Não dá prá levar a sério esse país, mesmo. Acabo de ler no portal "Educação" do "UOL", que o menino João Vitor, aquele garoto de 8 anos que fez o vestibular para Direito na UNIP - Universidade Paulista -- e foi aprovado, "desistiu" de fazer o curso.
Segundo a noticia, João Vitor teria sido impedido de entrar nas dependências da Faculdade na ultima quinta-feira, quando tentou assistir às aulas. Até aí, tudo bem.
O diabo é que a noticia também diz que João Vitor, após aprovado no tal vestibular, logrou efetivar sua matrícula na tal faculdade da Unip!!!!!
Como não estava amparado em nenhuma liminar concedida em ação judicial que teria promovido face a Unip, tá dificil entender porque a Faculdade de Direito daquela Universidade particular teria aceito fazer a matricula do garoto, se é que a noticia não está errada, o que me parece mais provável. Porque, se a noticia não estiver errada nesse ponto, sugiro, urgentemente, ao Ministério da Educação e a Ordem dos Advogados do Brasil que fechem imediatamente a Faculdade de Direito da Unip, porque a única explicação para que tivessem aceito fazer a matricula do menino seria o fato de que seu pai teria pago as taxas correspondentes. E Faculdade que aceita matricular um menino de 8 anos, que ainda não concluiu o ensino basico, apenas porque ele passou no vestibular, em razão exclusivamente do dinheirinho que caiu no seu caixa, está a um passo de também expedir diplomas somente porque o aluno pagou as mensalidades em dia.
O caso de João Vitor é uma dessas coisas ridiculas e surrealistas que vivem ocorrendo no Brasil, inclusive na área de ensino.
Teria logrado aprovação no vestibular para o curso de Direito da UNIP, uma universidade particular. Até aí nada demais. Primeiro, porque o menino pode, sim, ser um desses garotos super-dotados, que conseguiram aprender muito antes dos demais da sua idade as matérias exigidas em qualquer vestibular: matemática, fisica basica, quimica fundamental, português comum, inglês básico, essas coisas. Segundo porque, se não for o genio que pode até ser, talvez tivesse logrado aprovação por pura sorte, como aquele macaquinho que passou num vestibular de uma universidade carioca há cerca de 20 anos e fizeram um escândalo nacional (a prova não era discursiva, mas do tipo multipla escolha) sem motivo algum. Acredito mais na primeira hipótese.
Ao ser entrevistado por um jornalista, João Vitor teria dito que queria ser Juiz no futuro, mas não soube dizer, exatamente, quais as funções de um Juiz de Direito: limitou-se a responder que Juiz mandava prender e mandava soltar. Boa resposta, mas incompleta: faltou dizer que Juiz, quando manda prender, nem sempre é obedecido, e, quando manda soltar, o delegado ou carcereiro sempre enrolam o quanto podem para cumprir a ordem. Cairam de pau em cima de João Vitor: "Como pode? esse menino não sabe nada!!! Nem sabe direito o que um juiz faz!!" Esqueceram-se que João Vitor passou num vestibular comum e não num concurso publico para a carreira da Magistratura.
Alias, fico imaginando como seria João Vitor, aos 13 anos, Juiz de Direito, mesmo sem ser imputável penalmente ou responsavel civilmente. Restar-lhe-ia, quem sabe, ser titular de uma Vara de Menores, né?
O pai do menino declarou ao site da UOL onde li que ele foi impedido de assistir às aulas, que não vai entrar na Justiça. Vai aguardar um proximo vestibular para que seu geniozinho seja aprovado de novo, mas em outra Universidade.
Seu garoooooto não merece a UNIP.
Nós, brasileiros, sim, merecemos esse espetáculo que não sei dizer ao certo se é ridiculo ou surrealista.
sábado, 8 de março de 2008
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