Em cronica que publiquei ontem, comentei sobre a declaração do Ministro Carlos Ayres Brito, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, de que o TSE iria divulgar a "ficha" criminal dos candidatos às eleições deste ano, ou seja, de que divulgaria ao eleitorado quais candidatos estariam sendo processados criminalmente por qualquer motivo, mesmo que ainda não houvesse uma sentença condenatória contra o sujeito. Comentei, também, sobre o escabroso caso do Tenente do Exército e seus soldados, que entregaram para execução a traficantes de um morro do Rio de Janeiro, 3 jovens apreendidos por eles no fim de semana. Quem quiser ler ou reler, a cronica esta logo abaixo desta.
Pois bem, registro que:
1) O Exmo. Sr. Presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Ministro Carlos Ayres Brito, segundo publicado no site do Uol Noticias de hoje, disse que não disse o que disse e que realmente disse, ou seja, voltou atrás para "esclarecer", durante uma solenidade na AMB - Associação dos Magistrados Brasileiros, que o Tribunal não vai divulgar as supostas "fichas sujas" dos candidatos, mas que, apenas, esta tentando um meio de disponibilizar aos eleitores as certidões criminais que os proprios candidatos apresentarem juntamente com a documentação de registro de suas candidaturas perante a Justiça Eleitoral, para que o eleitor que quiser saber se seus candidatos têm ou não processo na Justiça, não precise ir de cartório em cartório eleitoral para ter acesso a essa documentação. Prefiriria nem comentar essa nova declaração do Sr. Ministro, mas, sinceramente, talvez fosse melhor ele ter dito que falara uma grossa bobagem, pedir desculpas pela vergonha que passou, ao invés de vir agora com essa lorota do tipo "voces não entenderam bem o que eu quiz dizer".
2) Os jovens de 24, 19 e 17 anos que foram entregues pelo tal tenente do Exército e seus asseclas -- perdão, soldados -- a bandidos de uma facção criminosa de uma favela do Rio de Janeiro, para serem torturados e assassinados, foram detidos pelos monstros que usavam a farda verde-oliva apenas porque os teriam desacatado. Segundo apurou-se, ao retornarem de um baile funk na favela onde moravam, foram parados e revistados pelo tenenteco e seus soldadecos, como todo preto e/ou pobre nesse pais (as putas não o são mais, porque agora trabalham para gente grauda de Brasilia), sob a suspeita de que um dos jovens estaria portando uma arma por debaixo da camisa. Não era uma arma, era um telefone celular. Diante do fiasco, a thurma que acompanhava os jovens partiram para a gozação em cima do tenenteco, que acabou prendendo os jovens por "disacato a otoridadi". Levados para o Quartel, o superior do Tenenteco, um homem decente ( o superior, não o tenenteco), liberou os jovens. O tenenteco não gostou, pegou sua quadrilha, catou os rapazes e os entregou nas mãos de traficantes do Comando Vermelho, facção criminosa rival da facção que domina o morro onde vivem -- quero dizer, viviam -- os rapazes, certamente, lhes dizendo que eles seriam bandidos daquela outra facção. Os rapazes terminaram torturados e mortos. Ou seja, apenas para registrar: entregaram os jovens para serem executados porque o tenenteco e seus soldadecos não suportaram a gozação da tchurma. E porque, afinal de contas, o Exército, a Policia ou o Ministerio PUblico não divulgam os nomes e as fotos desses safados? Porque o Datena não manda um reporter dele filma-los na Delegacia?
quarta-feira, 18 de junho de 2008
terça-feira, 17 de junho de 2008
DATENAS DE TOGA E FARDA
São dois fatos diversos, de origem e fundamentos totalmente diferentes, mas que encerram, no seu conjunto, como o Brasil tem descambado para a ilegalidade e a inconstitucionalidade, através de atos de pessoas que, por suas condições de guardiãs da lei e da ordem, deveriam pensar melhor seus atos e palavras. Ambos os fatos se deram com intervalos de dias, e poderiam ser juntados a inumeros outros que vemos serem divulgados sobretudo os ultimos meses, para não falar daqueles que desconhecemos porque não têm divulgação, ou têm divulgação pívia.
