sábado, 13 de junho de 2009

PALHAÇA FOI ELA OU SOMOS NOS?

Há cerca de dois meses, o mundo foi apresentado a uma tal Suzan Boyle, que maravilhou a todos com sua belíssima voz, divulgada no site You Tube, quando se apresentou num programa de calouros da televisão inglesa.
Na semana passada, a imprensa mundial “denunciou” que aquele programa fora, na verdade, um farsa. Os jurados, que no vídeo faziam caras e bocas de espanto e admiração quando Suzan Boyle abriu sua própria boca e cantou sei-lá-o-quê, na verdade estariam, apenas, fazendo um teatro, porque já sabiam que a mulher cantava pra canarinho nenhum botar defeito. Ela teria se apresentado, antes, para a equipe de produção daquele programa de calouros, antes de subir ao palco – aliás, certamente, dias antes.
Basta não ser burro para se saber que era lógico isso. Todo mundo sabe – até o Jacaré, que um dia se apresentou na “Hora da Buzina” do Chacrinha, quando o Velho Guerreiro foi a minha Itajubá, na década de 1980, e ganhou o “troféu abacaxi” – que, antes de se apresentar ao publico, o calouro faz uma pré-apresentação para os produtores do programa. Sobem ao palco e se apresentam para o publico os bons, muito bons, ruins e péssimos. Faz parte do show a apresentação dos péssimos, salvo em programas mais sérios, como o antigo “A Grande Chance”, do hoje falecido Flavio Calvalcanti, onde somente os melhores passavam pelo crivo da produção.
O que me aborrece não é o fato de, por semanas, o mundo – quero dizer, os idiotas do mundo, que desde o inicio não raciocinaram que tudo não passava de um teatro – ser enganado com a historia da “surpresa” dos jurados daquele programa com Suzan Boyle. Isso faz parte do show, como eu já disse.
Me aborrece o fato de que aquela mulher – que, dias após vi cantar “Memory”, e não vi nada demais, porque sua interpretação lembrava a interpretação memorável (em trocadilho) de Barbra Streisand – não foi apresentada ao mundo pela TV inglesa ou pelo You Tube por ter uma voz espetacular, mas por ser feia e desengonçada e, apesar de feia e desengonçada, ter uma voz espetacular. Daí o teatro dos jurados daquele programa, um teatro negro, preconceituoso e, na verdade, humilhante para Suzan Boyle: eles se demonstravam “surpresos” com aquela feia e desengonçada que lhes brindava com uma voz belíssima. Só a voz, porque presença em palco, nenhuma.
Na semana passada, quando a televisão noticiou que tudo fora um teatro, noticiou algo mais importante, já que isso todo mundo sabia ou deveria saber. Noticiou que Suzan Boyle tem sérios problemas psíquicos, que a levaram a entrar em depressão e ter que ser internada num hospital psiquiátrico porque – pasmem!! – não foi a vencedora da final daquele programa de calouros. Perdeu para um grupo de dança, aliás, muito melhor que ela em termos de show.
Uma pessoa com problemas psíquicos foi apresentada ao mundo como a feia e desengonçada que canta bonito. E muita gente ganhou dinheiro e notoriedade em cima dela, inclusive aquele canal de televisão que produz o programa e seus jurados.Êta mundo cão.

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