quinta-feira, 6 de março de 2008

VEREMOS SE ELES APRENDEM AGORA

Pode parecer que sim, mas, com toda sinceridade, não tenho nada, absolutamente nada, contra a Rede Globo de Televisão ou a familia do falecido Roberto Marinho. Se o nível de seus programas mais populares está mais baixo que o cálculo do que se considera linha de pobreza no Brasil, isso acontece em todas as redes de TV abertas do pais e do mundo, à exceção, no Brasil, da quase nada assistida TV Educativa ou TV Cultura.
O que não posso é furtar-me a comentar os fatos que estão à vista de todos, como a igonorância de alguns de seus repórteres e locutores, e mesmo redatores, que sómente fazem com que o povo saia dizendo grossas bobagens, porque ouviram na telinha mágica.
Por exemplo, no caso da Globo - como das outras emissoras: aquelas malditas entrevistas gravadas com cidadãos comuns, onde são editados os trechos que a emissora considera mais "interessantes" para serem jogados no ar, levando o sujeito a dizer o que na verdade não disse. Ou a edição das tais "conversas telefonicas gravadas com autorização da Justiça", onde também leva-se o distinto -- para não dizer trouxa -- publico a pensar que o sujeito é um tremendo corrupto, quando, em grande parte dos casos, foram pinçados alguns trechos da conversa que, supostamente, dariam a entender conversas sobre corrupção, que, na verdade, não existe.
Querem um exemplo prático: Uma vez uma emissora de rádio de uma certa cidade, divulgou um trecho de um grampo telefônico onde se ouvia a seguinte conversa: -- "E aí, cara, o meu não vai sair não?" -- "Pô, sair o que? Você não teve participação nesse negócio, não, então não tem nada prá você" -- "Isso não vai ficar assim, não, cara. Eu vou até as ultimas consequências, para receber a minha parte nesse negócio ai". Com esse trecho de conversa, o locutor do tal programa radiofônico dizia que o politico que estava de um lado da linha estaria cobrando sua parte numa suposta comissão paga ao prefeito local por uma empresa, para vencer uma concorrência. O caso foi parar na Justiça, e a gravação integral da conversa revelava que o que o tal politico, que também era advogado, cobrava de um seu colega uma parte dos honorarios por haver participado na elaboração da defesa de um cliente. Tudo legal, tudo honesto.
Hoje, leio no site do UOL, que uma juiza carioca condenou a Rede Globo de Televisão a exibir, na integra, o depoimento de uma empregada doméstica, cuja imagem e parte do depoimento fora exibido na época daquela novela "Páginas da Vida", onde a tal empregada dizia que se masturbava. Lembram-se daqueles finaizinhos ridiculos daquela novela, onde sempre aparecia alguém para contar uma história sobre sua vida? Recebiam 300 reais caso seu depoimento fosse selecionado para ser levado ao ar.
Pois bem, o depoimento da tal empregada durou 90 minutos (uma hora e meia) e sómente exibiram uns 30 segundos, onde ela dizia que se masturbava. Ao assistir a cena em meio a familiares, certamente convocados junto com toda a vizinhança para ver como ela ficava bonita na televisão, a empregada tomou um susto, porque ela, na verdade, discorria ao repórter sobre uma série de fatos envolvendo sua vida, inclusive sexual. Mas a Globo jogou no ar apenas aquela parte onde ela dizia que se masturbava, porque, certamente, daria mais audiência.
A Globo recorreu da decisão e, provavelmente, vai ficar recorrendo por muitos anos e, mais provavelmente ainda, vai perder em todas as instâncias. Daqui a uns 10 anos, quem sabe, possamos assistir ao depoimento integral da tal domestica.
A Globo alegou como defesa que não teria mais a fita. Bobagem, sei que tem, sim, mesmo porque os repórteres guardam consigo copias dos seus trabalhos, que servem como referências para a eventualidade de caça a futuros empregos. A multa pela não exibição fixada pela juiza é de 100 reais por dia, limitada a 50 mil.
É absolutamente certo que a empregada receberá os tais 50 mil reais e que a fita jamais será divulgada, pela emissora, mesmo porque, se o fizer, será chamada de mentirosa pela Justiça, já que alegou não mais te-la.
Alias, acho mesmo que a empregada está, hoje, mais interessada nesses 50 mil reais do que em ver seu depoimento de uma hora e meia -- que deve ser chato a beça -- ir ao ar.
De qualquer forma, ficou a lição para a Globo.
Que, espero, todas as demais emissoras aprendam.

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