Segundo os institutos de pesquisas, a aprovação pessoal do presidente Luiz Ignácio Lula da Silva passa da casa dos 72% em todo o país. Índice igual – na verdade, superior – somente foi atingido por José Sarney, mesmo assim nos curtos meses de sucesso aparente do Plano Cruzado. A aprovação de Lula também é fictícia. Está centrada na estabilidade da economia, algo tão ilusório no mundo de hoje como o Plano Cruzado de Sarney. Está centrada, também, numa grande mentira, tal como o Plano Cruzado o foi. A mentira de Lula está em trazer para si a responsabilidade pela estabilidade econômica que vigorou até semanas atrás. A mentira de Sarney estava na ilusão de que o Plano Cruzado, que atacava apenas a economia privada, seria suficiente para conter a escalada inflacionária.
A grande diferença entre os dois casos de altíssima popularidade pessoal, é que, há vinte e dois anos, aquela popularidade conseguida por Sarney e seu Plano Cruzado levou o país a votar em peso nos candidatos do PMDB – praticamente o verdadeiro partido do presidente – elegendo a quase totalidade dos governadores (o partido perdeu em, apenas, um estado) e uma bancada no Congresso Nacional que quase fazia do partido o dominante absolutissimo em ambas as Casas Legislativas da União. Já a popularidade do presidente Lula não conseguiu sequer levar o PT, nas ultimas eleições, a conquistar capitais de real peso nacional, nem cidades de grande expressão. Á exceção de Vitória, no Espírito Santo, o PT logrou sucesso com candidatos próprios em Recife, Fortaleza, Palmas, Rio Branco e Porto Velho, todas nordestinas. Perdeu ou teve que se aliar a outro partido, sem ser o cabeça de chapa, em cidades que deveriam ser seus redutos, como Campinas e Santo André. Ganhou em São Bernardo, base do presidente, Mauá, Petrópolis, Jinville, Canoas, Anápolis, dentre inúmeras outras, mas a extrema maioria de peso político e/ou econômico perto do zero. No importante Vale do Paraíba, nada.
O desalento com o desempenho do PT pode ser visto na entrevista dada por Lula ontem, logo após votar em São Bernardo, quando disse que eleições municipais nada têm a ver com eleições presidenciais. Ele sabe que têm, e muito. Vale a pena, também, rever a entrevista da arrogante Marta Suplicy após a derrota em São Paulo, na qual convoca os eleitores paulistanos a “fiscalizarem” a administração de Gilberto Kassab, ato típico de perdedor arrogante.
O PT está sendo empurrado para os grotões, como foi o PDS há 30 anos. Ganhará onde e enquanto houver um bolsa-familia não corroído pela inflação. E Henrique Meirelles, do Banco Central, afirmou no ultimo dia 24, em Miami, que a “crise é séria” e, portanto, devemos deixar de “fazer piadas”. Piadas, como a de Lula que insiste em dizer que o vendaval lá de fora não passará de um ventinho aqui dentro.
A atividade econômica no Brasil caiu e caiu feio. Basta ver os índices da construção civil, melhor termômetro da economia, num país com extrema carência habitacional.
O sonho de Lula e José Dirceu de perpetuarem-se no Poder através do Partido dos Trabalhadores está acabando.
Por incrível que pareça, no finalzinho de seu mandato, começo a gostar do tal George W. Busch. Sua incompetência e arrogância, que levaram os Estados Unidos à situação lamentável em que se encontram, talvez tenha faça um bem enorme ao Brasil no futuro próximo.
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
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