Estamos com um problema grave. Não há um unico dia em que jornais e telejornais locais, regionais ou nacionais não noticiam graves acidentes de trânsito causados por irreponsáveis que insistem em dirigir em alta velocidade e, muitas da vezes, embriagados. Aqueles que não se importam em procurar a causa ou as causas dessas tristes ocorrências e preferem culpar o destino, limitam-se a velha frase feita de que “as bruxas andam soltas”, como costuma-se dizer quando ocorrem uma sucessão de acidentes aéreos, por exemplo. Talvez se a Air France houvesse dado ouvidos e alguma importância aos relatos de pilotos dos Airbus 330 que noticiavam falhas no sistema de medição de velocidade desses aparelhos, os incidentes anteriores não teriam redundado na tragédia de duas semanas atrás. Se a TAM tivesse mandado para o hangar e consertado o reverso daquele que causou a tragédia em São Paulo em 1997, logo quando, ao pousar no primeiro aeroporto numa de suas primeiras escalas entre Porto Alegre e a capital paulista, o piloto relatou que o tal reverso não estava funcionando, talvez a tragédia não ocorresse.
Se, ao invés de ficar fazendo marolas a cada guerra de torcidas em São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre ou Salvador, o Ministério Público e o Judiciário decidissem, simplesmente, proibir publico nos Estádios, levariam ao desespero dos Clubes, que vivem e sobrevivem da venda dos ingressos, e esses Clubes, que hoje são, na verdade, grandes empresas que visam tão somente o lucro – e que lucro!! – explorando o mais popular esporte do país, ficassem privados de sua grande fonte de renda primária (a secundária, mas de maior importância, é a venda de jogadores), talvez tomassem providências efetivas para garantir a segurança dos torcedores, sobretudo daqueles que acabam em hospitais ou cemitérios porque se viram no meio de baderneiros uniformizados que se consideram “torcidas”, mas não passam de criminosos aos quais não se pode deferir o direito de conviverem em sociedade.
Seria providência radical? Seria. Mas a população não aprova outras providências radicais, como o “toque de recolher “ para menores de 18 anos após determinado horário, como solução para conter a criminalidade e garantir a segurança desses jovens?
Qual poderia ser a providência radical para evitar acidentes que, em verdade, não são acidentes, mas meras e lógicas conseqüências de comportamentos irresponsáveis, como os dos acidentes noticiados em todo o país pelos mais diversos meios de comunicação?
Quem sabe, apenas, cumprir a lei e fiscalizar seu cumprimento? Para o excesso de velocidade, em vários pontos das rodovias aquelas “lombadas eletrônicas” que encontramos em varias cidades, que indicam a velocidade em que o motorista se encontra, fotografa-o e multa-o num simples “click”. Flagrado e clicado, o agente da autoridade não apenas o notificaria da multa, mas se dirigiria à garagem do individuo e conduziria o carro do apressadinho para o pátio. Dependendo da velocidade em que se encontrava ao ser “clicado”, o carro permaneceria descansando no pátio por uma, duas, três semanas ou mais. O sujeito iria trabalhar de “buzão” e levaria a namorada para o motel de táxi durante um certo tempo.
Embriagado ao volante? Cadeia imediata e pronto. Bota na cadeia, lavra o flagrante e comunica o juiz. O cara terá direito a liberdade provisória, concedida pelo juiz, depois que seu advogado – que, nesse caso, aconselhamos, cobre honorários mais salgados que o IPVA – peticionar, for ouvido o Promotor de Justiça, a ordem for concedida e o cartório emitir o alvará de soltura: mais ou menos três dias de cana, se a Justiça for rápida. Como estamos no Brasil...........
Na ultima sexta-feira, um sub-procurador do Distrito Federal foi flagrado bêbado ao volante. Bateu, de leve, no carro de uma senhora, mas poderia ter causado uma tragédia. Desacatou policiais, ameaçou outros em plena delegacia. Tudo filmado. Foi liberado após ser ouvido, sem sequer pagar fiança. Se pagasse, também, tanto faria. O que são alguma centenas de reais para quem ganha mais de uma dezena de milhares de reais por mês?
Se for assim que o Brasil pretende garantir a segurança dos cidadãos e cumprir as leis, então, é melhor jogarmos a toalha e, a cada tragédia, clamarmos contra as bruxas soltas.
sábado, 13 de junho de 2009
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