No caso presente, refiro-me ao escabroso caso do Tenente do Exército Nacional e seus soldados que, descontentes com um ato de seu superior hierarquico que resolveu liberar 4 jovens por eles apreendidos numa favela do Rio de Janeiro, voltaram a prender tais jovens e os entregaram para execução sumária por bandidos de uma das facções criminosas que controlam aqueles morros, graças à incompetência ou má-fé das autoridades federais e estaduais. O mais velho dos rapazes tinha 24 anos e o mais jovem, um adolescente de 17 anos. Refiro-me, também, a estranhissima declaração do Exmo. Sr. presidente do Tribunal Superior Eleitoral, de que aquele Tribunal divulgará na imprensa falada, televisada, escrita e em sitios da Internet, a suposta "ficha" criminal dos candidatos às proximas eleições, ou seja, divulgará que este ou aquele candidato a prefeito, vice-prefeito ou vereador estaria sendo processado por improbidade administrativa, ou teriam contra si ações civis ou penais publicas, ou seja la por qual fato estiverem sendo processados.
A atitude do tal Tenentezinho e seus soldadecos mereceria, se possivel fosse dentro do espirito humanitário, que fossem também entregues a bandidos para verem o que é bom pra tosse. Mas nossa formação não permite o "olho por olho, dente por dente". Se estivessemos numa dessas comunidades ciganas, os parentes daqueles rapazes não sairiam a caça do Tenente e seus soldados para também mata-los, como eles, indiretamente mas eficazmente, mataram seus filhos e parentes, mas sairiam a caça dos filhos e parentes daqueles militares que desonram sua farda, seu pais, e causam-nos nojo, para tortura-los e mata-los, como aqueles garotos foram torturados e mortos. Essa a lei cigana, ou de uma parcela da comunidade cigana: se voce mata um parente meu, eu mato algum dos seus parentes, para que voce sinta a mesma dor. E que não se diga, ou não digam, que os rapazes eram bandidos, traficantes, sei lá o que. Não interessa, mesmo porque o Tenente e os soldados são tão ou mais bandidos do que eles, se é que eles o eram.
O governador Sérgio Cabral chamou os militares de bandidos. Grande coisa!! Não disse nada demais. Aliás, tem sido comum autoridades incompetentes virem à imprensa para fazerem declarações imbecis, previsiveis e hipócritas, para tentar livrar o seu da reta. O presidente Lula mandou ao Rio de Janeiro o Ministro da Defesa, Nelson Jobim, para acompanhar as investigações. Outra balela. Se o Ministro "ministrasse" como é de seu dever, se tivesse um pinguinho que fosse de autoridade sobre seus supostos comandados, talvez o fato não tivesse ocorrido, talvez essa canalha de tenentezinho e soldadecos não estivesse envergando a farda do Exército Nacional. Todos -- governador, presidente e ministro -- está fazendo politicagem em cima de um fato gravissimo, em cima da dor das familias e de toda uma comunidade, que não tem mais segurança, nem mesmo diante de homens do Exército, nos quais confiavam.
O segundo caso, menos escabroso apenas porque não encerra a barbaridade ocorrida com aqueles jovens, mas não menos preocupante, é a declaração do Presidente do TSE de divulgar os processos que respondem candidatos a prefeito, vice e vereador nessas eleições.
No minimo, uma afronta à Constituição Federal e até mesmo a lei federal que proibe, mesmo nas certidões expedidas pelo Judiciário ou pela Policia Civil, que constem contra o cidadão os processos pelos quais ainda não foi definitivamente condenado por quem de direito, um juiz ou um tribunal.
