quinta-feira, 25 de junho de 2009

ONE DAY IN YOR LIFE, MICHAEL JACKSON

Hoje, quinta-feira, 25 de junho de 2009. As festas de São João, que se emendarão com as de São Pedro, correm soltas no Largo de São Pedro, aqui em Macarani, sudoeste da Bahia, onde todo mundo já sabe que moro.
Saí do trabalho por volta das 19:10 horas, passei pelo comércio de Edivan, comprei umas coisas e vim para casa. Televisão ligada, logo no corredor ouço a chamada especial do telejornal da Rede SBT, que somente irá ao ar por volta das 21:30: O superastro pop Michael Jackson foi internado vitima de parada cardíaca e, provavelmente, segundo vem noticiando um jornal de Nova York, está morto num hospital de Los Ângeles, Estados Unidos.
Nunca fui nem sou fã de carteirinha de cantor nenhum, nem de time de futebol. Nunca fui para portas de teatros ou arenas para me expremer na multidão para assistir um show. A unica fraca experiência que tive nesse setor foi enfrentar quase uma hora de fila para assitir a um show de Roberto Carlos, no Canecão do Rio de Janeiro, no inicio da década de 80, portanto há mais de 20 anos. Nunca, nunca mesmo fui para porta de hotéis para ver artista entrar, sair ou se mostrar nas varandas. Nem iria jamais para os pés da Favela Dona Marta, no Rio, ou no Pelourinho, em Salvador, nem para os bairros do Cruzeiro em Itajubá ou Marjorie Parque, aqui em Macarani, para assistir Michael Jackson gravar um clipe -- isso, se ele um dia tivesse ido a Itajubá ou vindo a Macarani.
No entanto, tinha extrema simpatia por Michael Jackson. Lembro claramente de seu primeiro sucesso solo no Brasil, a musica Ben, que estourou nas paradas em 1972. Os sucessos anteriores eram do grupo Jackson Five, onde cantava com os irmãos. Fazia parte da trilha sonora de uma novela da Globo, na época, mas eu nem sabia disso porque, nessa época, TV Tupi ainda dominava a audiência na minha Itajubá, com a novela Mulheres de Areia. Lembro, no entanto, de haver comprado aquele disquinho de duas musicas só (uma de um lado, outra de outro) que chamavam "compacto simples", e ouvi-lo por várias vezes na minha pequena "eletrolinha" marca Sonata. Na outra face, vinha a musia Happy, que logo em seguida a Ben, também faria o maior sucesso, seguido de Music and me e a inolvidável, uma das mais bonitas musicas da minha adolescência, One day in your life.
Não levou muito tempo para Michael Jackson, que tinha praticamente minha idade, assim como morreu com praticamente minha idade -- mesmo porque seria impossivel a gente se distanciar na idade ao longo do tempo -- ir crescendo, que nem eu, e acabar revelando-se um grande astro dos videoclipes. No começo, detestei, depois me acostumei. O Michael Jackson cantor/dançarino, de Bad ou Triller era bom mesmo, empolgava, embora não fizesse mais meu gênero.
Nunca comprei um unico desses discos-albuns de Michael Jackson, nem os seguintes que foi lançando. Na minha discoteca, ainda tem aquele velho disquinho com Ben e outros com sucessos da época em que ainda não se tornara o maior astro pop do mundo, depois dos Beatles e dos Roling Stones.
Voltei a ser fã de Michael Jackson, contudo, quando estourou o primeiro escândalo de acusações de pedofilia, com aquele garoto cujos pais acabaram conseguindo o que queriam: uma bela grana, alguns milhõezinhos de dólares, para não prosseguirem com um processo que, tudo indicava a quem tem o minimo de inteligência, era coisa armada. Os pais do garoto ficaram milionários. Não sei se ainda simulam a prostituição de seu filho ou de seus irmãos menores para arrancarem grana de quem tem dinheiro nos Estados Unidos ou em outro pais, nem se aquele proprio menino terminou sendo garoto de programa e continuou, agora conscientemente, a extorquir endinheirados para sustentar a volupia de seus pais, o que sei foi que a imprensa adorou aquele escândalo, as gravadoras dos concorrentes de Jackson adoraram ainda mais, e que -- ora, viva! -- a tentativa de golpe seguinte não deu certo: o cantor se recusou a fazer qualquer acordo com um outro casal que também o acusava de molestar seu filhinho, submeteu-se a julgamento pelo Judiciário, e foi absolvido. Curioso: desde então, ninguém mais acusou-o de nada, a não ser de ser esquisito. Nunca me convenci da culpa de Michael Jackson naqueles episódios, como nunca me convenci da culpa do boxeador Mike Tyson, quando foi acusado de tentar estuprar, num quarto de hotel de luxo, uma morenaça que se candidatava a Miss sei lá o quê. Não me lembro se ela ganhou o concurso de Miss -- alias, ninguém se lembra -- mas que era uma tremenda pir........., bom deixa prá lá, isso tava na cara. E no resto.
A morte subita de Michael Jackson faz a gente que viveu o inicio da década de 1970 sentir um vazio. Pra gente que nem eu, já um pouco mais velho que ele já era, é uma droga. Nossos idolos, ainda que não tenhamos gritado seus nomes nas portas dos hotéis, vão se indo. Pombas, lembro de Roberto Carlos cantando Calhambeque no programa JOvem Guarda da TV Record, antes de qualquer bispo pensar em compra-la, na década de 60. Hoje, o sujeito tá completando 50 anos, e de carreira. É meio chato isso.
Me preocupo, ao lembrar como o pessoal da minha geração venerava os Michael Jacksons da vida, que sempre foi acusado de ser esquisito, de querer ser branco, de balançar o proprio filho na janela de hotel para a imprensa ver, mas nunca foi mostrado por qualquer câmera de TV ou foto de paparazzi drogado no palco ou fora dele, ou morto de bêbado em boates fazendo escândalos, como vários dos astros e estrelas pop atuais que, felizmente, meus filhos adolescentes e jovens também não veneram, mas são venerados por milhões de outros jovens no mundo todo.
Com Michael Jackson morre uma parte de nós, adolescentes de 1973. E nos faz sentir que, não demorará muito, vamos voltar a nos encontrar com ele, o que é o mesmo que ele, one day in your dead, se encontrará conosco, lá em cima.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

