sábado, 23 de fevereiro de 2008

VAI COMEÇAR A PELEJA !!!!!!

Era assim que os locutures de rádio de antigamente iniciavam as transmissões dos jogos de futebol, no momento em que o juiz -- hoje chamado de ábitro -- dava o primeiro apito e a bola rolava em campo.
Na política, teóricamente, o primeiro apito do juiz é quando a Justiça Eleitoral registra as candidaturas, no inicio de julho do ano das eleições. Apenas teóricamente, como tudo em termos de eleições no Brasil, porque, na realidade, a "peleja" começa quando os candidatos se agrupam nos partidos, no final de setembro do ano anterior às eleições. Desde que houve a famosa emenda comprada de Fernando Henrique Cardoso à Constituição Brasileira permitindo a reeleição para os cargos Executivos, a "peleja" começa, na verdade, assim que os eleitos tomam posse.
Teremos eleições municipais, para o Executivo e o Legislativo, agora, em 2008. Faltam, apenas, 8 meses para que nós, os eletrouxas, enfrentemos sol ou chuva -- ou os dois -- nas filas de votação, para elegermos ou reelegermos os governantes e os legisladores municipais.
Aguentaremos, a partir de julho, os irritantes carros de som, os pentelhos dos cabos eleitorais empurrando-nos "santinhos" dos seus candidatos. Isto nas cidades de porte médio para cima, porque nas pequenas cidades, muita gente enfrenta até tiroteio nas ruas e emboscadas nas estradas. Veremos brigas de socos e pontapés entre os correligionários de uns e outros candidatos que, esperam, venham a ter suas vidas arrumadas com uma bom emprego fantasma se seu defendido tomar posse em 1º de janeiro do ano que vem.
Pior que isso, veremos eleitores vendendo, ou supostamente vendendo, seus votos por qualquer trocado que dê para pagar uma dose de cachaça nos bares das cidades e da zona rural, por uma compra em supermercado ou feira, por um blocos de tijolos ou cimentos para "bater" uma laje na sua casa, por um bojtijão de gás. E veremos eleitores iludidos com falsas promessas de grandes ou pequenas obras ou de empregos nas prefeituras. Conta-se um caso de um candidato numa cidadezinha mineira, há cerca de 40 anos, que prometeu em palanque a construção de uma ponte num bairro rural, durante um comicio. Ao ser advertido por um eleitor que assistia ao comício, que ali não havia rio por perto, não titubeou e prometeu que mandaria passar um rio por ali também.
Aqui, em Macarani, sudoeste da Bahia, fronteira com Minas Gerais, o candidato da oposição contará -- alias, já conta -- com o apoio total de um cidadão que daqui saiu mais pobre que o vocabulário do presidente Lula, e voltou com uma fortuna maior que a de Maluf nos paraisos fiscais. O sujeito chegou há cerca de ano e meio, comprou fazendas produtivas e improdutivas, terrenos na área urbana, e construiu uma mansão que, se quiser vender, não encontrará quem dê um terço do que gastou para construir. Tudo para humilhar, para mostrar poder econômico, por motivos que sómente se pode atribuir a quem ganhou dinheiro -- honestamente ou não -- mas não ganhou um pingo de cultura ao longo do tempo. Coisa de "novo rico" em grana e "eternamente pobre" de espirito. O cara já prometeu até constuir um restaurante para uma pobre senhora dona de um bar, evidentemente procurando ganhar seu voto e apoio para o seu candidato, sabendo que há mais de 30 anos, ela sempre apoiou e votou no atual prefeito, virtual candidato à reeleição. O diabo é que o cara, evidentemente, não gastará sua fortuna -- ou minima parte dela -- para ajudar na eleição do tal candidato, sem que esteja pretendendo grandes lucros futuros, porque pode ser um igonorantão, mas burro ou bobo não é, não.
Eu acho, sinceramente, que a população de Macarani não vai cair nessa, mas na maioria das cidades brasileiras há elementos tão perniciosos na politica -- ou por detrás de alguns politicos -- quanto o "novo rico" daqui, e o povo cairá, conscientemente ou não, nas suas lábias.
Há mais de 30 anos, fazia sucesso em todo o pais uma marchinha encomendada pelo governo militar, gravada pelos "Incriveis" (uma banda famosa na época), que tinha o refrão "esse é um pais que vai pra frente", mesma frase estampada em adesivos ostentados pela maioria dos carros.
Acabou-se o ufanismo do Brasil Grande do governo militar. Acabou-se o nacionalismo. Chego a dizer que acabou-se aquele orgulho de ser brasileiro.
Mas, a julgar pelas campanhas eleitorais e seus resultados na maioria imensa dos municipios brasileiros -- e até nos âmbitos estadual e federal --, e enquanto houverem "novos ricos" achando que podem prometer construir restaurantes para proprietários de bares, caso apoiem seus candidatos, acabou-se, também, a esperança de que esse país, realmente, vá pra frente.

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