quinta-feira, 27 de março de 2008

QUE MENTIRADA É ESSA?

Há dois dias, a televisão mostrou, em todos os canais abertos, a propaganda politica do PDT - Partido Democratico Trabalhista -- , fundado pelo ex-governador do Rio Grande do Sul e, depois, do Rio de Janeiro, quando Ivete Vargas, sobrinha do velho Getulio, lhe tomou a sigla PTB, na década de 80.
Na propaganda, o PDT afirma que o Brasil, sob o comando do presidente Lula e com um membro do partido na gerencia atual do Ministério do Trabalho, estaria batendo recordes no crescimento do emprego com carteira assinada.
Hoje, o IBGE divulgou pesquisa, publicada pelo site UOL e pelo jornal Folha de São Paulo, sob o titulo "Desemprego continuará em alta, diz IBGE", onde se afirma que o nivel de emprego vem caindo no Brasil, principalmente se comparado o mes de fevereiro com o de janeiro deste ano: "A taxa de desemprego deve permanecer em alta nos próximos meses, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O movimento de crescimento constatado nos dois primeiros meses é sazonal e já era esperado, explicou o coordenador da Pesquisa Mensal de Emprego, Cimar Azeredo. A expectativa é que a taxa só comece a arrefecer a partir de maio".
O PDT é um dos partidos aliados do governo atual, tanto que possui cadeira no Ministério, naquela troca de favores que sempre caracterizou as administrações publicas brasileiras, salvo nas fases ditatoriais.
O problema é que alguém está mentindo nessa história do crescimento do emprego no Brasil. E não é o IBGE.

domingo, 16 de março de 2008

A BAHIA SAI NA FRENTE

Coube ao Tribunal Regional Eleitoral - TRE -- aqui da Bahia sair na frente para começar a acabar com a -- como direi para não ofender? -- palhaç, quero dizer, equivoco do TSE - Tribunal Superior Eleitoral, naquela história ridicula de que os mandatos dos parlamentares e politicos em geral pertenceriam aos respectivos Partidos Politicos e não a eles, impondo a possibilidade de perda do mandato ao deputado, senador, govenador, prefeito e vereador que mudasse de partido após ser eleito por outro.
Ao decidir uma questão envolvendo 7 parlamentares bahianos, que tinham suas cadeiras requisitadas por quem perdeu a eleição no voto e queria ganhar no tapetão, o TRE baiano decidiu -- embora por maioria apertadissima, é verdade -- que a decisão do TSE seria inconstitucional, porque uma Resolução não poderia alterar ou complementar uma norma constitucional, que teria que dependeria de uma Lei Complementar para tanto.
De fato, a Constituição não diz, em momento algum, que o mandato pertence ao partido pelo qual o candidato se elegeu. Trata-se de uma interpretação do TSE que tomou como base o principio de que o modelo político-eleitoral brasileiro é basicamente partidário. Ninguém pode ser candiadato a nada -- salvo a sindico de prédio -- se não estiver filiado a um partido politico que seria o responsável pela indicação de sua candidatura.
Este principio, no entanto, levaria a cassação do mandato também daquele que se desfilia de um partido durante o mandato e não se filia a mais nenhum, como acontece com vários deputados e senadores. E, entretanto, não é o que acontece. O cara sai do partido e fica sem-partido um tempão. Somente se filia a outro, um ano antes do pleito seguinte, se quiser ser candidato de novo.
A decisão do TSE era tão absurda que levou o STF, que poderia ter posto um fim na questão mas não quiz se intrometer, a marcar, mais absurdamente ainda, uma data para sua validade: 17 de março de 2007, quando o TSE, respondendo a uma consulta do DEM - Partido Democrata, ex- PFL, baixou a tal resolução dizendo que, em tese, os mandatos pertenciam aos partidos e não aos candidatos eleitos. Ora, então a tal fidelidade partidária somente valeria a partir do dia 17 de março de 2007? Com base no que um absurdo desses? Se o STF entendia que a fidelidade partidaria existe no Brasil, então seu termo inicial deveria ser o da promulgação da Constituição de 1988 e não março de 2007. Tudo absurdo, desde a resposta do TSE ao DEM até a decisão do STF que marcou o dia do começo da validade de uma norma constitucional.
Com isso, acirrou a volupia dos partidos e candidatos que perderam as eleições por falta de votos e queriam conquistar uma cadeira na Câmara Federal, Senado, Assembléias ou Municipais, tirando de lá a forceps os verdadeiros eleitos, para assentarem-se num lugar onde o povo não queria que assentassem.
Como eu escrevi varias vezes, o povo não votou no Partido A, B, C ou Z, mas no candidato fulano, sicrano ou beltrano, pouco importando aqui se votou bem ou mal, se o candidato merecia ou não o voto, se era um candidato sério ou um desses palhaços que surgem a cada eleição. De qualquer forma, há de se respeitar a vontade do povo, por mais que alguns de nós discordemos dela.
O Tribunal Regional Eleitoral da Bahia acaba de dar uma lição ao Brasil. A sua decisão é imutável, visto que dela somente caberia recurso ao STF, porque o TSE não tem competencia para julgar casos envolvendo deputados estaduais ou vereadores, mas apenas politicos da esfera nacional, como os deputados federais.
Que seja seguida por Minas, São Paulo, Rio de Janeiro, Espirito Santo, Rio Grande do Sul, enfim, por todos os demais TREs.

segunda-feira, 10 de março de 2008

MENTIRA, NÃO !!!!

A carta que voces vão ler agora está circulando pela Internet e me foi repassada por um amigo. Prestem bem atenção no que voces vão ler:

Carta à Shell - 1986 - Relíquia histórica
CARTA ENVIADA À SHELL NOS ANOS '80
Este fato é verdadeiro. A Shell tem a carta arquivada. Isto é FANTÁSTICO. NÃO TEM PREÇO, UMA RARIDADE A empresa Shell abriu seus arquivos e veio a conhecer o conteúdo e uma carta enviada por um consumidor, nos anos 80, ao seu Serviço de Atendimento ao Consumidor. Ela está transcrita na sua forma original, inclusive com os erros gramaticais. Conheça a carta: "Olá!Tenho um Corcel II 1986 a álco e sou cliente dos posto Shell. Não abasteço em nenhum otro posto há mais de 5 ano. Tô escrevendo porque tô com uma dúvida na qual acho que vocês são os mais indicado a me ajuda. A questã é que tô progamando uma viage para domingo dia 27/10. Nesse dia será realizado o 2º turno das eleição e mais uma vez vai tê a proibição de venda de alco da meia noite até a meia noite de domingo. A chamada lei seca. Mas o trajeto que pretendo percorre no domingo é muito maior do que cabe de alco no tanque do meu carro, já que não vai tê venda de alco, vô te que carrega em alguma vasilha o resto que segundo meus cálculo é um tanque e meio quase 100 litro . Gostaria de sabe qual a vasilha mais segura pra transporta o alco ou se tem alguma outra solução pro meu pobrema. Pensei em talvez abastece com gasolina por que a proibição de venda é so de alco pelo que eu vi. Caso a solução seja mesmo a de transporta o combustive a se usado, gostaria de sabe se algum posto de vocês na região da Grande ABC poderia faze um desconto por que eu vo está comprando mais de 150 Litro de alco no sábado. Conto com a ajuda de vocês. Assinado: Luis Inacio da Silva Torneiro Mecânico São Bernardo do Campo/SP"


A idéia, certamente, é divulgar que o atual presidente, Luiz Inacio Lula da Silva, que, no ano de 1986, ainda não se assinava Lula, que era somente seu apelido, teria escrito a tal carta para a Shell, e, com isso, demonstrar o quanto ignorante seria nosso presidente da Republica.

