Tarde de terça-feira, 26 de fevereiro do ano de 2008 do nascimento de Cristo. Passo em frente ao televisor do salão da Prefeitura de Macarani, estado da Bahia, que permanece ligado enquanto uma série de cidadãos estão aguardando para serem atendidos por mim ou pelo prefeito. Todos atentos na telinha da TV Globo, onde um rapaz faz a chamada do dia para o programa que é um ícone da cultura da televisão brasileira: Big Brother Brasil sei lá que número.
Conheço o rapaz. Trata-se de um repórter de uma afiliada da Rede Globo do Vale do Paraiba, no estado de São Paulo, que há algum tempo faz as chamadas diárias para o Big Brother: Afinal, quais surpresas haverão para o distinto telespectador naquela noite na Casa dos Brothers? Quem vai votar em quem? Quem falou mal de quem? Quem chorou nos ombros de quem? Quem comeu quem?
Diante do Palácio do antigo Paço Imperial, na Praça XV de Novembro, no Rio de Janeiro, o jovem e ignorante repórter aponta para suas sacadas e dispara: "Destas sacadas, D. Pedro I, falou: Diga ao Povo que Fico".
Pronto. Parte da população de Macarani, estado da Bahia --e grande parte do povo brasileiro -- acabaram de aprender, através daquele jovem ignorantão que leu um texto elaborado por um sujeito ou sujeita mais ignorante ainda, uma inverdade.
D. Pedro I, na época apenas D. Pedro, já que não era ainda o Imperador do Brasil, mas, apenas, um principe regente, se algum dia realmente disse essa frase, como relatam todos os nossos historiadores, não foi nem na sacada do Paço Imperial, nem na varanda daquele reporterzinho, mas dentro de seu gabinete de trabalho, a emissários que teriam lhe levado um manifesto por sua permanência no Brasil, quando as Cortes Portuguesas apertavam o cerco diplomático por sua volta a sede do Império, por temer o que aconteceria poucos meses depois, a Independência do Brasil.
Sabe-se que há muito tempo a televisão brasileira, sobretudo os canais abertos mais populares, como a Globo, têm prestado um grande desserviço à cultura e á educaçao do nosso povo. O Programa Big Brother Brasil, na verdade, não presta serviço nem desserviço algum a esse sofrido povo. Trata-se, apenas, de uma exploração pura e simples. A Globo fatura, segundo divultou um site da Internet, cerca de 8 milhoes e 400 mil reais por semana (entre domingo e terça-feira) somente com os telefonemas de telespectadores votando num ou noutro "brother" que -- sabe-se lá porque -- quer ver sair da tal casa. Fora isso, 30 segundos de comercial no intervalo daquela porcaria custaria aproximadamente 100 mil reais. São algumas centenas de milhões de reais faturados durante um mes de exibição, e, talvez, mais de um bilhão faturados ao longo dos tres meses em que fica no ar. E, tudo, principalmente os telefonemas, bancados pela parcela mais pobre da população, que é a que mais liga. Na verdade, a direção determina aos participantes da Casa, que não conversem sobre coisas uteis, culturais, nada disso, porque não daria audiência. Esse teste, alias, foi feito na Inglaterra, quando fizeram um piloto de um programa semelhante, mas com conversas de nivel mais elevado, e uma pesquisa popular revelou que o programa não teria audiência. Não sei, portanto, se os convivas da Casa têm um minimo de cultura ou não, embora alguns, como aquele tal de Jean, o baiano que ganhou o premio num programa do ano retrasado, seja um professor.
O que é inadmissível é que um locutor ou repórter da emissora diga a bobagem que disse na chamada de terça-feira.
As pessoas -- e até a Globo que tanto defendeu os militares na época da ditadura -- metem o pau nos governos pós-golpe de 64.
Mas foi em 1972, no sesquicentenário da Independência do Brasil, sob plena ditadura do governo do General Garraztazu Médici, que a Embrafilme patrocinou "Independência ou Morte", o unico filme até hoje feito no Brasil sobre a nossa Independência, com Tarcisio Meira, Gloria Menezes, Dionizio Azevedo e outros grandes do teatro e da televisão brasileiros. Era um filme da época do Brasil Grande, do Pais que Vai Pra Frente, do Ame-o ou Deixe-o, mas era, sobretudo, um filme muitissimo bem feito, respeitando fielmente o que contavam os historiadores da época sobre o periodo pré e pós- Independência.
Neste filme, que até hoje pode ser alugado em qualquer locadora -- eu o tenho em meus arquivos se aquele reporterzinho e sua redatora ou redator quiserem -- aparece a cena em que D. Pedro, ainda Principe, diz a tal frase: "se é para o bem de todos, estou pronto. Diga ao Povo que fico".
