terça-feira, 1 de janeiro de 2008

FIM DE ANO

“Hoje, é um novo dia/de um novo tempo/que começou...” Reveillon do Faustão, com a queima de fogos em Copacabana. Show de fim de ano com Roberto Carlos, na Globo. A casa do Papai Noel, da Angelina Salomon, que esse ano não houve. Parentes de outras cidades que chegaram para o Natal e hoje, 26 de dezembro, já se preparam para ir embora, muitos saindo em viagem de férias para curtir o alto verão em alguma praia, depois do peru na casa da vovó.
A verdade é que, no particular, na vida de cada um de nós, o fim de ano é sempre igual. Não interessa se somos paupérrimos, pobres, classe média, ricos ou muito ricos. Os paupérrimos aguardam ansiosos a cesta básica que a assistência social de sua cidade, ou voluntários do “Natal sem Fome” distribuem nessa época; os pobres, esperam que seus patrões lhes paguem o décimo-terceiro salário até antes do Natal, para que possam comprar um “franguinho” ; a classe-média baixa, brinda a chegada do ano novo com a cidra Cerezer, enquanto a média-média brinda com Peterlongo depois de haver, no ultimo fim de semana, passado horas nas filas dos crediários das lojas de departamentos do shopings para comprar os presentes de Natal, e a classe média-alta depois de um bom rega-bofe, se prepara para viajar pelas praias do Nordeste, pela Argentina ou mesmo para a Flórida, aproveitando os pacotes turísticos em 10 vezes sem juros, não sem, antes, claro, pagar a prestação do apartamento comprado em 300 prestações mensais, para se ver “livre do aluguel”. Os ricos nem sequer passaram o Natal em casa, mas a bordo de algum navio em cruzeiro pelo Caribe, onde esticarão suas férias até o final de janeiro.
O ponto comum é que todos – menos, certamente os ricos dessa crônica – terão seus televisores ligados no Reveillon do Faustão, terão assistido ao show do Roberto Carlos e da Xuxa, e curtirão – os que não moram no Rio de Janeiro, nem puderam viajar para la – os fogos de Copacabana na tela da Globo. Provavelmente, dançarão com suas taças de Cerezer ou Peterlongo pela sala da casa, a cada intervalo da programação ao som daquela musiquinha de final de ano da emissora, que foi ao ar pela primeira vez há quase trinta anos.
Ah, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva certamente falará em rede de televisão – e, provavelmente no intervalo do Jornal Nacional – para desejar a todos um feliz Ano Novo, se já não o desejou na segunda-feira, véspera de Natal. Pelo menos vai ser rápido, porque na época dos governos militares, os Generais-presidentes costumavam fazer longos discursos prestando contas aos brasileiros sobre os superávits da balança comercial.
Bom, de fato, o ano que termina não foi de todo ruim. Até que foi bom para os brasileiros em geral. Até a CPMF caiu no finalzinho deste 2007
O que dizer, então, a todos vocês para 2008, se eu sei – e eu sei que estou sendo desmancha-prazeres – que será tudo igual, de novo, daqui a 12 meses?
Ta bom, vai: Feliz Ano Novo.

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