sexta-feira, 7 de novembro de 2008

NEGRO? E DAÍ?

Página virada na História dos Estados Unidos da América: no ano divisor de 2008, um negro, pela primeira vez, foi eleito presidente da República da mais poderosa nação do mundo. Um marco, a prova final de que, depois de mais de 200 anos, o racismo norte-americano deu lugar à paz entre brancos, negros, amarelos e até "peles vermelhas". Martin Luther King se fêz, finalmente, ouvir nos corações e mentes da brava gente da representante maior do progresso econômico, do poderio militar, da democracia, dos direitos civis, dos........Quanta bobagem!!!!!
O pior depois de uma eleição que chama a atenção do país ou do mundo, é aguentar as análises dos "especialistas" que fazem filas nas portas das emissoras de televisão, para sentarem-se na bancada do Jornal Nacional ou Jornal da Globo, da Bandeirantes, da Record, ou para tomar água na caneca do Jô Soares.
Barack -- que para humilhação suprema de Bush, tem o sobrenome Hussein, e o venceu nas ultimas eleições norte-americanas -- Obama é negro, e daí?
Finalmente, o povo americano elege um negro para a Casa Branca? Ué, mas lá já não sentaram vários negros -- embora não na cadeira do presidente (pelo menos quando ele está na sala, né?) ---, mas como seus importantíssimos assessores? Dois exemplos recentíssimos: Colin Powell e Condolezza Rice, esta última vista no mandato que se encerra como a toda-poderosa da América, causando invejinha naquela estagiária que fêz de tudo (de tudo, mesmo) para aquele presidente democrata, sem conseguir nenhuma influência (só afluência), no Salão Oval.
Se, na década de 1960, Martin Luther King não tivesse feito aquele famoso discurso ("eu tenho um sonho...") apenas numa campanha pelos direitos civis dos negros, mas numa campanha para presidente dos Estados Unidos e tivesse sido eleito, aí sim, seria um espanto, motivo para comemorações durante outros 200 anos. Mas não, naquela época, era, realmente, impossivel que um negro chegasse ao topo do poder naquele país, por isso Luther King nem se atreveu a pleitear, ainda que como candidato isolado, a cadeira do Salão Oval.
Mas, agora? Agora que grande parte dos filmes norte-americanos, como "Independence Day", trazem heróis negros, ou mesmo o próprio presidente negro, como aquele filme em que um asteróide choca-se contra a terra, cujo nome não consigo recordar nesse momento? Agora, não tem nem graça a eleição de um presidente negro. Seria interessante a eleição de um presidente japonês, ou muculmano desses de usar turbante e virar-se para Meca no final da tarde.
E nem foi tanto assim, a eleição de Barack Obama. George W. Bush, o filho que deveria ter levado mais palmadas do papai Bush, para aprender a não ser mentiroso, hipócrita, arrogante e incompetente, quase vence a parada. Dos 50 estados norte-americanos, seu candidato, MacCain, venceu em 22, nas eleições populares realizadas na ultima terça-feira. Quase a metade!!! Se fosse um delegado por cada estado, a coisa estaria feia no Colégio Eleitoral para Obama, principalmente se o candidato republicano tomasse umas liçõezinhas com nosso Lula sobre como comprar votos de politicos. A sorte de Hussein Obama é que venceu nos estados com maior população, o que lhe garantiu um numero maior de delegados, já que estes são proporcionais à população de cada estado.
Obama venceu as eleições, claro, porque o povo votou nele. Mas o povo votou nele não porque ele é negro. Isso não pesou nem um tiquinho, nem contra nem a favor de Obama. O que pesou foi o fator econômico -- "é a economia, seu imbecil!", disse certa vez a Bill Clinton um assessor, para chamar a atenção do chefe e candidato ao que mais interessava ao povo americano, como, aliás, a todos os povos. Deu sorte em entrar numa eleição, num momento em que a economia americana, dado a incompetência e arrogância absoluta de Bush, está ameaçada de ir para um buraco feio, tão feio que puxará boa parte do mundo, inclusive o Brasil, e poderá durar muito, muito tempo suas nefastas consequências. Virou, num momento delicadissimo da economia, uma espécie de salvador da pátria, já que os republicanos, representados na figura de Bush, que tinha como sucessor MacCain, foram que jogaram lama no sonho americano da classe média.
Pouco importaria, portanto, se Obama fosse branco, como negro é. Pouco importa, mesmo, ser o mais jovem presidente desde John Kennedy, fator que, aliás, me parece lhe ter sido desfavorável, porque o eleitor que não é fanatico nem por democratas, nem por republicanos, acaba preferindo um candidato um pouco mais experiente de vida. Obama, talvez, se não tivesse apenas 47 anos, mas 60, conseguisse capturar boa parte desses votos que parecem ter ido para o candidato republicano.
É a economia, somente a economia, seus imbecis. Não importou, nessas eleições, nem mesmo o fato de Bush, e por consequencia os republicanos, serem vistos como mentirosos, torturadores de presos políticos, que mandaram milhares de jovens para morrer no Iraque e no Afeganistão. Importou a casa perdida para a hipoteca bancária, o desemprego, o medo de se ver dormindo e morando no proprio carro, se o banco também nao o tomar.
O resto é balela de "especialistas" de telejornais.