sábado, 12 de julho de 2008

PODEM ESPERNEAR À VONTAAAAADE

Segundo a imprensa, 130 magistrados federais protestaram formalmente contra a decisão do Ministro do Supremo Tribuna Federal Gilmar Mendes que, criticando veementemente a decisão de um colega deles da Justiça Federal do Rio de Janeiro, mandou prender o banqueiro Daniel Dantas horas depois de o proprio Gilmar haver determinado sua soltura. Daniel fora preso, inicialmente, por ordem daquele juiz federal, juntamente com Celso Pitta, Naji Nahas e varias outras pessoas menos estreladas, no curso de uma investigação da Policia Federal por suposto uso de informações privilegiadas no mercado financeiro (inclusive, segundo dizem, oriundas do Banco Central Norte-americano, o FED), evasão de divisas, lavagem de dinheiro, essas coisas das quais pobre jamais será acusado, a não ser, quanto a lavagem de dinheiro, quando a mulher de algum favelado esquecer de tirar a nota de 1 real do bolso da calça do marido antes de coloca-la no tanque. Gilmar Mendes, como presidente do STF concedeu Habeas Corpus a Daniel Dantas e aos demais -- menos a um deles, até agora, que parece ter um péssimo advogado -- , mas, p da vida, o juiz federal mandou prende-lo de novo, agora sob a acusação de que teria tentado subornar um delegado da policia federal durante as investigações. Mais p da vida, ainda, o presidente do Supremo mandou solta-lo de novo, agora criticando violentamente a decisão do juiz federal.
Gilmar Mendes está certissimo quando manda soltar, de novo, um acusado que, beneficiado por um Habeas Corpus concedido por ele -- e, por via de consequencia, pelo Supremo Tribunal que ele representa como presidente e como magistrado máximo do caso, até que o colegiado decida o contrário -- é novamente preso, sob um argumento tão fútil quanto o de que um sujeito deu um depoimento dizendo que tentara subornar um delegado por ordem do preso. Sem duvida que o juiz federal tentou uma queda de braço com o presidente do Supremo, e perdeu.
Tarso Genro, o petista ministro da Justiça (como se precisassemos de ministros da justiça nesse país!!), não quiz meter a mão em cumbuca, depois de encenar, também, uma queda de braço com o presidente do Supremo, quando o criticou por haver ele, Gilmar, criticado as ações espetacularizantes da Policia Federal. Preferiu, então, agora, dizer simplesmente que espera que Daniel Dantas não fuja do pais, e fique aqui para provar sua inocência quanto às acusações que lhe são feitas.
O Ministro da Justiça nem parece ser um bacharel em direito. Mas, em o sendo, poderia fazer um cursinho de reciclagem e, talvez, aprenda que Daniel Dantas, Pitta, Nahas ou qualquer dos acusados nesse caso, assim como quaisquer acusados em quaisquer casos, não têm que provar suas inocências em processo algum. São os acusadores que têm que provar a culpabilidade deles.
Não sei de Daniel Dantas vai fugir ou não. Isso é problema dele. Aliás, até compreensivel que fuja, já que no Brasil não se pode, muito, confiar nem na aplicabilidade de uma decisão do Supremo Tribunal Federal, porque um juiz qualquer pode afronta-la e mandar prender o cara de novo, inventando um motivo qualquer. Mas acho que Dantas não vai fugir, não vai sair do pais, mesmo porque o exemplo de Salvattore Cacciola não recomenda. E olha que Cacciola tinha dupla nacionalidade, era italiano e não poderia ser extraditado para o Brasil, mas deu bobeira e foi sair da bella Italia para dar um passeiozinho em Monaco e se deu mal. Há, também, o caso de Georgina de Freitas, aquela suposta fraudadora do INSS que, depois de anos na Costa Rica, resolveu dar uma entrevista para a Globo e seu deu mal, acabando presa e extraditada. Há, ainda, o caso PC Farias, que foi visto e denunciado por um turista na Indonésia, teve o passaporte cancelado pelo governo brasileiro, tornou-se um apátrida lá, foi, por isso, preso, e, depois, deportado para o Brasil, onde a Policia o esperava no aeroporto. Não, Daniel Dantas não vai fugir não, Ministro da "Justiça" Tarso Genro.
Espero, contudo, que Gilmar Mendes permaneça por muito tempo na presidência do Supremo, embora saiba que seu mandato somente durara dois anos.
Quando eu era advogado, ainda no Rio de Janeiro, no incio da década de 80, tinha um juiz de uma vara criminal que mandava prender sem mais nem menos os réus com os quais não ia com a cara e costumava dizer aos advogados atônitos em audiência que poderiam recorrer a quem quisessem, até ao Supremo Tribunal, porque o único supremo que ele respeitava era o supremo de frango, mesmo assim quando preparado por sua dileta esposa.
Gilmar Mendes, duas décadas e tanto depois, está mandando um recado a todos os juizes que sómente respeitam supremos de frango. O de que o Supremo Tribunal Federal é, sim, a maior instância do Judiciário nesse país. E quem não gostar, pode espernear. Mas só espernear.

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