O diabo é que não dá prá acreditar na veracidade dessa carta. Das duas, uma: ou a carta é verdadeira, mas o tal Luiz Inacio da Silva que a escreveu não seria Lula, ou a carta é simplesmente falsa e pronto.

Em 1986, o Sr. Luiz Inacio da Silva, que era Lula somente no apelido, era um dos candidatos a Deputado Federal pelo Partido dos Trabalhadores. Se o leitor não tem memória fraca, ou, se é jovem demais para se lembrar dos fatos, deve ter um minimo de conhecimento da história recente do pais, deve lembrar-se que foi o famoso ano do Plano Cruzado, e que, naquelas eleições, que também eram para a Assembléia Nacional Constituinte, Lula foi eleito deputado federal, enquanto o PMDB fez a quase totalidade dos governadores dos Estados (perdeu somente em um Estado em todo o país).

É simplesmente inadmissível que Lula, já velho de guerra na politica e no trato com politicos e homens de empresa em geral, fosse tão BURRO, a ponto de confundir a proibição de bebidas alcóolicas com a de alcool combustivel no dia das eleições.

A carta, portanto, é falsa ou foi escrita por outra pessoa e, agora, estaria sendo usada com má-fé por quem a está divulgando.

E olha que não sou nem um pouco simpático ao Sr. Luiz Inacio Lula da Silva, nunca fui simpatico ao Sr. Luiz Inacio da Silva, nem com seu Partido, muito menos com seu governo.

Quando a equipe de Fernando Collor de Mello, nas eleições de 1989, levou ao ar aquela entrevista com a enfermeira mutreteira, mãe de uma filha de Lula, que, certamente, levou uma nota preta para dizer o que disse, eu sabia duas coisas: a primeira, que provavelmente seria absolutamente verdadeiro o fato de que Lula teria pedido a ela, quando engravidou, que abortasse a criança, mesmo porque, seria um pedido extremamente natural de um homem casado que teve um caso extraconjugal; a segunda, que a enfermeira não tinha um pingo de vergonha na cara em fazer o depoimento que fez, porque teria recebido dinheiro para isso, levando ao conhecimento da Nação um caso absolutamente particular, que não tinha nada a ver com o comando do Pais que poderia, ou não, vir a ser assumido por seu ex-amante, caso este vencesse as eleições e que tal senhora era tão sem caráter, que não se importou, sequer, pelo fato de sua filha estar sendo levada ao renome nacional, como se fosse a filha renegada pelo candidato a presidente. E não era nada disso. A equipe de Fernando Collor errou e errou feio. Demonstrou tanta falta de caráter de seus membros, quanto o da tal enfermeira.

Agora, surge essa absurda suposta carta de Lula enviada a Shell em 1986.

Parece que pior que Lula são seus opositores. Acho que se merecem.

sábado, 8 de março de 2008

CASO JOÃO VITOR: RIDICULO OU SURREALISTA?

