Não sei exatamente quando comecei a escrever para publicações regulares. Lembro-me que, afora algumas publicações da Faculdade de Direito, ainda era estudante no Rio de Janeiro quando escrevi a primeira crônica para um jornal regular em Itajubá, lá no Sul de Minas, que pertencia a José Sabino de Carvalho, conhecido como Sabino, que depois tornou-se famoso na cidade como cabo eleitoral de alguns candidatos em época de eleições. Quando acabou o jornal do Sabino, surgiu um jornalzinho chamado “O Repórter”, co-patrocinado por Roberto Vilanova, um contabilista grande amigo meu, onde escrevi várias crônicas, a ultima delas defendendo a Monarquia na época daquele ridiculo plesbiscito determinado pela Constituição de 1988, e que se realizou em 1993. O editor do Jornal o Repórter, contudo, era um tremendo irresponsável, tanto que nem me lembro o nome do camarada, e o jornal, que deveria ser semanal, saia a cada mes, quando saia. Assim, a crônica saiu tres semanas depois do tal plebiscito. Talvez por isso a Monarquia tenha perdido, já que os brasileiros não puderam ler meu artigo antes de irem às urnas.
Passei a escrever para “O Sul de Minas”, semanalmente, e o fiz por uns dois anos. Um dia, enviei uma cronica criticando um deputado estadual mineiro da época, Ambrósio Pinto, ex-prefeito da cidade. A cronica não foi publicada, e o então editor me deu uma desculpa esfarrapada, prometendo que o seria na semana seguinte, quando veio outra desculpa esfarrapada. Na terceira desculpa esfarrapada, perdi a paciência e não enviei mais cronica alguma ao jornal. O deputado deve ter adorado. Não posso afirmar que ele teria vetado a publicação daquela cronica, mas, se não foi isso, houve com certeza uma auto-censura da editoria do jornal na época. Afinal, não valia a pena causas problemas com um deputado que, candidato a reeleição, poderia render uma graninha em propaganda eleitoral no jornal.
No inicio da administração do prefeito Saulo Germiniani, surgiu o grande fenômeno jornalístico de Itajubá, na época, o “Região Sul”, de Alair de Almeida. Convidado, passei a escrever para o “Região Sul”, ao mesmo tempo em que escrevia para o “O Sul de Minas”. Era um sufoco. Ambos saiam aos sábados, e tinham que ser crônicas e artigos diferentes, mas eu dava conta..Alair de Almeida, o dono e editor, queria exclusividade, mas eu não sou de ninguém, principalmente quando não me pagam nada. Quando me aborreci com o O Sul de Minas, resolvi ficar só no Região Sul, um jornal em que o povo amanhecia o domingo querendo já saber o que viria na sua primeira pagina no sábado seguinte. O jornal era, ao mesmo tempo, um sucesso e um escândalo. Um sucesso que, infelizmente, seu proprietário não soube preservar, ao contrário dos escândalos. Depois de uma fase de crise aguda que me lembrava a agonia dos meses finais da extinta Rede Tupi de Televisão, o Região Sul deixou de circular. Lembro -- e sinto os efeitos até hoje -- que a empresa de Alair de Almeida, que editava o jornal (a Região Sul Publicações e Propaganda Ltda e, depois, uma outra da qual não me lembro o nome agora) estava devendo tanto na praça, e até para as gráficas, que ninguém mais queria trabalhar para elas. Assim, criei uma empresa, a Ribeiro e Souza (Souza é o sobrenome de um dos meus filhos adotivos) Limitada, e o jornal passou a ser publicado sob a responsabilidade dessa empresa. Nos seus últimos suspiros, porém, eu já estava fora do jornal, e minha empresa também, mas lembro-me bem das noites de quinta para sexta-feira em que permanecia ao lado de Alair de Almeida na redação toda a madrugada, preparando a edição do sábado seguinte. Minha mulher e meus filhos me xingavam toda manhã de sexta-feira, quando chegava em casa com cara de quem passou a madrugada na farra, tomava um banho e ia direto para meu escritório trabalhar para sustentar a familia, já que o jornal nada me rendia, além do simples prazer de ve-lo circulando nas mãos dos itajubenses e circunvizinhos nos finais de semana.
Fazem cinco anos que Rodrigo Marques, querendo montar o Itajubá Noticias, me convidou para participar de sua montagem. Rodrigo Marques era completamente diferente daquele editor irresponsável de O Repórter e de Alair de Almeida. Pensei muito se iria entrar nessa de novo, e acabei aceitando. Fazem quatro anos e meio que a primeira edição foi às bancas e fazem quatro anos e meio que esse jornal é o mais absoluto sucesso de publico e de critica. Não é popularesco, ao mesmo tempo em que não é elitista. A noticia, os fatos, as pessoas que nele são noticias, são levadas a sério e respeitadas em sua honra, ao contrário do que acontecia no Região Sul de Alair de Almeida. Estou no Itajuba Noticias nesses quatro anos e meio, desde sua primeira edição.
Nunca ganhei um único centavo para participar de nenhum destes jornais, para escrever uma única linha sequer. Nem oficialmente, nem por fora. Recebi propostas de ganhar uns trocados para falar bem ou mal de uma situação ou até mesmo de uma pessoa, e tenho o orgulho de dizer que rechacei todas elas. Escrevo o que quero, como quero, e quem não gostar, o Fórum Wenceslau Braz, da Comarca de Itajubá, fica ali mesmo, no centro da cidade.
Sempre me perguntavam porque me dedicava tanto ao Região Sul e me dedico, mesmo aqui da Bahia, ao Itajubá Noticias, se não ganho nada, e nem sou, nem nunca fui, candidato a nada.
No passado, fil-lo porque qui-lo, como diria Jânio Quadros. Hoje, faço porque quelo, como diz Cebolinha.
segunda-feira, 28 de janeiro de 2008
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2 comentários:
Nobre Dr. Edson! Eu o conheci na virada dos anos 2000, mas talvez o senhor não se lembre, tendo em vista que nos víamos somente às sextas. Eu vinha nos dias de quarta-fera de Pindamonhangaba, Vale do Paraíba, para proceder a editoração eletrônica do "Região Sul", período em que o Alair de Almeida colou no prefeito Chico e conseguiu algo inédito. Promover um carnaval evangélico com a e Igreja Sara Nossa Terra.
haleluia de um lado, e Creio em Deus Pai do outro... rsrsrs
Grande Abraço!
Nobre Dr. Edson! Eu o conheci na virada dos anos 2000, mas talvez o senhor não se lembre, tendo em vista que nos víamos somente às sextas. Eu vinha nos dias de quarta-fera de Pindamonhangaba, Vale do Paraíba, para proceder a editoração eletrônica do "Região Sul", período em que o Alair de Almeida colou no prefeito Chico e conseguiu algo inédito. Promover um carnaval evangélico com a e Igreja Sara Nossa Terra.
haleluia de um lado, e Creio em Deus Pai do outro... rsrsrs
Grande Abraço!
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