Há algumas semanas não se fala em outra coisa na política nacional. Surge a salvadora da pátria, Marina da Silva, ex-analfabeta (até os 16 anos, quando se alfebetizou graças ao Mobral do Governo Militar na década de 1970), ex-seringueira, ex-amicissima do defensor das florestas Chico Mendes, senadora eleita e reeleita pelo seu pequeno Estado, Ministra do Meio Ambiente no governo petista de Lula. Capa das maiores revistas nacionais, todas extremamente elogiosas em relação a nova candidata a presidência da República, agora já pelo PV – Partido Verde, pelo qual “trocou” recentemente o PT – Partido dos Trabalhadores, do qual fora uma das fundadoras no seu Estado.
Marina da Silva tem sido colocada como o “Tércius”, a terceira via na opção política nacional para suceder Lula, saindo da polarização que esperava-se para 2010 entre Dilma Rouseff, suposta candidata do atual Presidente, e José Serra (ou Aécio Neves), como representantes da oposição, pelo PSDB, o único partido que teria condições de bancar uma candidatura à Presidência da República, já que o PMDB optou há anos por permanecer nas abas do poder, colhendo os bônus quase sem qualquer ônus.
Li entrevistas recentes de Marina da Silva. Vi na televisão, semana passada, o programa eleitoral gratuito do PV, onde só se falou em Marina da Silva. Antes disso, li declarações dos lideres petistas, inclusive de Lula, sobre Marina da Silva.
De tudo que li, vi e ouvi até agora sobre Marina da Silva, estou cada vez mais convencido de que Marina da Silva é mais um estelionato eleitoral de Lula e do PT sobre a parcela dos eletrouxas brasileiros. Um golpe que credito mais ao próprio Lula do que ao PT, diga-se.
Ao deixar o PT para transferir-se para o PV, ainda no cargo de Senadora pelo primeiro, Marina da Silva haveria, naturalmente, de perder sua cadeira no Senado. Bastaria que o PT reivindicasse o mandato, que tantos outros partidos reivindicaram quando deputados trocaram de sigla nos dois últimos anos.Mas, candidamente, o presidente do PT declarou que o partido não o faria, porque “Marina é uma pessoa ética”. O PT deixa de reivindicar uma cadeira no senado, porque sua ocupante, de outro partido agora, é ética. O PT se comove com Marina da Silva e a deixa continuar Senadora, porque ele é ética. E tem gente que acreditou!!!!!!!!!!!!!
O plano é o seguinte, vamos ser claros e deixar a hipocrisia de lado: Dilma Roussef se estrumbicou. Lula sabia disso há algum tempo, e passou a ter certeza que ela não sai da pista por mais que corra, desde que o vento de través da mentirada da Senhora Dilma em relação ao encontro com a ex-Secretaria da Receita Federal pegou em cheio seu aviãozinho. Os planos do PT de perpetuar-se no Poder através de José Dirceu afundaram com o mensalão. A hipótese Antônio Pallocci também não vinga, mesmo com o Supremo Tribunal Federal tendo recusado a denuncia por crime de violação do sigilo bancário daquele caseiro, porque, se por um lado, o STF estava certo em recusar uma denuncia sem a minima evidência séria de que o então ministro tenha determinado a violação -- o presidente da Caixa Econômica apenas declarou que entregou os dados ao ministro e não que ele mandou fazer a bisbilhotagem -- , o certo é que a população não acredita na inocência de Pallocci. Lula, então, resolveu lançar mão de Dilma Roussef, há cerca de dois anos, mais ou menos, pré-candidatura que também faz mais água que os poços artesianos do Ministro Geddel Vieira Lima no Nordeste. Dilma é antipática, não tem qualquer empatia com o povo e o apelido de "mãe do PAC" não emocionou o populacho, mesmo porque esse populacho sequer sabe o que é o tal PAC. Mas os planos de Lula não eram propriamente perpetuar o PT no Poder, mas ele mesmo perpetuar-se, fosse pessoalmente, fosse através de gente da sua confiança, seja com PT ou sem PT. Com o PT no fundo do Gangis, Lula salta do barco, disfarçadamente, e lança Marina da Silva, enfronhando-a no PV que, óbvio, a aceita de braços abertos.
Dilma, galinha velha e dura, continuará a ser cozida em fogo brando, para que não surja um aventureiro dentro do proprio PT, que se ache com capacidade de chegar ao Planalto. Retirar-se-á da mesa de jogo próximo às eleições, ou será mantida nela, pouco importa, para fazer número. Lula continuará a sorrir para Marina da Silva e, se Dilma sair da mesa, o PT certamente a apoiará, desde que o vice seja um petista, lógico. O PMDB, com Geddel candidato ao governo da Bahia contra o atual governador Jaques Wagner, do PT, este abandonado por Lula a favor do seu Ministro ao qual tem apoiado com palavras e verbas adoidadas (Geddel tem liberado verbas do Ministério na média de mais de 2 milhões de reais por município baiano, sobretudo aos pequenos, conquistando prefeitos e lideranças politicas no Sul, Sudoeste e sertão da Bahia), apoiará a candidata de Lula, agora já Marina da Silva, disfaçada ou não.
Marina da Silva, se elegendo, não conseguirá governar com o PV, óbvio. Precisará do PMDB e do PT. O PT é Lula, porque sem Lula não existe o PT. O PMDB vai onde Lula for, desde que Lula tenha, realmente, o poder de fato.
Ou seja, Lula está a poucos passos de conseguir sua reeleição.
domingo, 13 de setembro de 2009
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