SEM QUERER, QUEREEEEEEENDO

Chega a ser irritante essa história do presidente Luiz Inacio Lula da Silva ficar dizendo que não quer um terceiro mandato consecutivo, já que terceiro e quarto mandados, futuramente, ele já declarou querer.
Coloca-se como alguém não apegado ao Poder, que preza o principio republicano da rotatividade. Tudo bobagem, e, pior, saidas da boca de alguém que sempre, ao longo desses quase sete anos, sempre pareceu duvidar da inteligência dos todos os demais brasileiros.
Na semana passada, foi arquivada a proposta de emenda constitucional que garantiria a possibilidade de canditura pela terceira vez dos Chefes dos Poderes Executivo Federal, Estaduais e Municipais. O autor da proposta berrou. Não interessa aqui discutir porque foi arquivada, mas deveria ter ido adiante e ser levada ao Plenário do Congresso para decisão dos deputados e senadores. Talvez não passasse, talvez......Bom, se Lula pudesse dispor de 200 mil reais para outros Ronivons Santiagos, como Fernando Henrique em 1997, quem sabe....
Trata-se de uma discussão hipócrita dos três lados desse triângulo político indecente que jogam para a opinião publica: Hipocrita porque não afronta os principios republicanos o direito a reeleição por uma, duas ou dez vezes seguidas. O que afronta os principios republicanos e democráticos é impedir que alguém chegue ou permaneça no Poder, se o Povo, supostamente soberano, assim o quiser através do voto livre e consciente. O problema é que, no Brasil, o voto quase nunca é consciente, porque a maioria da população -- extrema maioria, diga-se -- é facilmente enganável e enganada pela propaganda politico-partidária, sobretudo na televisão. Hipócrita por parte dos Partidos Politicos que dizem não querer o direito à reeleição por vários mandatos, não em virtude da afronta aos principios republicanos da rotatividade no Poder, mas porque podem correr o risco de ficarem décadas longe dele. Hipócrita e bota hipócrita nisso, por parte do Exmo. Sr. Presidente da República atual, que diz não querer o terceiro mandato (agora).
Afinal de contas, se não quer o terceiro mandato a partir de 2011, é simples: bastará (ou bastaria) não se candidatar a ele, caso a emenda seja (ou viesse a ser) aprovada.
Simples assim. O resto é pura hipocrisia que chega a dar nojo.

sábado, 13 de junho de 2009

PROVIDENCIAS RADICAIS JÁ!!!!!

