Quando queremos brincar com as mazelas políticas brasileiras, como um país que não teria dado certo, costumamos repetir a velha piada que diz que a solução para o Brasil seria devolvermos para Portugal e pedirmos desculpas pelo mau uso.
De vez em quando eu penso, com seriedade, sobre a situação – sempre triste, lamentável, insolúvel, mesmo – de vários países do mundo. Não, não falo de países onde vigoram a politicagem “democratica”, a corrupção ou mesmo ditaduras derrubadas por golpes de Estado que instauram outras ditaduras, num constante circulo vicioso. Acho que isso é problema exclusivo do povo de cada país, e ninguém tem que se meter.
Meu problema aqui é outro. Diz respeito, exclusivamente, a questões de ordem econômica, que desaguam nas questões sociais, e cujas bombas acabam, de uma forma ou de outra, explodindo tanto junto à população miserável do próprio pais, como também no colo das demais Nações.
O Haiti e sua recente tragédia, que já dura há duas longas semanas e durará por muitos anos, é exemplo claro de pais que não poderia existir sob a forma de Estado.
Antes de prosseguir, lembro que Estado é a conjugação de uma Nação (pressupondo-se, para tanto, certa homogeneidade cultural), que vive em determinado Território delimitado e sob um Governo Soberano. Decorre, então, da soberania, a plena Independência desse povo, independência essa considerada em seu aspecto político, como a plena e exclusiva capacidade, dentro de seu Território, sob e sobre seu Povo, de tomar as decisões que para esse Povo melhor aprouverem. Mas, há de decorrer dessa soberania, também, a plena capacidade desse governo socorrer esse seu Povo, quando necessitar.
Laurentino Gomes, em sua magistral obra “1808” , sobre a fuga da Familia Real Portuguesa para o Brasil e as transformações que isso trouxe para a Colonia, faz menção ao Haiti como era considerado já naquela época, há dois séculos: o país mais pobre do mundo!!! E até hoje, se não é o mais pobre, enfileira-se junto aos miseráveis, tanto da América Central como da África ou da Ásia.
A tragédia iniciada na terça-feira, 12 de janeiro de 2010, trouxe ao conhecimento do Mundo um pais em que, por vários dias, a população ficou e ainda está sem comida, sem água potável, sem remédios mínimos, sem absolutamente nada, nenhuma espécie de socorro interno, porque não dispunha de absolutamente nenhuma reserva financeira, de um Governo realmente organizado para enfrentar vicissitudes, mesmo sabendo estar sujeito a problemas como o terremoto que o atingiu. Não tinha um único trator, para ajudar a remover os escombros para procurar por sobreviventes; não tinha uma simples maquina daquelas de quebrar asfalto, que vemos nas mãos de funcionários das prefeituras, como nas ruas de São Paulo ou de cidades até de pequeno porte brasileiras; não tinha como encaminhar alimentos de outras regiões do pais para a Capital, a cidade mais atingida pelo terremoto; não tinha – por incrível que pareça – um simples anestésico para que se pudesse suturar a perna de um menino ferido, que vi berrando pela televisão enquanto a suturavam no meio dos escombros e sem qualquer medicamento que lhe aliviasse o sofrimento. Não tem uma simples Comissão de Defesa Civil, como qualquer cidade decente brasileira tem, para organizar a distribuição das toneladas de remédios e medicamentos que já chegaram ao pais.
Tem, é claro, um ex-presidente que vendeu o sofá da sala, quando, para evitar golpes militares teve a brilhante idéia de acabar com as Forças Armadas do pais, e um atual que, no primeiro dia da tragédia, teve o desplante de declarar a uma repórter de TV, no meio da rua, que “ele também não tinha onde dormir”, numa referência ao desmoronamento parcial do Palacio Presidencial (e que palácio!!!). Foi dormir na Republica Dominicana, pais vizinho, com certeza, onde permaneceu reunido com auxiliares e representantes de governos estrangeiros, para mendigar ajuda internacional.
Paises como o Haiti não podiam existir enquanto Estados. Por dependerem, eternamente, da ajuda constante de outros, muito facilitaria se fossem protetorados, como alguns existentes na Europa (O Principado de Mônaco, é protetorado francês, por exemplo). Facilitaria ate para que se pudesse neles manter órgãos de Defesa Civil, com equipamentos do protetor ou protetores.
Sem ufanismos, a bem da verdade é que se lá não estivesse a Força de Paz da ONU, representada pelo Exercito Brasileiro, a situação que já é catastrófica, estaria bem pior, se é possível que pudesse ser pior. Aliás, pode. Quando escrevi originalmente essa crônica, para sua publicação no Jornal Itajubá Noticias (www.itajubanoticias.com.br) ainda não havia ocorrido o segundo terremoto, dia 20 de janeiro, quase tão forte quanto o primeiro.
Afinal, por que ou para que existem países como o Haiti????
quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
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