Não dá prá levar a sério esse país, mesmo. Acabo de ler no portal "Educação" do "UOL", que o menino João Vitor, aquele garoto de 8 anos que fez o vestibular para Direito na UNIP - Universidade Paulista -- e foi aprovado, "desistiu" de fazer o curso.
Segundo a noticia, João Vitor teria sido impedido de entrar nas dependências da Faculdade na ultima quinta-feira, quando tentou assistir às aulas. Até aí, tudo bem.
O diabo é que a noticia também diz que João Vitor, após aprovado no tal vestibular, logrou efetivar sua matrícula na tal faculdade da Unip!!!!!
Como não estava amparado em nenhuma liminar concedida em ação judicial que teria promovido face a Unip, tá dificil entender porque a Faculdade de Direito daquela Universidade particular teria aceito fazer a matricula do garoto, se é que a noticia não está errada, o que me parece mais provável. Porque, se a noticia não estiver errada nesse ponto, sugiro, urgentemente, ao Ministério da Educação e a Ordem dos Advogados do Brasil que fechem imediatamente a Faculdade de Direito da Unip, porque a única explicação para que tivessem aceito fazer a matricula do menino seria o fato de que seu pai teria pago as taxas correspondentes. E Faculdade que aceita matricular um menino de 8 anos, que ainda não concluiu o ensino basico, apenas porque ele passou no vestibular, em razão exclusivamente do dinheirinho que caiu no seu caixa, está a um passo de também expedir diplomas somente porque o aluno pagou as mensalidades em dia.
O caso de João Vitor é uma dessas coisas ridiculas e surrealistas que vivem ocorrendo no Brasil, inclusive na área de ensino.
Teria logrado aprovação no vestibular para o curso de Direito da UNIP, uma universidade particular. Até aí nada demais. Primeiro, porque o menino pode, sim, ser um desses garotos super-dotados, que conseguiram aprender muito antes dos demais da sua idade as matérias exigidas em qualquer vestibular: matemática, fisica basica, quimica fundamental, português comum, inglês básico, essas coisas. Segundo porque, se não for o genio que pode até ser, talvez tivesse logrado aprovação por pura sorte, como aquele macaquinho que passou num vestibular de uma universidade carioca há cerca de 20 anos e fizeram um escândalo nacional (a prova não era discursiva, mas do tipo multipla escolha) sem motivo algum. Acredito mais na primeira hipótese.
Ao ser entrevistado por um jornalista, João Vitor teria dito que queria ser Juiz no futuro, mas não soube dizer, exatamente, quais as funções de um Juiz de Direito: limitou-se a responder que Juiz mandava prender e mandava soltar. Boa resposta, mas incompleta: faltou dizer que Juiz, quando manda prender, nem sempre é obedecido, e, quando manda soltar, o delegado ou carcereiro sempre enrolam o quanto podem para cumprir a ordem. Cairam de pau em cima de João Vitor: "Como pode? esse menino não sabe nada!!! Nem sabe direito o que um juiz faz!!" Esqueceram-se que João Vitor passou num vestibular comum e não num concurso publico para a carreira da Magistratura.
Alias, fico imaginando como seria João Vitor, aos 13 anos, Juiz de Direito, mesmo sem ser imputável penalmente ou responsavel civilmente. Restar-lhe-ia, quem sabe, ser titular de uma Vara de Menores, né?
O pai do menino declarou ao site da UOL onde li que ele foi impedido de assistir às aulas, que não vai entrar na Justiça. Vai aguardar um proximo vestibular para que seu geniozinho seja aprovado de novo, mas em outra Universidade.
Seu garoooooto não merece a UNIP.
Nós, brasileiros, sim, merecemos esse espetáculo que não sei dizer ao certo se é ridiculo ou surrealista.

