O prefeito do Rio de Janeiro, César Maia, ficou famoso e ainda é famoso por criar factóides -- falsos fatos com objetivo politico de criar polêmica e mantê-lo em evidência na mídia. Traduzindo: enganações ao populacho.
O governador do estado do Rio de Janeiro, Cesar Cabral Filho, se não for um admirador de César Maia -- e acredito que o seja -- pretende ser seu aluno na arte da enganação. O diabo é que é um mal aluno. O governador do estado de São Paulo, José Serra, também.
Os factóides de César Maia, pelo menos, nunca prejudicaram ninguém. Eram como as mentiras de pescador, que somente serviam para, primeiro, lógico, angariar-lhe votos na parcela mais humilde da população que acredita até em quem vende bilhere premiado da megasena em ponto de ônibus, e, segundo, para divertir àqueles que têm um pouquinho mais de cultura e bom senso.
Os factóides do seu péssimo aluno, Cesar Cabral Filho, no entanto, podem levar, e já levaram, inocentes ao tumulo, como nas ações espetaculares -- no mal sentido, claro -- da policia carioca no suposto combate ao nacotráfico nos morros da cidade de Cesar Maia.
O ultimo dos factóides de Cabral Filho é a pretensa proibição de que motoqueiros carreguem caronas em suas motos, supostamente para evitar a utilização desses veiculos em assaltos de rua.
Cabral Filho sabe que a medida jamais será efetivamente implantada, a uma, porque não lhe compete legislar sobre o assunto -- é questão de trânsito e a competência é da União Federal, através do Congresso Nacional ou, na melhor das hipóteses, do presidente da Republica por suas medidas provisórias que se tornam definitivas -- e, a duas, porque, se quiser, efetivamente, implanta-la, enfrentará uma enxurrada de ações judiciais, porque a medida seria inconstitucional. O veiculo motocicleta é definido pela legislação federal como de capacidade para dois passageiros, e assim o cidadão que a compra tem o direito de usa-la dentro dos direitos que lhe são assegurados pela Constituição de livre uso e gozo de seus bens, desde que não em detrimento dos direitos coletivos. O cidadão que possui uma moto não pode, portanto, ser proibido de carregar um carona, apenas sob a suspeita de que poderia, ele e o carona, estarem com intenções malévolas, mas pode ser proibido de trafegar com sua moto a 120 km/hora na zona urbana, porque isso coloca efetivamente em risco a segurança dos demais cidadãos.
Mas a divulgação de sua intenção provocou polêmica -- e sua descortezia com o Diretor do Denatram, ao chama-lo de burocrata de plantão, quando ele alertou para a ilegalidade da pretensão do governador, mais polêmica ainda. E era isso que Cabral queria. Sumido da midia desde que as operações criminosas de sua policia -- inclusive do BOPE -- deixaram de despertar o interesse até do José Luiz Datena, Cabral resolveu inventar essa. E deu certo. Saiu até na Globo, cara!!!!
Outro factóide, agora em São Paulo, e de outro péssimo aluno, José Serra: a televisão mostrou que a Policia paulista recuperou os quadros furtados do MASP. Parábéns para a Policia.
Depois que os quadros foram recuperados -- dizem que um cara pagou ou iria pagar 5 milhões aos caras que contratou para realizarem a operação -- o governo do Estado voltou a expo-los no Museu, mas, agora, com policias armados à sua volta, voces viram na Globo?
Pelo amor dos meus filhinhos: alguém em sã consciência imagina que, ao serem expostos ao publico para demonstrar que foram recuperados, alguém iria tentar furta-los de novo? Só mesmo Serra para imaginar que os bandidos -- o mandante e um dos executores ainda não foram presos -- iriam até lá exigir os quadros de volta, porque tiveram um trabalhão para futa-los. O Serra é o mesmo que, quando candidato a presidente da Republica em 2002, ao visitar uma favela e receber um pedido de uma favelada, pediu, na frente das câmeras, que ela lhe enviasse um "fax" com a sua reivindicação, lembram-se?
A policia em torno do quadro no Masp é puro factóide. Deveria estar em torno do Museu, dia a dia e noite a noite, antes de acontecer o espetacular furto.
Mas policia dia e noite garantindo a segurança do cidadão, dos seus bens e do patrimônio publico, inclusive protegendo-os contra o narcotráfico não dá i-bope, não é Cabral? Não é Serra?
sexta-feira, 11 de janeiro de 2008
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