quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

SR. PRESIDENTE: PREFEITO NÃO É PALHAÇO!!!

Ói eu aqui de novo. Publiquei a ultima cronica aqui em 12 de dezembro do ano passado. Transição de governo na prefeitura de Macarani, em dezembro. Posse do novo prefeito em janeiro, e um trabalhão tremendo aqui no inicio da nova gestão em janeiro. Só deu tempo de escrever as cronicas dirigidas ao Jornal Itajubá Noticias e ao Jornal Dimensão.
Mas voltei. E resolvi voltar como essa cronica que agora publico para todos, já publicada na minha coluna no Itajubá Noticias, há duas semanas.
Na terça e quarta-feiras 10 e 11 de fevereiro, o Exmo. Sr. Presidente da República, encontrou-se com nada menos do que mais de 4 mil prefeitos brasileiros, que atenderam convite para ir a Brasilia onde, principalmente os novos recém-eleitos e empossados, pensavam que as necessidades dos municípios são tratadas de forma séria pelo governo de S. Exa. O Brasil tem pouco mais de 5. 500 municípios. Faltaram, pois, uns 1.500 administradores municipais que não aceitaram tomar parte no picadeiro onde foram recebidos. Acredito eu que sejam todos estes prefeitos que não se encontram em seu primeiro mandato e, portanto, sabem que não devem nem podem perder tempo nem jogar dinheiro dos contribuintes de seus municípios fora, numa viagem que nada renderia de bom. É certo, Exa. que, como denunciou um motorista de táxi num dos telejornais que foram ao ar na quarta-feira, muitos e muitos prefeitos usaram da viagem para conhecer alguns lugares pitorescos da nossa capital, como inferninhos, boates – enfim, a “zona” (como se chamava antigamente) local, se bem que, para isso, bastaria uma visita cívica ao Congresso Nacional. Também houve a denuncia, engraçada se não fosse ridicula, da Revista Veja, de que havia, nas proximidades do local do evento, alguns fotografos com um painel onde apareciam V. Excelência e a Primeira Dama do vosso Governo, para que os prefeitos que fossem bobalhões tirassem uma foto "envolvido" por voces dois, para enganar os bobalhões de suas terras natal. Um painel, Sr. Presidente, como aqueles que a gente encontra, por exemplo, em Aparecida do Norte, perto da Basilica, nos dias de grande movimento de fiéis, onde o sujeito tira foto como se estivesse perto de Nossa Senhora, ou de frente a Basilica, ou como as que a gente encontra nos rodeios de Barretos, onde o sujeito enfia a cara no buraco de um painel, simulando estar montado em cima de um touro ou cavalo de raça. Que coisa ridicula, Sr. Presidente. A que ponto V. Excelencia e seus companheiros de governo chegaram para tentar manter o seu Partido no poder a partir de 2011, submetendo alguns prefeitos incautos e tão ridiculos quanto aqueles painéis, a um vexame perante o pais inteiro e o exterior. No que o Sr. esta transformando esse país, que já teve o orgulho de ser governado por um Juscelino e agora nivela a todos pelo mais baixo dos niveis intelectuais, montando progamas sociais que nada tem de sociais, mas de pura politicalha, politicagem --e, porque não dizer, picaretagem politica -- como o carro-chefe de sua popularidade, chamado "bolsa-familia", a esmola que é uma fortuna para quem não tem nada e para quem V. Excelência e seus companheiros não querem dar nada além dessa esmola, para que tenham que sempre lhes estender a mão?
Fui informado de que dois prefeitos meus estiveram em Brasilia naquele encontro: o mineiro de Itajubá, Jorge Renó Mouallem e o baiano de Macarani, Antonio Carlos Araujo Macedo. No meio daquela balburdia que foi a organização do evento e do sufoco que deve ter sido o apinhocamento de 4 mil prefeitos, acompanhados de secretários e assessores, provavelmente não se cruzaram e, se porventura um passou pelo outro, não sabiam de quem se tratavam.
Assisti a todos os telejornais possíveis da noite de terça-feira, que fizeram questão de noticiar a palhaç...., perdão Sr. Presidente, o evento. Todos mostraram aquele salão imenso cheio de gente esperançosa de ouvir algo que prestasse. Obviamente que não consegui distinquir nem Jorge nem Antônio Carlos na multidão. Conhecendo como os conheço, contudo, talvez nem lá estivessem, mas procurando pelos gabinetes de Brasilia garimparem verbas e projetos para suas cidades. Tenho a certeza que não estavam tirando fotos no painel ridiculo montado com a foto do Sr. e da vossa Primeira Dama do Governo.
O que mais chamou-me a atenção naquilo tudo foi quando V. Exa. , ao lado da Exma. Sra. Primeira Dama do vosso Governo – outrora uma das damas da guerrilha terrorista nacional, nas décadas de 60 e 70 – admitiu aos nossos prefeitos que a burocracia para se conseguir verbas através dos programas federais é enorme, mas que o Sr. não pode fazer nada e que, portanto, prefeito tem que aprender a preencher formulários e mais formulários.Parece-me que foi a única coisa de alguma importância dita por V. Exa., além de, claro, falar sobre o excesso de batom da Ministra Dilma Roussef, vossa candidata a sucessão presidencial no ano que vem.
A verdade pura e simples, Sr. Presidente Luiz Inacio Lula da Silva, é que aquele encontro, por parte de V. Exa., tinha como único objetivo pedir, sem falar expressamente, apoio dos novos ou velhos prefeitos à sua candidata, como denunciaram dois dos partidos de oposição ao Supremo Tribunal Federal, na semana passada.
Com toda franqueza, é uma vergonha e um acinte convidar gestores municipais, muitos deles como Jorge Mouallem e Antônio Carlos, jovens prefeitos certamente com grandes planos – ou ilusões? – para suas cidades, para fazer graça sem graça com o batom de alguém, sabendo que os únicos risos que provocará serão os dos puxa-sacos de sempre, de dizer-lhes que têm de aprender a preencher formulários, porque nada pode fazer a respeito. Poderia, sim, acabar com a desnecessária burocracia de mero entrave, se a intenção não fosse dificultar de todas as formas possíveis a liberação das verbas que, em ultima analise, pertencem aos municípios, já que é deles que sai toda a grana que vai parar nos cofres dos quais V. Exa. tem as chaves. Bastaria, por exemplo, editar uma medida provisória, como aquelas que V. Exa edita quando é do interesse do vosso Governo, ou de gente do vosso Governo, como o foi no caso daquela editada para transformar o vosso presidente do Banco Central em Ministro, para que ele escapasse do julgamento de uma ação civil publica por juízes de primeira instância.
O ex-prefeito de Macarani, Olisandro Nogueira, nunca ia a esses encontros. Quase nunca atendia a esses convites. Escolado em três mandatos, não aceitava fazer papel de palhaço, como V. Exa. parece pensar que os prefeitos são. Antonio Carlos, o baiano, e Jorge Mouallem, o mineiro, parecem ter aprendido rápido.
Com o devido respeito e protestos de estima e consi....Ah, deixa prá lá, subscrevo-me atenciosamente.