Há algumas semanas o deputado Sérgio Moraes, do PTB do Rio Grande do Sul, declarou a um repórter que estaria “se lixando para a opinião publica”, quando entrevistado sobre a posição que estaria adotando a respeito de um colega, aquele deputado mineiro que seria proprietário de um castelo na sua cidade. Sérgio Moraes era o relator da Comissão que analisava o caso do dono do castelo, acusado de usar dinheiro publico para contratar empresas de segurança, que pertenceriam a si próprio
Diante da declaração, a grande imprensa nacional – que se é a formadora da chamada “opinião publica” – que de pública não tem nada, já que a imensa maioria da população nem sabe, até hoje, quem é Sérgio Moraes, Paulo Maluf, José Dirceu, Genoino – iniciou uma violenta campanha contra o deputado. A Câmara Federal, composta pelos colegas de Moraes, e que se acovarda diante da ameaça da imprensa, resolveu perder mais um anel para preservar os cinco dedos, defenestrando-o da relatoria da tal Comissão.
Não deveria nem estar comentando o assunto. Não vale a pena gastar tinta e papel com essas baboseiras.
No entanto, quando resolvi reler sobre o assunto, fui ao “google” e pesquisei o nome “deputado Sérgio Moraes”. De cara, apareceu uma matéria sobre uma suposta violência sexual praticada pelo deputado em questão contra um velhinho. Ta lá, vocês podem consultar que, hoje, ainda esta no ar. Quando você tenta abrir a matéria, nada aparece, porque o sistema te dirige, automaticamente, para um site chamado ‘terramel”. Ai resolvi comentar o caso.
Não sei se são os brasileiros ou o mundo em geral que são safados, hipócritas, inconfiáveis. Parte – e grande parte – da imprensa brasileira, certamente, o é.
Na verdade, Sérgio Moraes não mandou “às favas” a opinião publica, quando deu aquela declaração. Mandou às favas parte da imprensa nacional que se julga dona da moral e dos bons costumes, em qualquer campo, notadamente no campo político, mais fértil às faltas-de-vergonha-na-cara. Essa parte da imprensa também não tem vergonha na cara e iguala-se e numero, gênero e grau, aos políticos sem-vergonha.
A declaração de Sérgio Moraes, na integra, dizia o seguinte, diante da pergunta da repórter que o questionava em sua posição de absolver o deputado mineiro do castelo, se não se importava com a repercussão da sua decisão junto à opinião publica: “Estou me lixando para a opinião publica. Vocês falam mal da gente, mas a gente acaba se elegendo”.
Na verdade, Sérgio Moraes quis dizer que estava se lixando para a opinião da repórter, da imprensa que ela representava: a imprensa que não quer, apenas, noticiar e denunciar, mas julgar, incutindo na opinião publica o seu próprio pensamento, sua própria sentença. Foi isso que deixou a imprensa louca da vida. Sérgio a afrontou, a desafiou, foi-lhe irreverente, e isso os donos da verdade, da moral, dos bons costumes, da suposta honestidade, não admitem: serem afrontados, serem irreverenciados.
Daí plantarem, até mesmo, a falsa noticia sobre Sérgio Moraes na internet e o site do “google” chegar a divulga-la, sem perceberem seus gerenciadores a falsidade. Não há, nenhuma acusação sobre suposto “estupro” de velhinho contra Sérgio Moraes.
Tudo não passa de pouca-vergonha de uma imprensa desavergonhada que se pretende vigilante contra os desavergonhados e é mais desavergonhada que os sem-vergonha que acusa de desavergonhados.
sábado, 23 de maio de 2009
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