Quando comentei aqui o caso da menina de 15 anos presa naquela cidadezinha do Pará, na mesma cela onde estavam um montão de marmanjões, por mais de 20 dias, onde sofreu toda sorte de abusos sexuais até por um prato de comida, disse que aquilo era um retrato do que acontecia nesse Brasil varonil de norte a sul.
Na semana passada, estourou escândalo no estado do Paraná, um dos mais desenvolvidos e supostamente cultos do Sul maravinha desse pais, provando que os abusos e descasos por parte de policiais, carcereiros, delegados, promotores de justiça e juizes não estão confinados ao norte e nordeste, de gente pobre e supostamente inculta.
Ôtoridades existem do Oipapoque ao Chuí, ficou comprovado.
No caso do Paraná, além da hiperlotação das celas das delegacias -- num dos casos tinha mais de 20 numa cela construida para abrigar 4 detentos -- acorrenta-se presos a pilastras, onde ficam sem comida por dias a fio.
Lembro-me que na Delegacia de Itajubá, no Sul de Minas, há uns 20 e tantos anos atrás, era comum a gente encontrar presos acorrentados, durante toda a noite, em botijões de gás, até que a douta autoridade policial (o delegado de policia) resolvesse aparecer na manhã seguinte -- e por manhã seguinte leia-se 10, 11 horas -- para ver se era ou não o caso de se lavrar flagrante contra o sujeito. Não sei se isso ainda ocorre por lá, mas até é possivel que sim.
A delegada de policia daquela cidade paranaense argumentou que, embora reconheça que a situação dos presos fosse degradante, "mais degradante era a situação das vitimas de seus crimes de furto, roubo, etc...".
O diabo é que essa mulher ainda está no cargo!!!!!
Deveria ser demitida sumariamente até que frequentasse regularmente uma escola primária e alguém lhe ensinasse como pesquisar no Dicionário do Aurélio, ou no Houaiss -- tanto faz -- o significado da expressão "degradante".
Não tem nada de degradante na situação de quem sofre um furto ou mesmo um roubo. A gente fica "puto" da vida, sem duvida, quando chegamos na nossa casa e vemos que vamos perder o capitulo da novela daquela noite porque levaram a nossa televisão. A gente fica "tiririca" com o mundo quando um sujeito nos aponta um revólver, canivete ou faca na rua e nos leva aquele "Rolex" legitimo de camelô,mas isso não tem nada a ver com a "degradação da nossa dignidade humana".
A situação de quem comete esses crimes no Brasil, na grande maioria das nossas delegacias, sim, é degradante, tanto quanto o são as situações dos menores das Febens -- que hoje mudaram de nome --- ou das penitenciarias.
Naquela cela hiperlotada da delegacia daquela senhora que viveu o dilema, como delegada, de acorrentar os presos na pilastra ou "leva-los para casa" (palavras dela), percebi o rosto de um garoto que não deve ter mais do que 19 ou 20 anos.
La, ele esta subjugado. Talvez hajam até policiais que o retirem da cela para dar-lhe uns tapinhas de vez em quando, apenas para mostrar que com eles "o sistema é bruto".
E o juiz ou juiza da cidade não viram nada, não sabem de nada, tanto quanto o Lula não sabia do mensalão.
Quando sair de la, ai sim aquela delegada poderá se arrepender de te-lo deixado junto com outros 20 numa cela para 4 ou de tê-lo amarrado numa pilastra, enquanto aguardava "um lugar" na cela.
Vai preferir te-lo "levado para casa".
sexta-feira, 7 de dezembro de 2007
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