Se tivessem assistido ao filme, talvez não dissessem a bobagem que disseram para o povo brasileiro. Bobagem maior do que as que ouvidos dos "brothers" daquela ficticia casa.
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008
sábado, 23 de fevereiro de 2008
VAI COMEÇAR A PELEJA !!!!!!
Era assim que os locutures de rádio de antigamente iniciavam as transmissões dos jogos de futebol, no momento em que o juiz -- hoje chamado de ábitro -- dava o primeiro apito e a bola rolava em campo.
Na política, teóricamente, o primeiro apito do juiz é quando a Justiça Eleitoral registra as candidaturas, no inicio de julho do ano das eleições. Apenas teóricamente, como tudo em termos de eleições no Brasil, porque, na realidade, a "peleja" começa quando os candidatos se agrupam nos partidos, no final de setembro do ano anterior às eleições. Desde que houve a famosa emenda comprada de Fernando Henrique Cardoso à Constituição Brasileira permitindo a reeleição para os cargos Executivos, a "peleja" começa, na verdade, assim que os eleitos tomam posse.
Teremos eleições municipais, para o Executivo e o Legislativo, agora, em 2008. Faltam, apenas, 8 meses para que nós, os eletrouxas, enfrentemos sol ou chuva -- ou os dois -- nas filas de votação, para elegermos ou reelegermos os governantes e os legisladores municipais.
Aguentaremos, a partir de julho, os irritantes carros de som, os pentelhos dos cabos eleitorais empurrando-nos "santinhos" dos seus candidatos. Isto nas cidades de porte médio para cima, porque nas pequenas cidades, muita gente enfrenta até tiroteio nas ruas e emboscadas nas estradas. Veremos brigas de socos e pontapés entre os correligionários de uns e outros candidatos que, esperam, venham a ter suas vidas arrumadas com uma bom emprego fantasma se seu defendido tomar posse em 1º de janeiro do ano que vem.
Pior que isso, veremos eleitores vendendo, ou supostamente vendendo, seus votos por qualquer trocado que dê para pagar uma dose de cachaça nos bares das cidades e da zona rural, por uma compra em supermercado ou feira, por um blocos de tijolos ou cimentos para "bater" uma laje na sua casa, por um bojtijão de gás. E veremos eleitores iludidos com falsas promessas de grandes ou pequenas obras ou de empregos nas prefeituras. Conta-se um caso de um candidato numa cidadezinha mineira, há cerca de 40 anos, que prometeu em palanque a construção de uma ponte num bairro rural, durante um comicio. Ao ser advertido por um eleitor que assistia ao comício, que ali não havia rio por perto, não titubeou e prometeu que mandaria passar um rio por ali também.
Aqui, em Macarani, sudoeste da Bahia, fronteira com Minas Gerais, o candidato da oposição contará -- alias, já conta -- com o apoio total de um cidadão que daqui saiu mais pobre que o vocabulário do presidente Lula, e voltou com uma fortuna maior que a de Maluf nos paraisos fiscais. O sujeito chegou há cerca de ano e meio, comprou fazendas produtivas e improdutivas, terrenos na área urbana, e construiu uma mansão que, se quiser vender, não encontrará quem dê um terço do que gastou para construir. Tudo para humilhar, para mostrar poder econômico, por motivos que sómente se pode atribuir a quem ganhou dinheiro -- honestamente ou não -- mas não ganhou um pingo de cultura ao longo do tempo. Coisa de "novo rico" em grana e "eternamente pobre" de espirito. O cara já prometeu até constuir um restaurante para uma pobre senhora dona de um bar, evidentemente procurando ganhar seu voto e apoio para o seu candidato, sabendo que há mais de 30 anos, ela sempre apoiou e votou no atual prefeito, virtual candidato à reeleição. O diabo é que o cara, evidentemente, não gastará sua fortuna -- ou minima parte dela -- para ajudar na eleição do tal candidato, sem que esteja pretendendo grandes lucros futuros, porque pode ser um igonorantão, mas burro ou bobo não é, não.
Eu acho, sinceramente, que a população de Macarani não vai cair nessa, mas na maioria das cidades brasileiras há elementos tão perniciosos na politica -- ou por detrás de alguns politicos -- quanto o "novo rico" daqui, e o povo cairá, conscientemente ou não, nas suas lábias.
Há mais de 30 anos, fazia sucesso em todo o pais uma marchinha encomendada pelo governo militar, gravada pelos "Incriveis" (uma banda famosa na época), que tinha o refrão "esse é um pais que vai pra frente", mesma frase estampada em adesivos ostentados pela maioria dos carros.
