Antes que aquele Bispo ou o Papa também me excomungue, quero declarar que sou católico apostólico romano e, mesmo se não o fosse, teria o maior respeito para com as instituições da Santa Madre Igreja Católica, como tenho pelas instituições das Igrejas Protestantes em geral e até pelas instituições do Candomblé, apesar, nesses dois casos, dos bispos macedos da vida e de alguns “pais-de-santo” pilantras. A Igreja Católica, pois, merece o devido respeito de todos nós, mesmo tendo sido a responsável pelos horrores da Inquisição ou pela nefasta proteção aos casos de abusos sexuais que vieram a publico nos últimos anos.
Esse respeito, contudo, não me impede de manifestar meu verdadeiro horror – parece exagero, mas é isso mesmo, horror – com a atitude de um Bispo nordestino, que excomungou a mãe de uma menina de 9 anos, grávida em virtude de um estupro cometido pelo próprio padrasto, e também médicos que realizaram o aborto, autorizado pela Justiça, naquela criança, para evitar até mesmo a sua morte, porque a gravidez, além de tudo, era de alto risco.
Pra ser bem sincero, apesar da meu catolicismo apostolistico romanistico, se fosse eu o excomungado por aquele Bispo estaria pouco me lixando. Primeiro, porque a excomunhão, na pratica, não leva a absolutamente nada: se impede o recebimento dos chamados sacramentos, como o batismo, o casamento, a crisma, a comunhão –impede também a confissão? Padre pergunta para o confesso se ele esta no pleno gozo de seus direitos católicos, quando toma-lhe a confissão? – tais sacramentos, na vida cotidiana da maioria dos cidadãos, estão perdendo cada vez mais a, digamos, “usualidade”. Pouco se casa na Igreja católica ou casa-se muito menos que no passado, mesmo porque o preço de um casamento esta ela hora da morte, e, por falar em morte, acho que o da extrema-unção também.
Então, o Bispo excomungou? E daí?
Daí, nada. Mas o problema é que a excomunhão veio em cima de gente extremamente humilde, pobre, inculta, justamente a classe social que mais importância dá a esse tipo de coisa, ainda mais no Nordeste brasileiro, onde a religiosidade é uma característica fortíssima do povo.
E, pior, veio por puro preconceito, ou seja, o conceito pré-concebido de que a vida humana somente a Deus compete dar ou tirar, pouco importando como é, está sendo, ou venha a ser essa vida. Não se admite a eutanásia, porque o sujeito tem que morrer aos poucos, como o máximo e dane-se seu sofrimento irreversível. Não se admite o aborto, porque a vida é uma criação Divina, pouco importando se aquele feto tem condições reais de vida digna – como a dos Bispos, por exemplo – ou se será um Ser vegetativo, e que dane-se se a mãe vai morrer durante o parto.
Não sei se é verdade,mas parece-me que, modernamente, até as Testemunhas de Jeová passaram a admitir, em casos de risco de vida, as transfusões de sangue, que não permitiam no passado.
Se as Instancias Superiores a esse Bispo não reverterem a tal excomunhão, o horror estará instalado em meio aos católicos, como na época da Inquisição.
Nada é mais importante que a vida, mas a vida de quem já a está vivendo.
quarta-feira, 11 de março de 2009
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