quinta-feira, 6 de março de 2008

VEREMOS SE ELES APRENDEM AGORA

Pode parecer que sim, mas, com toda sinceridade, não tenho nada, absolutamente nada, contra a Rede Globo de Televisão ou a familia do falecido Roberto Marinho. Se o nível de seus programas mais populares está mais baixo que o cálculo do que se considera linha de pobreza no Brasil, isso acontece em todas as redes de TV abertas do pais e do mundo, à exceção, no Brasil, da quase nada assistida TV Educativa ou TV Cultura.
O que não posso é furtar-me a comentar os fatos que estão à vista de todos, como a igonorância de alguns de seus repórteres e locutores, e mesmo redatores, que sómente fazem com que o povo saia dizendo grossas bobagens, porque ouviram na telinha mágica.
Por exemplo, no caso da Globo - como das outras emissoras: aquelas malditas entrevistas gravadas com cidadãos comuns, onde são editados os trechos que a emissora considera mais "interessantes" para serem jogados no ar, levando o sujeito a dizer o que na verdade não disse. Ou a edição das tais "conversas telefonicas gravadas com autorização da Justiça", onde também leva-se o distinto -- para não dizer trouxa -- publico a pensar que o sujeito é um tremendo corrupto, quando, em grande parte dos casos, foram pinçados alguns trechos da conversa que, supostamente, dariam a entender conversas sobre corrupção, que, na verdade, não existe.
Querem um exemplo prático: Uma vez uma emissora de rádio de uma certa cidade, divulgou um trecho de um grampo telefônico onde se ouvia a seguinte conversa: -- "E aí, cara, o meu não vai sair não?" -- "Pô, sair o que? Você não teve participação nesse negócio, não, então não tem nada prá você" -- "Isso não vai ficar assim, não, cara. Eu vou até as ultimas consequências, para receber a minha parte nesse negócio ai". Com esse trecho de conversa, o locutor do tal programa radiofônico dizia que o politico que estava de um lado da linha estaria cobrando sua parte numa suposta comissão paga ao prefeito local por uma empresa, para vencer uma concorrência. O caso foi parar na Justiça, e a gravação integral da conversa revelava que o que o tal politico, que também era advogado, cobrava de um seu colega uma parte dos honorarios por haver participado na elaboração da defesa de um cliente. Tudo legal, tudo honesto.
Hoje, leio no site do UOL, que uma juiza carioca condenou a Rede Globo de Televisão a exibir, na integra, o depoimento de uma empregada doméstica, cuja imagem e parte do depoimento fora exibido na época daquela novela "Páginas da Vida", onde a tal empregada dizia que se masturbava. Lembram-se daqueles finaizinhos ridiculos daquela novela, onde sempre aparecia alguém para contar uma história sobre sua vida? Recebiam 300 reais caso seu depoimento fosse selecionado para ser levado ao ar.
Pois bem, o depoimento da tal empregada durou 90 minutos (uma hora e meia) e sómente exibiram uns 30 segundos, onde ela dizia que se masturbava. Ao assistir a cena em meio a familiares, certamente convocados junto com toda a vizinhança para ver como ela ficava bonita na televisão, a empregada tomou um susto, porque ela, na verdade, discorria ao repórter sobre uma série de fatos envolvendo sua vida, inclusive sexual. Mas a Globo jogou no ar apenas aquela parte onde ela dizia que se masturbava, porque, certamente, daria mais audiência.
A Globo recorreu da decisão e, provavelmente, vai ficar recorrendo por muitos anos e, mais provavelmente ainda, vai perder em todas as instâncias. Daqui a uns 10 anos, quem sabe, possamos assistir ao depoimento integral da tal domestica.
A Globo alegou como defesa que não teria mais a fita. Bobagem, sei que tem, sim, mesmo porque os repórteres guardam consigo copias dos seus trabalhos, que servem como referências para a eventualidade de caça a futuros empregos. A multa pela não exibição fixada pela juiza é de 100 reais por dia, limitada a 50 mil.
É absolutamente certo que a empregada receberá os tais 50 mil reais e que a fita jamais será divulgada, pela emissora, mesmo porque, se o fizer, será chamada de mentirosa pela Justiça, já que alegou não mais te-la.
Alias, acho mesmo que a empregada está, hoje, mais interessada nesses 50 mil reais do que em ver seu depoimento de uma hora e meia -- que deve ser chato a beça -- ir ao ar.
De qualquer forma, ficou a lição para a Globo.
Que, espero, todas as demais emissoras aprendam.

quarta-feira, 5 de março de 2008

ORDINÁÁÁÁÁRIO, MARCHE !!!!!