Estamos com um problema grave. Não há um unico dia em que jornais e telejornais locais, regionais ou nacionais não noticiam graves acidentes de trânsito causados por irreponsáveis que insistem em dirigir em alta velocidade e, muitas da vezes, embriagados. Aqueles que não se importam em procurar a causa ou as causas dessas tristes ocorrências e preferem culpar o destino, limitam-se a velha frase feita de que “as bruxas andam soltas”, como costuma-se dizer quando ocorrem uma sucessão de acidentes aéreos, por exemplo. Talvez se a Air France houvesse dado ouvidos e alguma importância aos relatos de pilotos dos Airbus 330 que noticiavam falhas no sistema de medição de velocidade desses aparelhos, os incidentes anteriores não teriam redundado na tragédia de duas semanas atrás. Se a TAM tivesse mandado para o hangar e consertado o reverso daquele que causou a tragédia em São Paulo em 1997, logo quando, ao pousar no primeiro aeroporto numa de suas primeiras escalas entre Porto Alegre e a capital paulista, o piloto relatou que o tal reverso não estava funcionando, talvez a tragédia não ocorresse.
Se, ao invés de ficar fazendo marolas a cada guerra de torcidas em São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre ou Salvador, o Ministério Público e o Judiciário decidissem, simplesmente, proibir publico nos Estádios, levariam ao desespero dos Clubes, que vivem e sobrevivem da venda dos ingressos, e esses Clubes, que hoje são, na verdade, grandes empresas que visam tão somente o lucro – e que lucro!! – explorando o mais popular esporte do país, ficassem privados de sua grande fonte de renda primária (a secundária, mas de maior importância, é a venda de jogadores), talvez tomassem providências efetivas para garantir a segurança dos torcedores, sobretudo daqueles que acabam em hospitais ou cemitérios porque se viram no meio de baderneiros uniformizados que se consideram “torcidas”, mas não passam de criminosos aos quais não se pode deferir o direito de conviverem em sociedade.
Seria providência radical? Seria. Mas a população não aprova outras providências radicais, como o “toque de recolher “ para menores de 18 anos após determinado horário, como solução para conter a criminalidade e garantir a segurança desses jovens?
Qual poderia ser a providência radical para evitar acidentes que, em verdade, não são acidentes, mas meras e lógicas conseqüências de comportamentos irresponsáveis, como os dos acidentes noticiados em todo o país pelos mais diversos meios de comunicação?
Quem sabe, apenas, cumprir a lei e fiscalizar seu cumprimento? Para o excesso de velocidade, em vários pontos das rodovias aquelas “lombadas eletrônicas” que encontramos em varias cidades, que indicam a velocidade em que o motorista se encontra, fotografa-o e multa-o num simples “click”. Flagrado e clicado, o agente da autoridade não apenas o notificaria da multa, mas se dirigiria à garagem do individuo e conduziria o carro do apressadinho para o pátio. Dependendo da velocidade em que se encontrava ao ser “clicado”, o carro permaneceria descansando no pátio por uma, duas, três semanas ou mais. O sujeito iria trabalhar de “buzão” e levaria a namorada para o motel de táxi durante um certo tempo.
Embriagado ao volante? Cadeia imediata e pronto. Bota na cadeia, lavra o flagrante e comunica o juiz. O cara terá direito a liberdade provisória, concedida pelo juiz, depois que seu advogado – que, nesse caso, aconselhamos, cobre honorários mais salgados que o IPVA – peticionar, for ouvido o Promotor de Justiça, a ordem for concedida e o cartório emitir o alvará de soltura: mais ou menos três dias de cana, se a Justiça for rápida. Como estamos no Brasil...........
Na ultima sexta-feira, um sub-procurador do Distrito Federal foi flagrado bêbado ao volante. Bateu, de leve, no carro de uma senhora, mas poderia ter causado uma tragédia. Desacatou policiais, ameaçou outros em plena delegacia. Tudo filmado. Foi liberado após ser ouvido, sem sequer pagar fiança. Se pagasse, também, tanto faria. O que são alguma centenas de reais para quem ganha mais de uma dezena de milhares de reais por mês?
Se for assim que o Brasil pretende garantir a segurança dos cidadãos e cumprir as leis, então, é melhor jogarmos a toalha e, a cada tragédia, clamarmos contra as bruxas soltas.

PALHAÇA FOI ELA OU SOMOS NOS?