Acabou-se o ufanismo do Brasil Grande do governo militar. Acabou-se o nacionalismo. Chego a dizer que acabou-se aquele orgulho de ser brasileiro.
Mas, a julgar pelas campanhas eleitorais e seus resultados na maioria imensa dos municipios brasileiros -- e até nos âmbitos estadual e federal --, e enquanto houverem "novos ricos" achando que podem prometer construir restaurantes para proprietários de bares, caso apoiem seus candidatos, acabou-se, também, a esperança de que esse país, realmente, vá pra frente.
Na política, teóricamente, o primeiro apito do juiz é quando a Justiça Eleitoral registra as candidaturas, no inicio de julho do ano das eleições. Apenas teóricamente, como tudo em termos de eleições no Brasil, porque, na realidade, a "peleja" começa quando os candidatos se agrupam nos partidos, no final de setembro do ano anterior às eleições. Desde que houve a famosa emenda comprada de Fernando Henrique Cardoso à Constituição Brasileira permitindo a reeleição para os cargos Executivos, a "peleja" começa, na verdade, assim que os eleitos tomam posse.
Teremos eleições municipais, para o Executivo e o Legislativo, agora, em 2008. Faltam, apenas, 8 meses para que nós, os eletrouxas, enfrentemos sol ou chuva -- ou os dois -- nas filas de votação, para elegermos ou reelegermos os governantes e os legisladores municipais.
Aguentaremos, a partir de julho, os irritantes carros de som, os pentelhos dos cabos eleitorais empurrando-nos "santinhos" dos seus candidatos. Isto nas cidades de porte médio para cima, porque nas pequenas cidades, muita gente enfrenta até tiroteio nas ruas e emboscadas nas estradas. Veremos brigas de socos e pontapés entre os correligionários de uns e outros candidatos que, esperam, venham a ter suas vidas arrumadas com uma bom emprego fantasma se seu defendido tomar posse em 1º de janeiro do ano que vem.
Pior que isso, veremos eleitores vendendo, ou supostamente vendendo, seus votos por qualquer trocado que dê para pagar uma dose de cachaça nos bares das cidades e da zona rural, por uma compra em supermercado ou feira, por um blocos de tijolos ou cimentos para "bater" uma laje na sua casa, por um bojtijão de gás. E veremos eleitores iludidos com falsas promessas de grandes ou pequenas obras ou de empregos nas prefeituras. Conta-se um caso de um candidato numa cidadezinha mineira, há cerca de 40 anos, que prometeu em palanque a construção de uma ponte num bairro rural, durante um comicio. Ao ser advertido por um eleitor que assistia ao comício, que ali não havia rio por perto, não titubeou e prometeu que mandaria passar um rio por ali também.
Aqui, em Macarani, sudoeste da Bahia, fronteira com Minas Gerais, o candidato da oposição contará -- alias, já conta -- com o apoio total de um cidadão que daqui saiu mais pobre que o vocabulário do presidente Lula, e voltou com uma fortuna maior que a de Maluf nos paraisos fiscais. O sujeito chegou há cerca de ano e meio, comprou fazendas produtivas e improdutivas, terrenos na área urbana, e construiu uma mansão que, se quiser vender, não encontrará quem dê um terço do que gastou para construir. Tudo para humilhar, para mostrar poder econômico, por motivos que sómente se pode atribuir a quem ganhou dinheiro -- honestamente ou não -- mas não ganhou um pingo de cultura ao longo do tempo. Coisa de "novo rico" em grana e "eternamente pobre" de espirito. O cara já prometeu até constuir um restaurante para uma pobre senhora dona de um bar, evidentemente procurando ganhar seu voto e apoio para o seu candidato, sabendo que há mais de 30 anos, ela sempre apoiou e votou no atual prefeito, virtual candidato à reeleição. O diabo é que o cara, evidentemente, não gastará sua fortuna -- ou minima parte dela -- para ajudar na eleição do tal candidato, sem que esteja pretendendo grandes lucros futuros, porque pode ser um igonorantão, mas burro ou bobo não é, não.
Eu acho, sinceramente, que a população de Macarani não vai cair nessa, mas na maioria das cidades brasileiras há elementos tão perniciosos na politica -- ou por detrás de alguns politicos -- quanto o "novo rico" daqui, e o povo cairá, conscientemente ou não, nas suas lábias.
Há mais de 30 anos, fazia sucesso em todo o pais uma marchinha encomendada pelo governo militar, gravada pelos "Incriveis" (uma banda famosa na época), que tinha o refrão "esse é um pais que vai pra frente", mesma frase estampada em adesivos ostentados pela maioria dos carros.
