segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

NÃO QUERER, QUEREEEENNNNNDO

Pesquisa popular divulgada na semana passada pela imprensa nacional, revelou que 65% da população brasileira não quer um terceiro mandato para o presidente Luiz Inacio Lula da Silva.
Lula, defrontado com os resultados escorchantes da pesquisa, declarou que ele sempre foi o primeiro a refutar a tese de um terceiro mandato.
Bobagem pura. Todo mundo sabe que Lula adoraria ter um terceiro mandato -- e um quarto, um quinto, um sexto, um eterno -- , assim como o Partido dos Trabalhadores o quer eternizado no Poder, mesmo porque, sem Lula à frente da chapa, os petistas podem dizer adeus ao Palacio do Planalto no dia 31 de dezembro de 2010. Não porque o Partido, em si, ainda não goze de algum apoio popular. Goza, apesar dos escândalos que o envolveram e o vem envolvendo há 6 anos, e poderia até chegar lá. Mas não chegará porque não tem candidato, não há um unico homem no PT de hoje capaz de cair na graça do povo, como Lula caiu. Nem Eduardo Suplicy, muito menos Aloisio Mercadante e, de José Dirceu, nem pensar. José Genoino virou figura do baixo clero, mesmo eleito deputado federal em 2006, na crista do escândalo do mensalão.
Lula queria um terceiro mandato, sim senhor. Não conheço rei que tenha abdicado ao trono vitalicio, salvo para evitar de ser derrubado, para evitar crise politica incontornável ou por amor, casos raros na História. Nosso D. Pedro I, por exemplo, abdicou ao trono brasileiro porque se não o fizesse a coisa ia ficar preta por aqui naquele idos do Século XIX, e era preferível deixar o Brasil para seu filho Pedro de Alcântara, que se tornou Pedro II, e ir ser rei em Portugal, como foi, do que sair escorraçado com toda a familia, como a crise politica da época prometia.
Mas as pretensões de Lula e sua turma esbarraram na semana passada não apenas na opinião publica dos brasileiros, que não lhe aprova um terceiro mandato. Esbarrou também, ora vejam, na opinião publica dos venezuelanos, que refutaram a permanência eterna do grande amigo de Lula, Hugo Chaves, no poder, como ele pretendia. Não adiantaram nem as ameaças proferidas pela televisão, caso perdesse o plebiscito desse ultimo fim de semana.
Lula, que achava as mudanças impostas por Hugo Chaves na Constituição venezuelana democráticas, teve de calar-se diante do retumbante "não" do povo daquele pais. E, pior para si próprio e as pretensões de seu grupo, praticamente descartar, de fato, a hipótese de mudança da Constituição brasileira para inserir-lhe o tal terceiro mandato.
A estrela desce.

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