Há cerca de dois meses, o mundo foi apresentado a uma tal Suzan Boyle, que maravilhou a todos com sua belíssima voz, divulgada no site You Tube, quando se apresentou num programa de calouros da televisão inglesa.
Na semana passada, a imprensa mundial “denunciou” que aquele programa fora, na verdade, um farsa. Os jurados, que no vídeo faziam caras e bocas de espanto e admiração quando Suzan Boyle abriu sua própria boca e cantou sei-lá-o-quê, na verdade estariam, apenas, fazendo um teatro, porque já sabiam que a mulher cantava pra canarinho nenhum botar defeito. Ela teria se apresentado, antes, para a equipe de produção daquele programa de calouros, antes de subir ao palco – aliás, certamente, dias antes.
Basta não ser burro para se saber que era lógico isso. Todo mundo sabe – até o Jacaré, que um dia se apresentou na “Hora da Buzina” do Chacrinha, quando o Velho Guerreiro foi a minha Itajubá, na década de 1980, e ganhou o “troféu abacaxi” – que, antes de se apresentar ao publico, o calouro faz uma pré-apresentação para os produtores do programa. Sobem ao palco e se apresentam para o publico os bons, muito bons, ruins e péssimos. Faz parte do show a apresentação dos péssimos, salvo em programas mais sérios, como o antigo “A Grande Chance”, do hoje falecido Flavio Calvalcanti, onde somente os melhores passavam pelo crivo da produção.
O que me aborrece não é o fato de, por semanas, o mundo – quero dizer, os idiotas do mundo, que desde o inicio não raciocinaram que tudo não passava de um teatro – ser enganado com a historia da “surpresa” dos jurados daquele programa com Suzan Boyle. Isso faz parte do show, como eu já disse.
Me aborrece o fato de que aquela mulher – que, dias após vi cantar “Memory”, e não vi nada demais, porque sua interpretação lembrava a interpretação memorável (em trocadilho) de Barbra Streisand – não foi apresentada ao mundo pela TV inglesa ou pelo You Tube por ter uma voz espetacular, mas por ser feia e desengonçada e, apesar de feia e desengonçada, ter uma voz espetacular. Daí o teatro dos jurados daquele programa, um teatro negro, preconceituoso e, na verdade, humilhante para Suzan Boyle: eles se demonstravam “surpresos” com aquela feia e desengonçada que lhes brindava com uma voz belíssima. Só a voz, porque presença em palco, nenhuma.
Na semana passada, quando a televisão noticiou que tudo fora um teatro, noticiou algo mais importante, já que isso todo mundo sabia ou deveria saber. Noticiou que Suzan Boyle tem sérios problemas psíquicos, que a levaram a entrar em depressão e ter que ser internada num hospital psiquiátrico porque – pasmem!! – não foi a vencedora da final daquele programa de calouros. Perdeu para um grupo de dança, aliás, muito melhor que ela em termos de show.
Uma pessoa com problemas psíquicos foi apresentada ao mundo como a feia e desengonçada que canta bonito. E muita gente ganhou dinheiro e notoriedade em cima dela, inclusive aquele canal de televisão que produz o programa e seus jurados.Êta mundo cão.

