segunda-feira, 27 de outubro de 2008

D. PEDRO I TINHA RAZÃO, SIM.

D. Pedro estava certo?
“Não como paralelos!” Paralelos, aqui no Nordeste – pelo menos na Bahia – são aquelas pedras usadas para calçamento de ruas, que aí no Sudeste conhecemos como paralelepípedos. “Não voto nele, porque a prefeitura nunca comprou nada na minha loja”. A primeira frase, ouvi de uma senhora moradora de uma casinha num bairro pobre aqui de Macarani, durante a inauguração do calçamento e infra-estrutura de nada menos do que mais de duas dezenas de ruas no bairro, em 4 meses de intenso trabalho. Antes, aquela senhora, lavadeira de profissão, carregava na cabeça as trouxas de roupas que ia buscar e levar nas casas de suas freguesas, enfrentando barro durante a época de chuvas, poeirão durante a seca e, numa ou noutra época, uma buraqueira danada. Enfrentava, também, esgoto correndo a céu aberto. Á partir daquele dia da inauguração do calçamento da sua rua e de todas as outras que lhe davam acesso, as freguesas passaram a trazer as trouxas de roupas até sua casa, porque seus carros podiam entrar na rua, aumentou o numero de clientes e não precisava lavar a mesma roupa duas ou três vezes, por causa da poeira que antigamente as sujava quando estavam secando ao ar livre. Sua casinha, que ganhara meses antes, de graça, de um programa social habitacional da prefeitura, com escritura e tudo, valorizou-se. Mas, naquele dia da inauguração, ela pediu dinheiro para um assessor do prefeito, o assessor negou dizendo-lhe que ela estava recebendo um grande benefício com aquela obra. Foi quando ela lhe respondeu que “não comia paralelos”.
A segunda frase, ouvi de um comerciante de materiais de construção. Esqueceu-se que, graças ao trabalho da prefeitura, certamente o movimento de venda de materiais de construção em sua loja triplicou ou quadruplicou, porque a cidade progrediu estupidamente durante o mandato do atual prefeito, chegando, mesmo, a serem aprovados nada menos do que 4 novos loteamentos particulares, com centenas de lotes cada um, nos quais as pessoas construiram suas casa. Mas, como a prefeitura não comprou nada na sua loja, ele “não votava no prefeito”, candidato a reeleição.
Esses são, apenas, dois exemplos de coisas que vi e ouvi no período eleitoral desse ano em Macarani. Gente que dizia que votaria no candidato do Lula, muito embora Lula nem saiba onde fica Macarani, e o único Ministro de Estado do Governo Lula que já esteve aqui, Geddel Vieira Lima, seja ligado ao atual prefeito e não ao candidato da oposição, aliás, um fazendeiro que somente se filiou ao PT por conveniência. Antes era do (acreditem se quiserem) PFL !!!! Pior, com o indeferimento do registro da sua candidatura pela Justiça Eleitoral, acabaram elegendo um cara do PTB, porque o número 13 não poderia ser mudado nas urnas a 48 horas das eleições, e propaganda eleitoral do PT não tem nada, nada, além da lavagem cerebral preconizada pelos Nazistas: “é13 é13 é13 é13 é13 é13 é13 é13 é13 é13 é13 é13 é13 é13 é13 é13 é13 é13 é13 é13 é13 é13 é13 é13 é13 é13 é13 é13 é13 é13 é13 é13 é13 é13 é13 é13 é13 é13 é13 é13 é13 é13 é13 é13 é13 é13 é13 é13 é13étrezeneles!!!!!!!!!!!!!!!!!”. Coisa típica para convencer pobre ignorante. Duas semanas depois das eleições, ainda encontro muita gente humilde dos bairros pobres vestindo, com um orgulho besta, a camisa vermelha do PT que foi distribuída aos montões no dia das eleições, e olha para os adeptos do candidato com a arrogância do "eu ganhei", quando, na verdade, não ganhou nada: continua e continuará empurrando sua "galinhota" (aquele carrinho de mão, usado para transportar materiais de construção ou, como aqui, compras feitas pelas madames na feira livre de sábado, que no sudeste chamam de piruzinho) pelo próximos 4, 8 ou para sempre anos, enquanto continuarão a zombar de "perdedores" que passarão por eles em seus automóveis.
Tá certo, teria corrido também muita grana, coisa de um milhão de reais, somente no dia das eleições, em notas de 50, segundo comenta-se. Tem gente que até confessa na porta de botequim haver recebido os tais cinquentinha para votar no 13. Bom, para um Partido que já deu muito mais pra deputado votar em projetos do governo, nada demais. E acabaram elegendo um sujeito do PTB!!!!! E ainda comemoram a "vitória do 13"!!!!! Tem que venerar o bolsa-familia, mesmo, senão morria de fome, por incompetência.
Como já escrevi nesse site, dois meses antes das eleições, se não fosse D. João VI ter fugido para o Brasil e aqui resolvido criar um novo Reino, tornando Portugal sede do tal Reino Unido de Portugal e Algarves apenas no papel. Se não fosse D.Pedro, ainda príncipe, ter resolvido ficar no Brasil e acabar proclamando sua independência, talvez não fossemos o país que somos hoje, grande e unido. Poderíamos não passar de várias Bolívias. Mas o povo um dia, levado por malandros da política, resolveu revoltar-se contra D. Pedro I, já Imperador. Nesse dia, muito aborrecido, D. Pedro I teria dito que “tudo faria para o povo; nada, porém, pelo povo”. Ou seja, cumpriria seu dever, sua obrigação legal, nada mais que isso, porque o povo não mereceria sua dedicação. Depois de tudo fazer pelos “trabalhadores do Brasil”, Getulio Vargas foi abandonado à própria sorte por aqueles trabalhadores, que compravam às pencas o jornal de seu inimigo Carlos Lacerda, com calunias e difamações contra o presidente, e armou-lhe uma arapuca que o levou ao suicídio. Depois de, apesar dos pesares, desenvolver o pais 50 anos em 5, Juscelino Kubscheck não recebeu o apoio de ninguém do povo, quando foi cassado e banido pelos militares.
Acho que D. Pedro I estava certo.

