asfalto” não consegue? A maioria dos brasileiros “aqui de baixo” leva 20 anos trabalhando duro para comprar um terreno para, depois, se endividar por mais 25 anos na Caixa Econômica Federal para financiar a construção de uma casa térrea, em terreno plano e seguro, de 70 ou 80 metros quadrados de área total. Enquanto isso, os moradores das “comunidades” (nome politicamente correto com que nossos sociólogos de gabinete e barzinhos da vida deram aos favelados), levantam essas casas no alto dos morros, aos 25, 30, 40 anos de idade.
Quem financia essas construções? Politicos safados e corruptos, normalmente candidatos a uma vaga nas Assembléias Legislativas, Congresso Nacional os Câmaras de Vereadores que dão à população de baixa renda o material de construção para a estrutura da construção. Não é por acaso, que essas casas, via de regra, não têm acabamento, principalmente externo. Não têm reboco ou pintura. Isso acontece porque essa cambada não dá material para o acabamento das casas, mas apenas para a estrutura e o sujeito que constrói não tem dinheiro para fazer o acabamento. Por outro lado, os prefeitos dessas cidades fecham os olhos para permitir a invasão dos morro, porque ao deixar o sujeito construir onde não podia deixar, ganha o voto imediato do trouxa. Teve um tal de Crivela, candidato em 2008 no Rio de Janeiro que até pintura nos barracos de um morro estava fazendo para ganhar o voto do populacho que, depois que tudo desaba, vai chorar na frente das câmeras de TV.
Se a tragédia niteroiense de 1961, aquela do circo, teve um único culpado, o tal empregado vingativo, na tragédia de 50 anos depois, a do Bumba, são culpados quem constrói, quem fecha os olhos para a construção irregular e a canalha que dá o material para o sujeito construir.
segunda-feira, 12 de abril de 2010
quinta-feira, 8 de abril de 2010
ELE POOOODE. TEM QUEM PAGA!
Um dia ia acontecer. Estava próximo, muito próximo de acontecer. Aconteceu há duas semanas. Após ser condenado a pagar uma multa de 10 mil reais – coisa pouca, para quem tem um filho que há alguns anos recebeu 5 milhões de uma concessionária de telefonia – por haver feito propaganda eleitoral antecipada a favor da sua ministra e candidata à presidência, o Sr. Luiz Inácio Lula da Silva, desafiou – desmoralizou, vamos ser claros – publicamente os ministros do Superior Tribunal Eleitoral, em mais um comício fora de época promovido para a campanha que já dura três anos para sua re-reeleição, dentro dos planos do PT de ficar, pelo menos, 20 anos no Poder.
No comício, Lula, cuja performance lembrou-se alguns bispos de famosas Igrejas Evangélicas, perguntava ao povo que estava lá embaixo, quem iria pagar a multa que o Tribunal lhe impôs. Perguntava e se dirigia ao povo: “você paga? Você Paga? Quem paga? E o povão levantava as mãos e gritava “eu, eu, eu”.
Maravilha. Se pudesse ter gravado a cena que vi pela televisão, tiraria varias copias e enviaria, por pombo-correio, já que os Correios brasileiros estão uma merda, a cada um dos Excelentissimos Senhores Ministros do nosso Superior Tribunal Eleitoral que, por incrível que pareça, ficaram quietos. Curioso como alguns juizes, promotores, procuradores e ministros do nosso Judiciário adoram um microfone e câmaras de TV quando suas entrevistas acabam desmoralizando alguém, mas fogem delas quando estão sendo desmoralizados.
Lula desafiou o Judiciário Eleitoral brasileiro. Pior que isso, Lula desmoralizou, com seu ato e suas palavras, o Judiciário Eleitoral e isso quer dizer, simplesmente, que é capaz de desmoralizar qualquer outro Tribunal. Em resumo, o que Lula disse foi que ele está se lixando para as multas aplicadas pelo Tribunal, porque ele tem o Povo com ele. No que, aliás, tem absoluta razão. Ninguém aqui vai negar que Lula é o maior líder político de massas desse pais, suplantando, talvez, até mesmo Getulio Vargas. E sua liderança inconteste, que me leva a crer que ele elegerá, sim, a Sra. Dilma Roussef para servir-lhe de testa-de-ferro na presidência da Republica pelos próximos 8 anos, como elegeria até mesmo o cachorro da minha sogra, o está conduzindo a um tal estado psicopático de arrogância, que não enxerga mais nada pela frente, que não respeita mais nada, nem ninguém.