É inadmissivel que um membro do Judiciário anuncie que se vai desrespeitar a Constituição Federal e uma Lei, para bem informar (????) ao eleitor, para que o eleitor saiba em quem está votando, conheça o passado do candidato. Não precisa, Senhor Ministro do TSE: os candidatos rivais cuidarão disso nos palanques, expondo a vida pregressa, verdadeira ou falsa, dos seus concorrentes, pode ficar tranquilo. Lembro-me muito bem de uma campanha eleitoral para o governo de Minas Gerais, onde um dos candidatos dizia em palanque que seu concorrente era homossexual (como se isso fosse um crime), enquanto este respondia, no seu proprio palanque, que aquele era estuprador. Palhaçadas de parte a parte. Alias, naquelas eleições, ganhou o suposto estuprador que, alias, jamais foi processado por qualquer crime parecido, muito menos condenado. Tempos depois, o outro também conseguiu ser eleito para o mesmo cargo e, por sorte, um dia veio a ocupar a presidencia da República. Sua fama era a de mulherengo.
Não dá para admitir que quem a Constituição considera inocente até sentença condenatória irrecorrivel, venha a ser achincalhado por um órgão do Judiciário, seja ele eleitoral ou não, porque um de seus membros -- ou todos, ou a maioria, não interessa -- acha que pode ser o dono e senhor da vontade do Povo. Alias, talvez até seja bom, muito bom, que se divulgue. Quem sabe o povo vota em peso no tal candidato com suposta "ficha suja" e desmoralize, definitivamente, os supostos senhores da moral. Aconteceu com Paulo Maluf, em São Paulo -- processado, chamado de ladrão, preso sob os holofotes da Globo -- e poderá acontecer com diversos outros.
Se o TSE seguir o pensamento de seu presidente, corre o risco de ser desmoralizado pelo voto popular. É bom pensar nisso, senhor Ministro.
O que me aborrece é que, de repente, todo mundo quer ser um Datena da vida. Para quem não sabe, e eu duvido que exista alguém que não saiba, José Luiz Datena é aquele apresentador de programas policialescos na televisão, que julga os supostos bandidos que mostra em seu programa, durante ações policiais filmadas, e mostra-se como um moralista implacável, quando, na verdade, tudo aquilo é feito com o unico intuito de ganhar dinheiro, conseguindo audiência para aumentar o valor do pacote comercial e do merchandising transmitidos durante o programa. Uma nojeira. Como Datena tem vários outros, na televisão e no rádio.
Agora, no Judiciário e no Exército Nacional.
Que pena.
No caso presente, refiro-me ao escabroso caso do Tenente do Exército Nacional e seus soldados que, descontentes com um ato de seu superior hierarquico que resolveu liberar 4 jovens por eles apreendidos numa favela do Rio de Janeiro, voltaram a prender tais jovens e os entregaram para execução sumária por bandidos de uma das facções criminosas que controlam aqueles morros, graças à incompetência ou má-fé das autoridades federais e estaduais. O mais velho dos rapazes tinha 24 anos e o mais jovem, um adolescente de 17 anos. Refiro-me, também, a estranhissima declaração do Exmo. Sr. presidente do Tribunal Superior Eleitoral, de que aquele Tribunal divulgará na imprensa falada, televisada, escrita e em sitios da Internet, a suposta "ficha" criminal dos candidatos às proximas eleições, ou seja, divulgará que este ou aquele candidato a prefeito, vice-prefeito ou vereador estaria sendo processado por improbidade administrativa, ou teriam contra si ações civis ou penais publicas, ou seja la por qual fato estiverem sendo processados.
A atitude do tal Tenentezinho e seus soldadecos mereceria, se possivel fosse dentro do espirito humanitário, que fossem também entregues a bandidos para verem o que é bom pra tosse. Mas nossa formação não permite o "olho por olho, dente por dente". Se estivessemos numa dessas comunidades ciganas, os parentes daqueles rapazes não sairiam a caça do Tenente e seus soldados para também mata-los, como eles, indiretamente mas eficazmente, mataram seus filhos e parentes, mas sairiam a caça dos filhos e parentes daqueles militares que desonram sua farda, seu pais, e causam-nos nojo, para tortura-los e mata-los, como aqueles garotos foram torturados e mortos. Essa a lei cigana, ou de uma parcela da comunidade cigana: se voce mata um parente meu, eu mato algum dos seus parentes, para que voce sinta a mesma dor. E que não se diga, ou não digam, que os rapazes eram bandidos, traficantes, sei lá o que. Não interessa, mesmo porque o Tenente e os soldados são tão ou mais bandidos do que eles, se é que eles o eram.