The dream is ending

Segundo os institutos de pesquisas, a aprovação pessoal do presidente Luiz Ignácio Lula da Silva passa da casa dos 72% em todo o país. Índice igual – na verdade, superior – somente foi atingido por José Sarney, mesmo assim nos curtos meses de sucesso aparente do Plano Cruzado. A aprovação de Lula também é fictícia. Está centrada na estabilidade da economia, algo tão ilusório no mundo de hoje como o Plano Cruzado de Sarney. Está centrada, também, numa grande mentira, tal como o Plano Cruzado o foi. A mentira de Lula está em trazer para si a responsabilidade pela estabilidade econômica que vigorou até semanas atrás. A mentira de Sarney estava na ilusão de que o Plano Cruzado, que atacava apenas a economia privada, seria suficiente para conter a escalada inflacionária.
A grande diferença entre os dois casos de altíssima popularidade pessoal, é que, há vinte e dois anos, aquela popularidade conseguida por Sarney e seu Plano Cruzado levou o país a votar em peso nos candidatos do PMDB – praticamente o verdadeiro partido do presidente – elegendo a quase totalidade dos governadores (o partido perdeu em, apenas, um estado) e uma bancada no Congresso Nacional que quase fazia do partido o dominante absolutissimo em ambas as Casas Legislativas da União. Já a popularidade do presidente Lula não conseguiu sequer levar o PT, nas ultimas eleições, a conquistar capitais de real peso nacional, nem cidades de grande expressão. Á exceção de Vitória, no Espírito Santo, o PT logrou sucesso com candidatos próprios em Recife, Fortaleza, Palmas, Rio Branco e Porto Velho, todas nordestinas. Perdeu ou teve que se aliar a outro partido, sem ser o cabeça de chapa, em cidades que deveriam ser seus redutos, como Campinas e Santo André. Ganhou em São Bernardo, base do presidente, Mauá, Petrópolis, Jinville, Canoas, Anápolis, dentre inúmeras outras, mas a extrema maioria de peso político e/ou econômico perto do zero. No importante Vale do Paraíba, nada.
O desalento com o desempenho do PT pode ser visto na entrevista dada por Lula ontem, logo após votar em São Bernardo, quando disse que eleições municipais nada têm a ver com eleições presidenciais. Ele sabe que têm, e muito. Vale a pena, também, rever a entrevista da arrogante Marta Suplicy após a derrota em São Paulo, na qual convoca os eleitores paulistanos a “fiscalizarem” a administração de Gilberto Kassab, ato típico de perdedor arrogante.
O PT está sendo empurrado para os grotões, como foi o PDS há 30 anos. Ganhará onde e enquanto houver um bolsa-familia não corroído pela inflação. E Henrique Meirelles, do Banco Central, afirmou no ultimo dia 24, em Miami, que a “crise é séria” e, portanto, devemos deixar de “fazer piadas”. Piadas, como a de Lula que insiste em dizer que o vendaval lá de fora não passará de um ventinho aqui dentro.
A atividade econômica no Brasil caiu e caiu feio. Basta ver os índices da construção civil, melhor termômetro da economia, num país com extrema carência habitacional.
O sonho de Lula e José Dirceu de perpetuarem-se no Poder através do Partido dos Trabalhadores está acabando.
Por incrível que pareça, no finalzinho de seu mandato, começo a gostar do tal George W. Busch. Sua incompetência e arrogância, que levaram os Estados Unidos à situação lamentável em que se encontram, talvez tenha faça um bem enorme ao Brasil no futuro próximo.