domingo, 4 de outubro de 2009

PRÁ FRENTE BRASIL !!!!

Na época das ditaduras explicitas na América do Sul – década de 1950 a fins da década de 1970 – a Argentina do General Jorge Rafael Videla fez de tudo para sediar a Copa do Mundo de 1978, e conseguiu. Mais que sediar a Copa daquele ano, fez e aconteceu para ser a campeã do Mundo, e conseguiu, mesmo tendo que dar uma graninha, um afago, aos jogadores do Peru, se não me engano.
O Brasil, no entanto, que sediara sua ultima Copa do Mundo em 1950, em plena democracia, e perdeu aquela partida histórica e de triste memória em pleno Maracanã, não trouxe para cá de volta a Copa, nem da década de 1960, nem da de 1970, auge da ditadura militar explicita brasileira. E o Brasil, no final da primeira, inicio da segunda, era um dos paises que mais se desenvolvia no Mundo, e registravam as grandes, médias e pequenas cidades brasileiras do Sul e do Sudeste, praticamente, o pleno emprego. O Nordeste era sustentado por estas duas regiões, através dos subsídios e frentes de trabalho criados ou mantidos pelos governos dos militares – Castello Branco, Costa e Silva, Médice e Geisel, posto que aqui já não se considera o período Figueiredo. Para cá não se fez qualquer esforço para que sediasssemos a Copa de 1974, nem a de 1978, nem a de 1982, embora, principalmente nas épocas daquelas duas primeiras, o governo estivesse fazendo enormes investimentos em infra-estrutura, sobretudo de transportes e de energia, e a segurança publica era muito mais real que agora, se não contássemos o terrorismo interno de esquerda e o contra-terrorismo de direita. Não houveram campanhas nem por Copas, nem por Olimpíadas.
O Brasil de 2009 é, realmente, muito diferente do Brasil de 1979, para ficarmos apenas nos 30 ultimos anos. A inflação – desvalorização constante da moeda com alta constante dos preços em geral, também chamada popularmente “carestia”, para quem nunca a conheceu ou tem memória curta – baixou dos cerca de 50% mensais, naquela época, para menos de 1% na atualidade, segundo, claro, os dados oficiais. O Brasil, no entanto, acaba de passar por uma leve recessão, que agravou estupidamente o desemprego formal e informal. Segundo o DIEESE – Departamento Intersindical de Estudos Sócio-Econômicos, o desemprego no ultimo mês retroagiu, ficando na casa dos 14.16%, o que quer dizer que já esteve bem mais alto. É a maior taxa desde 1990. Somente na Argentina, recentemente, para citarmos um grande pais da América do Sul, o desemprego bateu casas tão altas. A segurança publica chega ao caos, tanto em São Paulo (Sudeste), como na Bahia (Nordeste) ou.......no Rio de Janeiro.
Rio de Janeiro......A cidade maravilhosa será uma das sedes, daqui a 6 anos, da Copa do Mundo. Foi sede dos Jogos Panamericanos há dois. Como disse Juca Kfouri, no seu site da UOL, semana passada, ao comentar a “vitória” do Rio de Janeiro como sede das Olimpíadas de 2016 – a vitória da ficção, segundo Juca – prometeu-se para o Panamericano de 2006 a extensão do metrô até a Barra da Tijuca, e corredores exclusivos para ônibus, com vistas a melhoria do transporte publico. Nada disso foi feito. Agora, promete-se de novo para as Olimpíadas de 2016 e, provavelmente, nada será feito.
A população do Rio de Janeiro continua com transporte publico e privado caótico, caos que é uma maravilha para a bandidagem que assalta nos túneis e linhas vermelhas e amarelas da vida, os grã-finos dos sedãs modelos 2010, e os grã-grossos que apinhocam-se nos 174 Grajaú-Copacabana, e não há vislumbre de solução para o problema.
Lula chorou diante do Comitê Olímpico – literal e figurativamente. Figurativamente, quando lhe implorou a decisão a favor do Rio; literal, quando derramou-se, junto com Pelé – que não chorou a morte da filha que desprezou e jamais quis reconhecer, mas chora por qualquer gol – em prantos ao ser anunciado o resultado.
O choro de Lula e Pelé já custou aos brasileiros cerca de R$ 100 milhões de reais, somente para promover o Rio de Janeiro junto ao Comitê Olímpico Internacional. Custará outros R$ 26 blhões de reais, em obras para os poucos dias em que durará o campeonato. Divididos esses R$ 26 blhões por R$ 50 mil reais, temos que poderiam ser construídas mais de duas boas casas para cada brasileiro nos próximos 7 anos, mesmo prazo dos investimentos para as Olimpíadas. Ou seja, cada brasileiro, mesmo os hoje ainda bebês, teriam, finalmente, “onde caírem mortos”, se preservassem o patrimônio, e uma renda vitalícia em alugueres – claro, se tivessem para quem alugar a outra casa, já que talvez não houvesse inquilinos.
A grande imprensa, sobretudo as grandes redes de televisão comemoram os R$ 26 bilhões que serão gastos na infra-estrutura para uma semana de festa. Afinal, business is business, e a grana que faturarão com a transmissão do evento para o mundo inteiro não cabe no meu porquinho de louça.Agora, para os críticos dessa palhaçada, que nem eu, talvez o Governo Lula recrie o slogam “Ame-o ou deixe-o” do Governo Militar de Médice. Só que não em relação ao Brasil, mas em relação a Lula e sua troupe, um recado que, aliás, o Chefe vive mandando a todos nós cada vez que sobe em palanques para inaugurar bicas d’água a favor de Dilma Roussef ou quem venha a ser sua candidata ao cetro.