O governador Sérgio Cabral chamou os militares de bandidos. Grande coisa!! Não disse nada demais. Aliás, tem sido comum autoridades incompetentes virem à imprensa para fazerem declarações imbecis, previsiveis e hipócritas, para tentar livrar o seu da reta. O presidente Lula mandou ao Rio de Janeiro o Ministro da Defesa, Nelson Jobim, para acompanhar as investigações. Outra balela. Se o Ministro "ministrasse" como é de seu dever, se tivesse um pinguinho que fosse de autoridade sobre seus supostos comandados, talvez o fato não tivesse ocorrido, talvez essa canalha de tenentezinho e soldadecos não estivesse envergando a farda do Exército Nacional. Todos -- governador, presidente e ministro -- está fazendo politicagem em cima de um fato gravissimo, em cima da dor das familias e de toda uma comunidade, que não tem mais segurança, nem mesmo diante de homens do Exército, nos quais confiavam.
O segundo caso, menos escabroso apenas porque não encerra a barbaridade ocorrida com aqueles jovens, mas não menos preocupante, é a declaração do Presidente do TSE de divulgar os processos que respondem candidatos a prefeito, vice e vereador nessas eleições.
No minimo, uma afronta à Constituição Federal e até mesmo a lei federal que proibe, mesmo nas certidões expedidas pelo Judiciário ou pela Policia Civil, que constem contra o cidadão os processos pelos quais ainda não foi definitivamente condenado por quem de direito, um juiz ou um tribunal.
É inadmissivel que um membro do Judiciário anuncie que se vai desrespeitar a Constituição Federal e uma Lei, para bem informar (????) ao eleitor, para que o eleitor saiba em quem está votando, conheça o passado do candidato. Não precisa, Senhor Ministro do TSE: os candidatos rivais cuidarão disso nos palanques, expondo a vida pregressa, verdadeira ou falsa, dos seus concorrentes, pode ficar tranquilo. Lembro-me muito bem de uma campanha eleitoral para o governo de Minas Gerais, onde um dos candidatos dizia em palanque que seu concorrente era homossexual (como se isso fosse um crime), enquanto este respondia, no seu proprio palanque, que aquele era estuprador. Palhaçadas de parte a parte. Alias, naquelas eleições, ganhou o suposto estuprador que, alias, jamais foi processado por qualquer crime parecido, muito menos condenado. Tempos depois, o outro também conseguiu ser eleito para o mesmo cargo e, por sorte, um dia veio a ocupar a presidencia da República. Sua fama era a de mulherengo.
Não dá para admitir que quem a Constituição considera inocente até sentença condenatória irrecorrivel, venha a ser achincalhado por um órgão do Judiciário, seja ele eleitoral ou não, porque um de seus membros -- ou todos, ou a maioria, não interessa -- acha que pode ser o dono e senhor da vontade do Povo. Alias, talvez até seja bom, muito bom, que se divulgue. Quem sabe o povo vota em peso no tal candidato com suposta "ficha suja" e desmoralize, definitivamente, os supostos senhores da moral. Aconteceu com Paulo Maluf, em São Paulo -- processado, chamado de ladrão, preso sob os holofotes da Globo -- e poderá acontecer com diversos outros.
Se o TSE seguir o pensamento de seu presidente, corre o risco de ser desmoralizado pelo voto popular. É bom pensar nisso, senhor Ministro.
O que me aborrece é que, de repente, todo mundo quer ser um Datena da vida. Para quem não sabe, e eu duvido que exista alguém que não saiba, José Luiz Datena é aquele apresentador de programas policialescos na televisão, que julga os supostos bandidos que mostra em seu programa, durante ações policiais filmadas, e mostra-se como um moralista implacável, quando, na verdade, tudo aquilo é feito com o unico intuito de ganhar dinheiro, conseguindo audiência para aumentar o valor do pacote comercial e do merchandising transmitidos durante o programa. Uma nojeira. Como Datena tem vários outros, na televisão e no rádio.
Agora, no Judiciário e no Exército Nacional.
Que pena.
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