Há muitos anos, o então presidente José Sarney, próximo a deixar a presidência da Republica nomeou um membro do seu ministério para o cargo de Ministro do Superior Tribunal Militar. Era uma nomeação afrontosa, estúpida, absurda. O sujeito não tinha nenhuma condição de ser juiz de paz, quanto mais ministro de um Tribunal Superior e especializado. Mas Sarney não voltou atrás, e, cumprindo compromisso político, insistiu na nomeação. O Superior Tribunal Militar teve a coragem de desafiar o presidente da República e, simplesmente, recusou-se a dar posse ao protegido, que acabou desistindo da “honrosa” nomeação.
Recentemente Lula nomeou para o Supremo Tribunal Federal – o Supremo!!! – um auxiliar cuja maior estrela de seu currículo fora ter sido advogado do Partido dos Trabalhadores durante as eleições. Nada, nada de notório saber jurídico. O Senado cordeirinho aprovou a nomeação e o Supremo deu-lhe posse.
Não tem duvida. Lula manda. Lula desmanda. Lula faz o que quer. Lula até manda ministros dos Tribunais superiores às favas. Ele pode. O povão paga as multas.
Agora, e se o TSE negasse o pedido de registro da candidata Dilma porque houve propaganda eleitoral antecipada, antes do periodo legalmente permitido? Ah, ai, certamente, quem sabe, os futuros "Lulas" que esse país ainda vai enfrentar pelos séculos a fio, teriam mais respeito pela Lei e pelos membros do Judiciário.
Mas o TSE não vai fazer isso, né mesmo?
No comício, Lula, cuja performance lembrou-se alguns bispos de famosas Igrejas Evangélicas, perguntava ao povo que estava lá embaixo, quem iria pagar a multa que o Tribunal lhe impôs. Perguntava e se dirigia ao povo: “você paga? Você Paga? Quem paga? E o povão levantava as mãos e gritava “eu, eu, eu”.
Maravilha. Se pudesse ter gravado a cena que vi pela televisão, tiraria varias copias e enviaria, por pombo-correio, já que os Correios brasileiros estão uma merda, a cada um dos Excelentissimos Senhores Ministros do nosso Superior Tribunal Eleitoral que, por incrível que pareça, ficaram quietos. Curioso como alguns juizes, promotores, procuradores e ministros do nosso Judiciário adoram um microfone e câmaras de TV quando suas entrevistas acabam desmoralizando alguém, mas fogem delas quando estão sendo desmoralizados.
Lula desafiou o Judiciário Eleitoral brasileiro. Pior que isso, Lula desmoralizou, com seu ato e suas palavras, o Judiciário Eleitoral e isso quer dizer, simplesmente, que é capaz de desmoralizar qualquer outro Tribunal. Em resumo, o que Lula disse foi que ele está se lixando para as multas aplicadas pelo Tribunal, porque ele tem o Povo com ele. No que, aliás, tem absoluta razão. Ninguém aqui vai negar que Lula é o maior líder político de massas desse pais, suplantando, talvez, até mesmo Getulio Vargas. E sua liderança inconteste, que me leva a crer que ele elegerá, sim, a Sra. Dilma Roussef para servir-lhe de testa-de-ferro na presidência da Republica pelos próximos 8 anos, como elegeria até mesmo o cachorro da minha sogra, o está conduzindo a um tal estado psicopático de arrogância, que não enxerga mais nada pela frente, que não respeita mais nada, nem ninguém.
Há muitos anos, o então presidente José Sarney, próximo a deixar a presidência da Republica nomeou um membro do seu ministério para o cargo de Ministro do Superior Tribunal Militar. Era uma nomeação afrontosa, estúpida, absurda. O sujeito não tinha nenhuma condição de ser juiz de paz, quanto mais ministro de um Tribunal Superior e especializado. Mas Sarney não voltou atrás, e, cumprindo compromisso político, insistiu na nomeação. O Superior Tribunal Militar teve a coragem de desafiar o presidente da República e, simplesmente, recusou-se a dar posse ao protegido, que acabou desistindo da “honrosa” nomeação.
Recentemente Lula nomeou para o Supremo Tribunal Federal – o Supremo!!! – um auxiliar cuja maior estrela de seu currículo fora ter sido advogado do Partido dos Trabalhadores durante as eleições. Nada, nada de notório saber jurídico. O Senado cordeirinho aprovou a nomeação e o Supremo deu-lhe posse.
Não tem duvida. Lula manda. Lula desmanda. Lula faz o que quer. Lula até manda ministros dos Tribunais superiores às favas. Ele pode. O povão paga as multas.
Agora, e se o TSE negasse o pedido de registro da candidata Dilma porque houve propaganda eleitoral antecipada, antes do periodo legalmente permitido? Ah, ai, certamente, quem sabe, os futuros "Lulas" que esse país ainda vai enfrentar pelos séculos a fio, teriam mais respeito pela Lei e pelos membros do Judiciário.
Mas o TSE não vai fazer isso, né mesmo?
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