Semana passada escrevi neste espaço sobre a ignorância histórica de um repórter da Rede Globo que, ao fazer a chamada do dia para o Big Brother Brasil, disse a besteira de que D. Pedro I teria dito a frase "Diga ao Povo que Fico" das sacadas do Paço Imperial, na Praça XV de Novembro, no Rio de Janeiro. Alias, somente no Rio e no Brasil para a Praça do Paço Imperial ter seu nome homenageando a data da Proclamação da República, né mesmo? Sabiam que o Rio é, talvez, a unica cidade do mundo, onde não ha uma estatua homenageando seu fundador, Estacio de Sá? Ééééé. Tem até um sambinha muito antigo, gravado por Miltinho, que pergunta: "cadê a estatua de Estacio de Sá? Cadê a Estátua de Estácio de Sá?".
Bom, isso não interessa.
No dia 3 de março, segunda-feira passada, foi o dia da incorporação dos novos recrutas do serviço militar obrigatório ao Exército Brasileiro.
Numa reportagem óbviamente encomendada, o Jornal Nacional, da Rede Globo, transmitiu a solenidade de incorporação de uns recrutas (ou conscritos, sei lá como se chama ao certo), de um determinado Batalhão do Exército.
O mote da reportagem era uma suposta pesquisa onde se revelava que mais de 80 por cento dos jovens atuais serviriam ao Exército brasileiro, mesmo que não fossem obrigados a isso.
Para ilustrar a "vontade espontânea" dos jovens incorporados, alguns foram entrevistados, tendo até um idiota que disse que gostaria de servir para "moldar seu caráter". O jovem que precisar servir ao Exército para ter seu caráter "moldado", para mim já é, de cara, um mal-elemento. Pelo que sei, caráter, aos 18 anos de idade, já vem formado do berço, de casa. Não conheço bandido que tenha se tornado honesto por haver servido ao Exército, nem da Salvação.
Num outro momento ridiculo da reportagem, o locutor diz: "Na hora de pegar a farda, a ansiedade é tão grande entre esses jovens, que vão correndo". Enquanto diz a besteira, a câmera mostra um rapaz saindo da fila e, em ritmo acelerado, supostamente se dirigindo para receber sua farda de alguém que estava à sua frente (a câmera não mostra quem, o que, para mim, deu a entender que foi uma cena "montada", ou seja, mandou-se o rapaz sair da fila correndo, como se fosse buscar a farda, para ser filmado).
Tudo na reportagem global foi ridiculo. Fico pensando no quanto sofrem ( ou será que não sofrem?) esses repórteres e locutores que são obrigados a fazer reportagens tão imbecis como esta, ou como a de aniversarios de cachorros de madames. No aniversario de cachorro de madame, pelo menos, não tem mentiras.
Mentiras sim. Primeiro, porque essa "voluntariedade" do jovem atual em "servir a Pátria" não está ligada à "vontade de formação de caráter", porcaria nenhuma, como disse aquele babaca. A vontade de servir está nos tais R$ 200 e poucos reais que recebem por mês, o que, hoje, é dinheiro á beça para uma juventude pobre que, como mostram as pesquisas sérias, não está conseguindo lugar no mercado de trabalho, até mesmo porque seu nível de cultura é cada vez mais baixo, já que a educação no pais esta uma merda. Segundo, porque a reportagem dá a entender que todo recruta recebe os tais 200 e poucos reais. Mentira da grossa. Nos Tiros de Guerra-- pequenos quartéis (sei lá se posso chamar assim) normalmente sustentados pelas prefeituras --- desse pais afora, existentes nas pequenas cidades -- e até em algumas de porte médio do Nordeste - o "aluno atirador", como é chamado o recruta do serviço militar obrigatório, não recebe um tostão furado, embora também tenha que se levantar as 4 da matina para estar no quartel às 5, muito embora a jornada de serviço dure cerca de duas horas ou duas horas e meia, normalmente. Muitos acabam prejudicados nos estudos ou no trabalho, por causa dos plantões que são obrigados a tirar.
A reportagem da Globo foi tão mentirosa, tão ridicula, tão óvbiamente encomendada -- e mal feita -- que uma hora pensei que iria aparecer um General com bom senso e dar ordem unida ao repórter: "Ordinááááááário (e bota ordinário nisso!), marche!!!! (pra bem longe daqui!!!).