terça-feira, 9 de junho de 2009

VOLTEMOS AOS TECO-TECOS

Numa noite de rigoroso inverno de 1974, um avião pertencente a uma companhia norte-americana, alçou vôo do Aeroporto de Washington D.C, nos Estados Unidos. Poucos segundos depois, a aeronave destruía em sua queda livre vários automóveis sobre a ponte do Rio Potomac, na capital norte-americana, e caia sobre o leito do rio semi-congelado. Vários morreram na ponte, a maioria dos passageiros e tripulantes daquele jato, enregelados dentro do rio.
Na noite de domingo retrasado, um dos mais modernos jatos do mundo, um Airbus 330, partia do Galeão, no Rio de Janeiro, com destino a Paris. Pouco depois do Arquipélago de Fernando de Noronha enfrenta uma tempestade e se despedaça no mar. Até o momento em que escrevo essa crônica, sobreviventes não foram encontrados. Provavelmente não serão.
As investigações do acidente na França concluíram, pelas mensagens automáticas enviadas pelo avião – a tripulação não enviou nenhuma – que aeronave não enfrentou a tempestade violenta na velocidade correta. Estava abaixo da velocidade que deveria estar. Seu equipamento medidor de velocidade falhou e enganou o piloto automático e o piloto humano.
Naquela noite em Washington, também o piloto foi enganado pelo “velocímetro” do avião. O "pito" que fica na fuselagem das aeronaves, que mede a velocidade com que o ar entra por sua abertura para que o computador calcule a velocidade do avião, estava entupido pelo gelo do inverno norte-americano. O piloto puxou o manche para trás e alçou vôo antes do avião atingir a velocidade correta para tanto, o jato tentou subir mas não conseguiu e se esborrachou sobre a ponte e o Rio Potomac. O "pito" do jato da Air France também estaria com defeito – ou o equipamento a ele ligado estava – e o piloto humano e o computador de bordo que comanda o piloto automático acharam que poderiam enfrentar a tempestade naquela velocidade, que o sistema lhes dizia que era a correta, e se despedaçaram sobre o oceano.
Passaram-se 35 anos do desastre do Potomac até que um defeito igualzinho ao daquela aeronave provocou outra tragédia.
Em 1999, o "reverso", sistema automático de frenagem por reversão de impulso das turbinas dos aviões, fundamental para que a aeronave consiga diminuir a velocidade até o momento do acionamento dos freios mecânicos durante um pouso, falhou no aeroporto de Congonhas. Um Folker 100 da TAM esborrachou-se sobre uma rua do bairro Jabaquara depois de tentar levantar vôo e não conseguir, porque o "reverso", que so deveria abrir no momento do pouso e quando o avião já esta na pista, abriu no momento da decolagem, "segurando" ao avião e impedindo que as turbinas lhe dessem velocidade e impulso suficiente para a subida.
Oito anos depois, em 2007, outro avião da mesma TAM provocou um dos maiores acidentes da história da aviação mundial, quando, pousando no mesmo aeroporto de Congonhas, não conseguiu frear, atravessou toda a extensão da pista, passou por sobre uma avenida e chocou-se contra um prédio da propria companhia aérea. Não conseguiu frear porque, além de outros problemas, o tal "reverso" de uma das turbinas não estava funcionando, ou seja, não abriu quando deveria. O piloto sabia, a TAM sabia, todo mundo sabia que aquele reverso não estava funcinando, mas, mesmo assim, o avião levantou vôo em Porto Alegre e foi até São Paulo, descendo em outros aeroportos pelo caminho até se esborrachar em Congonhas.
Em 1989, um Boing da Varig pousou, à noite, no meio da floresta amazônica, porque o piloto confiou nos computadores do avião, cegamente. Tão cegamente que não viu que não poderia estar na rota correta, porque deveria voar para o norte com o sol a sua direita, mas o sol estava na sua cara, portanto voava para Oeste naquele final de tarde no aeroporto de Imperatriz, no Maranhão. O Varig estaria seguindo para Belém, em linha reta norte, mas seguiu para o seio da floresta amazônica, linha reta oeste. Até hoje não entendi como o piloto humano não se apercebeu do erro do automático, do sistema eletro-mecânico-cibernético-sei-lá-o-quê do moderníssimo Boing.
O avanço das máquinas nos deixa burros. Eu não posso dizer que o piloto do Air France foi burro, mesmo porque ainda não conheço, como acho que nenhum Ser humano desse planeta ainda conheça, o que realmente aconteceu, mas que César Garcez, daquele Varig foi, assim como seu co-piloto Zille, isso foi. Garcez confiou na marcação da rota 270 feita no computador, quando deveria haver digitado 027, desprezando o zero da direita. O erro da programação foi da Varig, que não deveria ter colocado aquele zero na esquerda. Matou 12 de seus passageiros, embora tenha salvo mais de 40 ao demonstrar extrema perícia – e sorte – ao pousar no meio da floresta amazônica, a noite, sobre árvores, um avião de sei lá quantas toneladas, sem uma gota de combustível.
Em 2006, um modernissimo jatinho Legacy da Embraer, novinho em folha, abalroou em pleno vôo, também sobre a selva amazônica, um modernissimo Boing da Gol. Ambos eram dotados dos mais sofisticados computadores e aparelhos de segurança. Impossivel que dois jatos daquele nível chocassem-se em pleno ar. Mas os aparelhos falharam, os computadores falharam. Se o transponder do Legacy estava desligado, propositalmente ou não pelos pilotos que o conduziam, o do Gol não estava, nem seus outros aparelhos, como o radar que indica até nuvens pesadas e tempestades à frente com um minimo de 15 minutos de antecedência. Não indicou o Legacy vindo em sua direção, na mesma "pista". Quase duzentos mortos foi o resultado do excesso de confiança nos computadores.
Uma vez voei num aviãozinho do Sr. Expedido Aparecida, da minha Itajubá, sobre a cidade de São Lourenço, em Minas Gerais. Aquele negocio não tinha computador, não tinha radar de bordo, não tinha nem buzina. O controle era todo manual, feito pelo próprio Expedido, que era o piloto, o co-piloto e comissário de bordo. Levantamos vôo do aeroporto de São Lourenço, que nem torre de controle tem, sobrevoamos a cidade e sua micro-região durante uns 20 minutos e pousamos no mesmo aeroporto na mais perfeita segurança. Sem computadores, sem pilotos automáticos para fazer o serviço que competia exclusivamente ao Expedito.
Acho que, quando for atravessar o oceano atlântico, desprezarei os computadores da Air France, da Tam, da United Airlines, e vou pedir o aviãozinho do Expedido Aparecida emprestado.