Acabou-se o ufanismo do Brasil Grande do governo militar. Acabou-se o nacionalismo. Chego a dizer que acabou-se aquele orgulho de ser brasileiro.
Mas, a julgar pelas campanhas eleitorais e seus resultados na maioria imensa dos municipios brasileiros -- e até nos âmbitos estadual e federal --, e enquanto houverem "novos ricos" achando que podem prometer construir restaurantes para proprietários de bares, caso apoiem seus candidatos, acabou-se, também, a esperança de que esse país, realmente, vá pra frente.
domingo, 3 de fevereiro de 2008
MATILDE IGUALOU AS RAÇAS
Dona Matilde Ribeiro, agora já ex-Secretaria Especial de Politicas de Promoção da Igualdade Racial -- uma dessas Secretarias com status de Ministérios, sem nenhuma estrutura, criadas pelo governo Lula, ou seja, uma das enganações do governo PT -- mostrou que é boa mesmo de serviço. Tenho até pena de sua demissão, pois competente ela é. Ou melhor: foi.
Matilde foi pega no flagra usando o cartão de crédito corporativo do governo -- o cartão entregue a cada servidor de alto escalão para pequenas despesas imediatas de viagens e representação -- em compras particulares, como a festança com o dinheiro publico em free shops de aeroportos.
É o segundo escândalo (descoberto) de membros do primeiro escalão do governo do PT, ocorrido na administração Lula, desde 2003. O primeiro, agora já esquecido pelo grande público, foi o da Dona Benedita da Silva, que foi a Buenos Aires para um encontro de sua Igreja Evangélica, fingindo que estava a serviço do governo, num encontro com sua colega ministra de lá. Nossa ex-Ministra, simbolo da mulher pobre, preta e favelada que chegou quase ao topo do Poder, acabou pedindo demissão. Recentemente, soube que ocupava uma secretaria no Estado do Rio de Janeiro, tão discreta que ninguém mais ouviu falar dela. Acho que nem os cariocas.
Mas Matilde -- que também é negra, só não sei se pobre e ex-favelada -- , ao contrário de Benedita da Silva que somente trocou os pés pelas mãos enquanto esteve no governo Lula, demonstrou grande competência nas suas funções de Promotora das Igualdades Raciais.
Voces sabem aquele quadro do programa A Praça é Nossa, onde Carlos Alberto de Nóbrega conversa com a mulher cujo marido é podre de rico e ela gasta horrores em shoppings? Um imitação barata do antigo quadro da Cremilda, estrelado por Consuelo Leandro ainda na antiga Praça da Alegria, do pai de Carlos Alberto. Alias, a mulher que faz o quadro hoje, é a esposa de Carlos Alberto.
Pois bem, aquela mulher futil, rica e burra é loura.
A ex-Secretaria, com status de Ministra, Matilde Ribeiro igualou as raças: fêz a negra ser que nem a loira.
Matilde foi pega no flagra usando o cartão de crédito corporativo do governo -- o cartão entregue a cada servidor de alto escalão para pequenas despesas imediatas de viagens e representação -- em compras particulares, como a festança com o dinheiro publico em free shops de aeroportos.
É o segundo escândalo (descoberto) de membros do primeiro escalão do governo do PT, ocorrido na administração Lula, desde 2003. O primeiro, agora já esquecido pelo grande público, foi o da Dona Benedita da Silva, que foi a Buenos Aires para um encontro de sua Igreja Evangélica, fingindo que estava a serviço do governo, num encontro com sua colega ministra de lá. Nossa ex-Ministra, simbolo da mulher pobre, preta e favelada que chegou quase ao topo do Poder, acabou pedindo demissão. Recentemente, soube que ocupava uma secretaria no Estado do Rio de Janeiro, tão discreta que ninguém mais ouviu falar dela. Acho que nem os cariocas.
Mas Matilde -- que também é negra, só não sei se pobre e ex-favelada -- , ao contrário de Benedita da Silva que somente trocou os pés pelas mãos enquanto esteve no governo Lula, demonstrou grande competência nas suas funções de Promotora das Igualdades Raciais.
Voces sabem aquele quadro do programa A Praça é Nossa, onde Carlos Alberto de Nóbrega conversa com a mulher cujo marido é podre de rico e ela gasta horrores em shoppings? Um imitação barata do antigo quadro da Cremilda, estrelado por Consuelo Leandro ainda na antiga Praça da Alegria, do pai de Carlos Alberto. Alias, a mulher que faz o quadro hoje, é a esposa de Carlos Alberto.
Pois bem, aquela mulher futil, rica e burra é loura.
A ex-Secretaria, com status de Ministra, Matilde Ribeiro igualou as raças: fêz a negra ser que nem a loira.
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