Há alguns anos, um menino, buscado numa das favelas de São Paulo por um grande cineasta argentino chamado Hector Babenco, foi a grande estrela de um filme que rodou o mundo e tornou-se um ícone da cinematografia brasileira: era Fernando Ramos da Silva, então com apenas 9 anos de idade. O filme, Pixote - a lei do mais fraco.
Sucesso absoluto de critica e publico, a interpretação do pequeno Fernando Ramos da Silva não fez feio diante das atrizes Marilia Pera, Elke Maravinha, e outros grandes que participaram do filme. Nem Fernando, nem seus amigos também de favela que interpretaram seus companheiros de Febem e das ruas de São Paulo. Foi contratado pela TV Globo e chegou a participar de umas duas novelas, até que foi lançado, de novo, no olho da rua. Diziam que era meio indisciplinado.
Não era, não. Era, apenas, uma criança pobre que interpretou muito bem o papel de saco-de-pancada da vida, da policia e dos monitores da Febem, porque esse era seu mundo real. Nas novelas da Globo, tudo era ficticio: os cenários, as ruas, os personagens.
Tempos depois, já com cerca de 20 anos de idade, Fernando Ramos da Silva morreu como qualquer Pixote: fuzilado por policiais tarados, debaixo de uma cama de um casebre de São Bernardo do Campo, onde morava, porque havia furtado uma porcaria qualquer -- porcaria, mesmo, não é força de expressão não. Fernando não estava armado, não estava drogado. Apenas, fugiu dos policiais após haver cometido um pequeno furto, entrou em seu barraco e se escondeu debaixo da cama. Não esboçou reação ao ser localizado, mas os tarados o fuzilaram.
Nessa semana, policiais da cidade de Bauru, no estado de São Paulo, invadiram um casebre de periferia, a procura de um rapaz que teria supostamente furtado uma moto. O menino estava dormindo. Entraram em seu "quarto" (um cômodo do casebre) o tiraram da cama e o torturaram com choques elétricos por todo o corpo. Um tenente comandava a quadrilha de assassinos. Um tenente mentiroso, provavelmente corrupto, e, certamente, tarado. Disse que não viu as torturas de seus subordinados, porque estava a procura de drogas pela casa e que teria até encontrado um tijolo de 350 gramas de maconha. Tudo mentira, desde a maconha que não encontrou porcaria nenhuma, até não haver presenciado e participado da tortura. E a tal moto que, disseram, o menino havia furtado, estaria no quintal da casa. Portanto, nem foi para que ele confessasse o crime e dissesse onde ela estava que foi torturado.
O menino tinha 15 anos de idade. Morreu, em razão de inumeros choques elétricos pelo corpo. O Tenente que nunca deveria ter sido nem soldado -- alias, não deveria ter nem nascido -- deu voz de prisão aos seus subordinados, como se eles fosse os unicos culpados. Terminou preso, também, pelo Comando superior da PM. Pena que aquele raio que um dia o FErnando Henrique CArdoso disse que caiu em Bauru e causou aquele grande apagão energético no pais quase todo, h[a uns 6 ou 7 anos atrás, não tenha, agora, caido de novo sobre a viatura que os conduzia para a prisão militar. Quem sabe morressem, todos, do mesmo choque que o menino de 15 anos que assassinaram barbara e friamente, tal como aquele personagem bandido do filme Tropa de Elite, sobre o BOPE carioca, que tanto sucesso andou fazendo, que colocou fogo em dois estudantes.
Por falar em Tropa de Elite e policiais tarados, o festejado Capitão Nascimento também era um. Não sei se na vida real -- a julgar pela foto que saiu nos jornais, mostrando o inspirador do personagem, eu acho que é. O Capitão Nascimento do BOPE, no filme, faz questão de atirar no rosto do bandido já absolutamente dominado, numa das cenas finais, porque ele, o bandido, sabendo que iria morrer executado num crime cometido por um agente da policia, lhe pede que não atire no rosto, para "não estragar o funeral".
As cenas do filme Tropa de Elite são reais. Não que tenham sido filmadas em ações reais da policia, não. Mas elas acontecem diariamente nos morros cariocas, paulistas, soteropolitanos e de quase todas as médias e grandes cidades brasileiras. Acontecem, também, nas pequenas cidades.
Supostos bandidos -- a maioria pés-de-chinelo -- são abusados, com um prazer sexual, pelos agentes policiais, sejam militares ou civis. A tortura existe mais nas delegacias de policia do que nas ruas, porque compete à policia civil reaizar investigações e inquéritos e usa-se da maquininha de choque -- se não me engano, chamada maricota em alguns lugares -- para colher-se a grande prova, que seria a confissão do ladrão de galinhas. Poucos são os policiais civis brasileiros que não têm uma maricota escondida. Os tarados que não têm, viram-se com fios desencapados, como foi o caso daqueles de Bauru. Acho mesmo que estava afinzões de fazer amor com aquele menino de 15 anos -- talvez com o corpo malhado -- e ele não quiz nada com eles. Então descontaram suas taras sexuais pelo menino, sentindo prazer em ve-lo estrebuchar-se a cada descarga elétrica recebida. Dizem que as descargas elétricas ativam o órgão sexual. Aquele tenente e seus soldados devem ter ficado "loouuuucooss" ao ver o pênis do rapaz ficar ereto durante a sessão de tortura.
Fico pensando porque o prazer de certos policiais de torturarem, de produzirem o sofrimento, ainda que psicológico.
A maioria das vitimas da tortura fisica são pobres e do sexo masculino. E são jovens. E são torturados por tarados policiais do sexo masculino -- bom, pelo menos é o que consta das suas fichas.
Já as vitimas da tortura psicológica são de classe média para alta, geralmente famosas. A tortura psicológica foi cometida, por exemplo, por aquele policial que trouxe Flavio Maluf -- o filho do famoso Paulo Maluf -- do interior para a Capital paulista, ano retrasado, sem qualquer algema, mas, diante das câmeras, fez questão de algema-lo, lembram-se?? Pura tortura psicologica sobre sua vitima. Puro prazer quase sexual em humilhar a vitima perante as câmeras da Globo, Record, RedeTV, SBT e que, sabe, até da TV Senado.
O que mais preocupa é que esses casos de policiais assim a gente costuma dizer que seriam uma minoria.
Nõ são não. Infelizmente, se ainda são minoria, estão aumentando estupidamente a cada ano.
E são festejados.
Afinal, quantos personagens-policiais voces contam no filme Tara...., desculpe, Tropa de Elite, que se postaram contra os métodos de investigação do Capitão Nascimento?
quarta-feira, 19 de dezembro de 2007
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário