segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

COMO JANIO E CEBOLINHA

Não sei exatamente quando comecei a escrever para publicações regulares. Lembro-me que, afora algumas publicações da Faculdade de Direito, ainda era estudante no Rio de Janeiro quando escrevi a primeira crônica para um jornal regular em Itajubá, lá no Sul de Minas, que pertencia a José Sabino de Carvalho, conhecido como Sabino, que depois tornou-se famoso na cidade como cabo eleitoral de alguns candidatos em época de eleições. Quando acabou o jornal do Sabino, surgiu um jornalzinho chamado “O Repórter”, co-patrocinado por Roberto Vilanova, um contabilista grande amigo meu, onde escrevi várias crônicas, a ultima delas defendendo a Monarquia na época daquele ridiculo plesbiscito determinado pela Constituição de 1988, e que se realizou em 1993. O editor do Jornal o Repórter, contudo, era um tremendo irresponsável, tanto que nem me lembro o nome do camarada, e o jornal, que deveria ser semanal, saia a cada mes, quando saia. Assim, a crônica saiu tres semanas depois do tal plebiscito. Talvez por isso a Monarquia tenha perdido, já que os brasileiros não puderam ler meu artigo antes de irem às urnas.
Passei a escrever para “O Sul de Minas”, semanalmente, e o fiz por uns dois anos. Um dia, enviei uma cronica criticando um deputado estadual mineiro da época, Ambrósio Pinto, ex-prefeito da cidade. A cronica não foi publicada, e o então editor me deu uma desculpa esfarrapada, prometendo que o seria na semana seguinte, quando veio outra desculpa esfarrapada. Na terceira desculpa esfarrapada, perdi a paciência e não enviei mais cronica alguma ao jornal. O deputado deve ter adorado. Não posso afirmar que ele teria vetado a publicação daquela cronica, mas, se não foi isso, houve com certeza uma auto-censura da editoria do jornal na época. Afinal, não valia a pena causas problemas com um deputado que, candidato a reeleição, poderia render uma graninha em propaganda eleitoral no jornal.
No inicio da administração do prefeito Saulo Germiniani, surgiu o grande fenômeno jornalístico de Itajubá, na época, o “Região Sul”, de Alair de Almeida. Convidado, passei a escrever para o “Região Sul”, ao mesmo tempo em que escrevia para o “O Sul de Minas”. Era um sufoco. Ambos saiam aos sábados, e tinham que ser crônicas e artigos diferentes, mas eu dava conta..Alair de Almeida, o dono e editor, queria exclusividade, mas eu não sou de ninguém, principalmente quando não me pagam nada. Quando me aborreci com o O Sul de Minas, resolvi ficar só no Região Sul, um jornal em que o povo amanhecia o domingo querendo já saber o que viria na sua primeira pagina no sábado seguinte. O jornal era, ao mesmo tempo, um sucesso e um escândalo. Um sucesso que, infelizmente, seu proprietário não soube preservar, ao contrário dos escândalos. Depois de uma fase de crise aguda que me lembrava a agonia dos meses finais da extinta Rede Tupi de Televisão, o Região Sul deixou de circular. Lembro -- e sinto os efeitos até hoje -- que a empresa de Alair de Almeida, que editava o jornal (a Região Sul Publicações e Propaganda Ltda e, depois, uma outra da qual não me lembro o nome agora) estava devendo tanto na praça, e até para as gráficas, que ninguém mais queria trabalhar para elas. Assim, criei uma empresa, a Ribeiro e Souza (Souza é o sobrenome de um dos meus filhos adotivos) Limitada, e o jornal passou a ser publicado sob a responsabilidade dessa empresa. Nos seus últimos suspiros, porém, eu já estava fora do jornal, e minha empresa também, mas lembro-me bem das noites de quinta para sexta-feira em que permanecia ao lado de Alair de Almeida na redação toda a madrugada, preparando a edição do sábado seguinte. Minha mulher e meus filhos me xingavam toda manhã de sexta-feira, quando chegava em casa com cara de quem passou a madrugada na farra, tomava um banho e ia direto para meu escritório trabalhar para sustentar a familia, já que o jornal nada me rendia, além do simples prazer de ve-lo circulando nas mãos dos itajubenses e circunvizinhos nos finais de semana.
Fazem cinco anos que Rodrigo Marques, querendo montar o Itajubá Noticias, me convidou para participar de sua montagem. Rodrigo Marques era completamente diferente daquele editor irresponsável de O Repórter e de Alair de Almeida. Pensei muito se iria entrar nessa de novo, e acabei aceitando. Fazem quatro anos e meio que a primeira edição foi às bancas e fazem quatro anos e meio que esse jornal é o mais absoluto sucesso de publico e de critica. Não é popularesco, ao mesmo tempo em que não é elitista. A noticia, os fatos, as pessoas que nele são noticias, são levadas a sério e respeitadas em sua honra, ao contrário do que acontecia no Região Sul de Alair de Almeida. Estou no Itajuba Noticias nesses quatro anos e meio, desde sua primeira edição.
Nunca ganhei um único centavo para participar de nenhum destes jornais, para escrever uma única linha sequer. Nem oficialmente, nem por fora. Recebi propostas de ganhar uns trocados para falar bem ou mal de uma situação ou até mesmo de uma pessoa, e tenho o orgulho de dizer que rechacei todas elas. Escrevo o que quero, como quero, e quem não gostar, o Fórum Wenceslau Braz, da Comarca de Itajubá, fica ali mesmo, no centro da cidade.
Sempre me perguntavam porque me dedicava tanto ao Região Sul e me dedico, mesmo aqui da Bahia, ao Itajubá Noticias, se não ganho nada, e nem sou, nem nunca fui, candidato a nada.
No passado, fil-lo porque qui-lo, como diria Jânio Quadros. Hoje, faço porque quelo, como diz Cebolinha.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

QUESTÃO DE I...BOPE

O prefeito do Rio de Janeiro, César Maia, ficou famoso e ainda é famoso por criar factóides -- falsos fatos com objetivo politico de criar polêmica e mantê-lo em evidência na mídia. Traduzindo: enganações ao populacho.
O governador do estado do Rio de Janeiro, Cesar Cabral Filho, se não for um admirador de César Maia -- e acredito que o seja -- pretende ser seu aluno na arte da enganação. O diabo é que é um mal aluno. O governador do estado de São Paulo, José Serra, também.
Os factóides de César Maia, pelo menos, nunca prejudicaram ninguém. Eram como as mentiras de pescador, que somente serviam para, primeiro, lógico, angariar-lhe votos na parcela mais humilde da população que acredita até em quem vende bilhere premiado da megasena em ponto de ônibus, e, segundo, para divertir àqueles que têm um pouquinho mais de cultura e bom senso.
Os factóides do seu péssimo aluno, Cesar Cabral Filho, no entanto, podem levar, e já levaram, inocentes ao tumulo, como nas ações espetaculares -- no mal sentido, claro -- da policia carioca no suposto combate ao nacotráfico nos morros da cidade de Cesar Maia.
O ultimo dos factóides de Cabral Filho é a pretensa proibição de que motoqueiros carreguem caronas em suas motos, supostamente para evitar a utilização desses veiculos em assaltos de rua.
Cabral Filho sabe que a medida jamais será efetivamente implantada, a uma, porque não lhe compete legislar sobre o assunto -- é questão de trânsito e a competência é da União Federal, através do Congresso Nacional ou, na melhor das hipóteses, do presidente da Republica por suas medidas provisórias que se tornam definitivas -- e, a duas, porque, se quiser, efetivamente, implanta-la, enfrentará uma enxurrada de ações judiciais, porque a medida seria inconstitucional. O veiculo motocicleta é definido pela legislação federal como de capacidade para dois passageiros, e assim o cidadão que a compra tem o direito de usa-la dentro dos direitos que lhe são assegurados pela Constituição de livre uso e gozo de seus bens, desde que não em detrimento dos direitos coletivos. O cidadão que possui uma moto não pode, portanto, ser proibido de carregar um carona, apenas sob a suspeita de que poderia, ele e o carona, estarem com intenções malévolas, mas pode ser proibido de trafegar com sua moto a 120 km/hora na zona urbana, porque isso coloca efetivamente em risco a segurança dos demais cidadãos.
Mas a divulgação de sua intenção provocou polêmica -- e sua descortezia com o Diretor do Denatram, ao chama-lo de burocrata de plantão, quando ele alertou para a ilegalidade da pretensão do governador, mais polêmica ainda. E era isso que Cabral queria. Sumido da midia desde que as operações criminosas de sua policia -- inclusive do BOPE -- deixaram de despertar o interesse até do José Luiz Datena, Cabral resolveu inventar essa. E deu certo. Saiu até na Globo, cara!!!!
Outro factóide, agora em São Paulo, e de outro péssimo aluno, José Serra: a televisão mostrou que a Policia paulista recuperou os quadros furtados do MASP. Parábéns para a Policia.
Depois que os quadros foram recuperados -- dizem que um cara pagou ou iria pagar 5 milhões aos caras que contratou para realizarem a operação -- o governo do Estado voltou a expo-los no Museu, mas, agora, com policias armados à sua volta, voces viram na Globo?
Pelo amor dos meus filhinhos: alguém em sã consciência imagina que, ao serem expostos ao publico para demonstrar que foram recuperados, alguém iria tentar furta-los de novo? Só mesmo Serra para imaginar que os bandidos -- o mandante e um dos executores ainda não foram presos -- iriam até lá exigir os quadros de volta, porque tiveram um trabalhão para futa-los. O Serra é o mesmo que, quando candidato a presidente da Republica em 2002, ao visitar uma favela e receber um pedido de uma favelada, pediu, na frente das câmeras, que ela lhe enviasse um "fax" com a sua reivindicação, lembram-se?
A policia em torno do quadro no Masp é puro factóide. Deveria estar em torno do Museu, dia a dia e noite a noite, antes de acontecer o espetacular furto.
Mas policia dia e noite garantindo a segurança do cidadão, dos seus bens e do patrimônio publico, inclusive protegendo-os contra o narcotráfico não dá i-bope, não é Cabral? Não é Serra?

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

FIM DE ANO

“Hoje, é um novo dia/de um novo tempo/que começou...” Reveillon do Faustão, com a queima de fogos em Copacabana. Show de fim de ano com Roberto Carlos, na Globo. A casa do Papai Noel, da Angelina Salomon, que esse ano não houve. Parentes de outras cidades que chegaram para o Natal e hoje, 26 de dezembro, já se preparam para ir embora, muitos saindo em viagem de férias para curtir o alto verão em alguma praia, depois do peru na casa da vovó.
A verdade é que, no particular, na vida de cada um de nós, o fim de ano é sempre igual. Não interessa se somos paupérrimos, pobres, classe média, ricos ou muito ricos. Os paupérrimos aguardam ansiosos a cesta básica que a assistência social de sua cidade, ou voluntários do “Natal sem Fome” distribuem nessa época; os pobres, esperam que seus patrões lhes paguem o décimo-terceiro salário até antes do Natal, para que possam comprar um “franguinho” ; a classe-média baixa, brinda a chegada do ano novo com a cidra Cerezer, enquanto a média-média brinda com Peterlongo depois de haver, no ultimo fim de semana, passado horas nas filas dos crediários das lojas de departamentos do shopings para comprar os presentes de Natal, e a classe média-alta depois de um bom rega-bofe, se prepara para viajar pelas praias do Nordeste, pela Argentina ou mesmo para a Flórida, aproveitando os pacotes turísticos em 10 vezes sem juros, não sem, antes, claro, pagar a prestação do apartamento comprado em 300 prestações mensais, para se ver “livre do aluguel”. Os ricos nem sequer passaram o Natal em casa, mas a bordo de algum navio em cruzeiro pelo Caribe, onde esticarão suas férias até o final de janeiro.
O ponto comum é que todos – menos, certamente os ricos dessa crônica – terão seus televisores ligados no Reveillon do Faustão, terão assistido ao show do Roberto Carlos e da Xuxa, e curtirão – os que não moram no Rio de Janeiro, nem puderam viajar para la – os fogos de Copacabana na tela da Globo. Provavelmente, dançarão com suas taças de Cerezer ou Peterlongo pela sala da casa, a cada intervalo da programação ao som daquela musiquinha de final de ano da emissora, que foi ao ar pela primeira vez há quase trinta anos.
Ah, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva certamente falará em rede de televisão – e, provavelmente no intervalo do Jornal Nacional – para desejar a todos um feliz Ano Novo, se já não o desejou na segunda-feira, véspera de Natal. Pelo menos vai ser rápido, porque na época dos governos militares, os Generais-presidentes costumavam fazer longos discursos prestando contas aos brasileiros sobre os superávits da balança comercial.
Bom, de fato, o ano que termina não foi de todo ruim. Até que foi bom para os brasileiros em geral. Até a CPMF caiu no finalzinho deste 2007
O que dizer, então, a todos vocês para 2008, se eu sei – e eu sei que estou sendo desmancha-prazeres – que será tudo igual, de novo, daqui a 12 meses?
Ta bom, vai: Feliz Ano Novo.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

AGUA CONTRA A AIDS

O estado do Acre acaba de, involuntariamente, dar a maior contribuição cientifica para o combate efetivo às doenças sexualmente transmissiveis, especialmente a AIDS.
A imprensa noticiou, hoje, que uma fábrica de camisinhas (preservativos masculinos, para ser politicamente correto), deixou vazar num açude uma grande quantidade de látex, a borracha natural usada na fabricação do produto.
Pronto, esta resolvida a questão das DSTs no Brasil, principalmente em relação aos jovens, cuja maioria se recusa a usar as tais camisinhas, mesmo porque, para eles, o sexo acontece sempre que aparece a oportunidade, ao contrario dos adultos -- e principalmente os casados -- que só faltam agendarem seus relacionamentos sexuais. E muitos os agendam com meses de antecedência, né mesmo?
Basta colher a água daquele açude do Acre e distribui-la, gratuitamente, pelo pais afora.
Ou, então, jogar uma grande quantidade do látex usado para fabricação de camisinhas nas represas e rios desse Brasil varonil.
E ainda dizem que o Acre nunca deu nenhuma contribuição para o desenvolvimento do Brasil, além da morte de Chico Mendes e que tudo o que produziu até hoje foi o Ildebrando Pascoal, aquele deputado que costumava cortar com motoserra seus desafetos politicos e comerciais.

domingo, 23 de dezembro de 2007

Pão, vinho e humildade: Feliz Natal

“Eis o meu corpo, tomai e comei! Eis o meu sangue, tomai e bebei. Fazei isto em memória de mim, hoje e sempre”.
Segundo o Novo Testamento, esta frase foi presenciada por pelo menos 12 pessoas que estavam sentadas numa mesa em torno de um homem, a 1974 anos, se não me falha a memória, nem erro nas contas. Há um filme de Mel Brooks, A História do Mundo, onde aparecem 13 pessoas, sendo a 13ª o próprio Brooks, como garçom, mas isso não importa. Haveria, também, segundo o mesmo filme de Mel Brooks, uma 14ª pessoa, que teria registrado a cena, um tal de Leonardo, não se sabe ao certo, se bem que essa foto o teria tornado famoso até hoje. Tão famoso que sua foto foi copiada aos milhões – talvez bilhões – e encontra-se em quase todas as residências do mundo. Ganha de longe da foto de Che Guevara.
A frase não ficou gravada em nenhum fita cassete ou CD, nem mesmo num disco de vinil, não se sabe se por deficiência do sistema de sonorização durante o evento, ou porque naquela época ainda não existiam mesmo gravadores de som. No entanto, ficou registrada nos escritos de algumas daquelas 12 pessoas que participavam daquele jantar, por sinal, o ultimo na companhia daquele homem.
Tinha completado 33 anos fazia pouco tempo, cerca de tres ou quatro meses, salvo engano. Pelo menos para os padrões atuais, até que era jovem.
Ninguém ali sabia, a não ser ele próprio, que era sua última ceia na companhia de seus principais amigos, se bem que um deles, que dizem chamar-se Judas, não era tão amigo assim. A partir daquela noite, seriam 40 dias de puro sofrimento, dor, humilhações.....e morte.
Nascido aos 25 dias do mês de dezembro do ano que se tornou conhecido como Zero, tornou-se tão importante para a Humanidade, que o tempo passou a contar, para muitos povos, à partir do seu nascimento, segundo contam, em meio a vaquinhas de presépio – muito embora não houvesse, ainda, o Congresso Nacional brasileiro – e sob a luz de uma estrela, que guiou, de forma mais segura que os instrumentos daquele avião da Varig que ia para Belém e que se estrebuchou na Amazônia 1989 anos depois, os passos dos camelos daqueles três Reis que foram visita-lo ainda na manjedoura. Curiosamente, dizem que a estrela também era de Belém, mas não a Belém do avião da Varig, e nem a estrela era aquela que está na cauda dos aviões da companhia aérea brasileira.
Ao se despedir da vida terrena de seus 12 amigos, e, por meio deles, de todos os seus seguidores, foi humilde, pedindo-lhes que, ao comerem do pão e beberem do vinho, no futuro, o fizessem lembrando-se dele.
“1973, tanto tempo faz que ele morreu/o mundo se modificou/mas ninguém jamais o esqueceu”. Em plena ditadura militar brasileira, um cantor e compositor popular da chamada Jovem Guarda, fazia sucesso em todo o Brasil registrando, agora em vinil, o óbvio: ninguém jamais o esqueceu, embora Antonio Marcos tenha se enganado nas contas. Quando compôs a musica, faziam 1973 anos que Ele havia nascido, e não morrido.
Nem hoje, 1974 anos depois da sua morte, o esquecemos. Na noite de amanhã, comemoraremos seu aniversario de nascimento. Poucos meses depois, num dia que ficou conhecido como Páscoa, o seu renascimento.
Feliz Natal a todos. Com toda a humildade.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

QUE QUER O BISPO BAIANO ??

Eu compreendo perfeitamente o choro da atriz Leticia Sabatella diante da sede do Supremo Tribunal Federal, em Brasilia, quando foi prolatada a decisão que cassou a liminar impedindo as obras de transposição parcial -- e bota parcial nisso!! - do Rio São Francisco. Como haviam fotógrafos e cinegrafistas por perto, ela que, como toda boa -- e bota boa nisso, gente!!! - atriz tem que aparecer de qualquer jeito, abriu o berreiro -- mesmo porque, quem não chora não mama, principalmente uns pontinhos a mais no ibope.

A atitude do Bispo Luiz Cappio, de Barra, na Bahia, contudo, vem me impressionando muito mais do que as lagrimas de crocodi....., digo, da bela Sabatella -- com rima e tudo.

Como o país e o Vaticano sabem, Bispo Cappio entrou pela segunda vez em greve de fome, desde que o governo resolveu dar continuidade as obras de transposição do São Francisco, fracassadas que foram as negociações (não sei pra que tais negociaçoes) com a turma que parece desejar que a água para o sertão nordestino venha, apenas, da torneira de São Pedro.

As obras haviam sido paralisadas, também, por uma liminar judicial, porque estaria se averiguando se a transposição de menos de 1 por cento (isso aí, gente: menos de 1 por cento) de todo aquele aguaceiro do leito do rio para canais de irrigação sertão adentro, causaria algum dano ecológico, ou seja havia qualquer ilegalidade no projeto ou nos contratos para as obras.

O STF acabou decidindo que não. Os peixes não correm risco na piracema, as aves que lá gorjeiam continuarão gorjeando, as borboletas borboleteando, os macacos macaqueando....e alguns Bispos, praguejando. Também decidiu que -- por incrivel que pareça!! -- não há ilegalidade nem suspeita de falcatrua nos projetos, licitações, contratos. Bom, pelo menos por enquanto.

O sonho do aproveitamento das águas do Velho Chico para irrigação do sertão ou parte do sertão nordestino, acima da Bahia, vem de muito antes de Raquel de Queiróz haver escrito "O Quinze", onde retratava uma das maiores e trágicas secas ocorridas na região, no inicio do século passado. Na verdade, vem desde o Império, como do Império era o plano da construção da Capital do Brasil no centro-oeste, e da construção de uma ponte (ou tunel) que ligasse Rio de Janeiro a Niterói. O sonho de Brasilia realizou-se cerca de 80 anos depois de D. Pedro II, que a queria capital do Império, mas, em seu tumulo em Paris no final da década de 1950, não deve ter ficado bravo com Juscelino por te-la construido como capital da Republica. O tunel Rio-Niteroi foi convertido numa Ponte de 14 qulometros de extensão sobre a Baia da Guanabara, obra dos governos militares pós-revolução de 1964. D. Pedro II também não deve ter se revirado no tumulo, nem mesmo sendo a obra construida pelos militares, da mesma estirpe ditatorial daqueles que o derrubaram do poder em 1889, ainda mais porque a ponte ficou muito mais bonita do que ficaria um tunel -- que ninguém veria ao chegar de avião ou de navio á cidade maravilhosa.

Faltava o sonho da transposição do Rio São Francisco, que tomou algum impulso no governo de Fernando Henrique Cardoso e Lula resolveu botar, realmente, em prática -- convocou até Geddel Vieira Lima, o deputado baiano tão "arretado" como o Bispo Cappio, para tocar pra fente o negócio, fazendo-o Ministro da Integração Nacional.

A tansposição do rio não lhe prejudicara em nada, seja o leito, seja a vazão, seja o ecossistema, seja o que for. Estudos do IBAMA e dos demais Institutos envolvidos demonstram claramente isso.

Ao mesmo tempo, resolverá, de fato e perenemente, o problema da seca em grande parte do sertão nordestino, podendo acabar com a miséria, com a fome, ajudando até a, quem sabe daqui a 100 ou 200 anos, acabar com as favelas de São Paulo, Baureri, Carapicuiba, Osasco -- cidades do suposto sul maravilha que ao longo do ultimo século recebeu milhões de nordestinos, alguns vindos nos paus-de-arara (o presidente Lula diz que foi um deles), fugindo da miséria causada pela falta de água a irrigar seu solo.

Até agora não vi um unico argumento lógico, um unico argumento aceitável, dentre aqueles que se dizem contra a transposição parcial do São Francisco.

Então, volto a dizer: compreendo as lagrimas da Sabatella. Mas não dá para compreender a picuinha do Bispo Luiz Cappio. Não dá, mesmo.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

OS TARADOS DE ELITE

Há alguns anos, um menino, buscado numa das favelas de São Paulo por um grande cineasta argentino chamado Hector Babenco, foi a grande estrela de um filme que rodou o mundo e tornou-se um ícone da cinematografia brasileira: era Fernando Ramos da Silva, então com apenas 9 anos de idade. O filme, Pixote - a lei do mais fraco.
Sucesso absoluto de critica e publico, a interpretação do pequeno Fernando Ramos da Silva não fez feio diante das atrizes Marilia Pera, Elke Maravinha, e outros grandes que participaram do filme. Nem Fernando, nem seus amigos também de favela que interpretaram seus companheiros de Febem e das ruas de São Paulo. Foi contratado pela TV Globo e chegou a participar de umas duas novelas, até que foi lançado, de novo, no olho da rua. Diziam que era meio indisciplinado.
Não era, não. Era, apenas, uma criança pobre que interpretou muito bem o papel de saco-de-pancada da vida, da policia e dos monitores da Febem, porque esse era seu mundo real. Nas novelas da Globo, tudo era ficticio: os cenários, as ruas, os personagens.
Tempos depois, já com cerca de 20 anos de idade, Fernando Ramos da Silva morreu como qualquer Pixote: fuzilado por policiais tarados, debaixo de uma cama de um casebre de São Bernardo do Campo, onde morava, porque havia furtado uma porcaria qualquer -- porcaria, mesmo, não é força de expressão não. Fernando não estava armado, não estava drogado. Apenas, fugiu dos policiais após haver cometido um pequeno furto, entrou em seu barraco e se escondeu debaixo da cama. Não esboçou reação ao ser localizado, mas os tarados o fuzilaram.
Nessa semana, policiais da cidade de Bauru, no estado de São Paulo, invadiram um casebre de periferia, a procura de um rapaz que teria supostamente furtado uma moto. O menino estava dormindo. Entraram em seu "quarto" (um cômodo do casebre) o tiraram da cama e o torturaram com choques elétricos por todo o corpo. Um tenente comandava a quadrilha de assassinos. Um tenente mentiroso, provavelmente corrupto, e, certamente, tarado. Disse que não viu as torturas de seus subordinados, porque estava a procura de drogas pela casa e que teria até encontrado um tijolo de 350 gramas de maconha. Tudo mentira, desde a maconha que não encontrou porcaria nenhuma, até não haver presenciado e participado da tortura. E a tal moto que, disseram, o menino havia furtado, estaria no quintal da casa. Portanto, nem foi para que ele confessasse o crime e dissesse onde ela estava que foi torturado.
O menino tinha 15 anos de idade. Morreu, em razão de inumeros choques elétricos pelo corpo. O Tenente que nunca deveria ter sido nem soldado -- alias, não deveria ter nem nascido -- deu voz de prisão aos seus subordinados, como se eles fosse os unicos culpados. Terminou preso, também, pelo Comando superior da PM. Pena que aquele raio que um dia o FErnando Henrique CArdoso disse que caiu em Bauru e causou aquele grande apagão energético no pais quase todo, h[a uns 6 ou 7 anos atrás, não tenha, agora, caido de novo sobre a viatura que os conduzia para a prisão militar. Quem sabe morressem, todos, do mesmo choque que o menino de 15 anos que assassinaram barbara e friamente, tal como aquele personagem bandido do filme Tropa de Elite, sobre o BOPE carioca, que tanto sucesso andou fazendo, que colocou fogo em dois estudantes.
Por falar em Tropa de Elite e policiais tarados, o festejado Capitão Nascimento também era um. Não sei se na vida real -- a julgar pela foto que saiu nos jornais, mostrando o inspirador do personagem, eu acho que é. O Capitão Nascimento do BOPE, no filme, faz questão de atirar no rosto do bandido já absolutamente dominado, numa das cenas finais, porque ele, o bandido, sabendo que iria morrer executado num crime cometido por um agente da policia, lhe pede que não atire no rosto, para "não estragar o funeral".
As cenas do filme Tropa de Elite são reais. Não que tenham sido filmadas em ações reais da policia, não. Mas elas acontecem diariamente nos morros cariocas, paulistas, soteropolitanos e de quase todas as médias e grandes cidades brasileiras. Acontecem, também, nas pequenas cidades.
Supostos bandidos -- a maioria pés-de-chinelo -- são abusados, com um prazer sexual, pelos agentes policiais, sejam militares ou civis. A tortura existe mais nas delegacias de policia do que nas ruas, porque compete à policia civil reaizar investigações e inquéritos e usa-se da maquininha de choque -- se não me engano, chamada maricota em alguns lugares -- para colher-se a grande prova, que seria a confissão do ladrão de galinhas. Poucos são os policiais civis brasileiros que não têm uma maricota escondida. Os tarados que não têm, viram-se com fios desencapados, como foi o caso daqueles de Bauru. Acho mesmo que estava afinzões de fazer amor com aquele menino de 15 anos -- talvez com o corpo malhado -- e ele não quiz nada com eles. Então descontaram suas taras sexuais pelo menino, sentindo prazer em ve-lo estrebuchar-se a cada descarga elétrica recebida. Dizem que as descargas elétricas ativam o órgão sexual. Aquele tenente e seus soldados devem ter ficado "loouuuucooss" ao ver o pênis do rapaz ficar ereto durante a sessão de tortura.
Fico pensando porque o prazer de certos policiais de torturarem, de produzirem o sofrimento, ainda que psicológico.
A maioria das vitimas da tortura fisica são pobres e do sexo masculino. E são jovens. E são torturados por tarados policiais do sexo masculino -- bom, pelo menos é o que consta das suas fichas.
Já as vitimas da tortura psicológica são de classe média para alta, geralmente famosas. A tortura psicológica foi cometida, por exemplo, por aquele policial que trouxe Flavio Maluf -- o filho do famoso Paulo Maluf -- do interior para a Capital paulista, ano retrasado, sem qualquer algema, mas, diante das câmeras, fez questão de algema-lo, lembram-se?? Pura tortura psicologica sobre sua vitima. Puro prazer quase sexual em humilhar a vitima perante as câmeras da Globo, Record, RedeTV, SBT e que, sabe, até da TV Senado.
O que mais preocupa é que esses casos de policiais assim a gente costuma dizer que seriam uma minoria.
Nõ são não. Infelizmente, se ainda são minoria, estão aumentando estupidamente a cada ano.
E são festejados.
Afinal, quantos personagens-policiais voces contam no filme Tara...., desculpe, Tropa de Elite, que se postaram contra os métodos de investigação do Capitão Nascimento?