sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

AGUA CONTRA A AIDS

O estado do Acre acaba de, involuntariamente, dar a maior contribuição cientifica para o combate efetivo às doenças sexualmente transmissiveis, especialmente a AIDS.
A imprensa noticiou, hoje, que uma fábrica de camisinhas (preservativos masculinos, para ser politicamente correto), deixou vazar num açude uma grande quantidade de látex, a borracha natural usada na fabricação do produto.
Pronto, esta resolvida a questão das DSTs no Brasil, principalmente em relação aos jovens, cuja maioria se recusa a usar as tais camisinhas, mesmo porque, para eles, o sexo acontece sempre que aparece a oportunidade, ao contrario dos adultos -- e principalmente os casados -- que só faltam agendarem seus relacionamentos sexuais. E muitos os agendam com meses de antecedência, né mesmo?
Basta colher a água daquele açude do Acre e distribui-la, gratuitamente, pelo pais afora.
Ou, então, jogar uma grande quantidade do látex usado para fabricação de camisinhas nas represas e rios desse Brasil varonil.
E ainda dizem que o Acre nunca deu nenhuma contribuição para o desenvolvimento do Brasil, além da morte de Chico Mendes e que tudo o que produziu até hoje foi o Ildebrando Pascoal, aquele deputado que costumava cortar com motoserra seus desafetos politicos e comerciais.

domingo, 23 de dezembro de 2007

Pão, vinho e humildade: Feliz Natal

“Eis o meu corpo, tomai e comei! Eis o meu sangue, tomai e bebei. Fazei isto em memória de mim, hoje e sempre”.
Segundo o Novo Testamento, esta frase foi presenciada por pelo menos 12 pessoas que estavam sentadas numa mesa em torno de um homem, a 1974 anos, se não me falha a memória, nem erro nas contas. Há um filme de Mel Brooks, A História do Mundo, onde aparecem 13 pessoas, sendo a 13ª o próprio Brooks, como garçom, mas isso não importa. Haveria, também, segundo o mesmo filme de Mel Brooks, uma 14ª pessoa, que teria registrado a cena, um tal de Leonardo, não se sabe ao certo, se bem que essa foto o teria tornado famoso até hoje. Tão famoso que sua foto foi copiada aos milhões – talvez bilhões – e encontra-se em quase todas as residências do mundo. Ganha de longe da foto de Che Guevara.
A frase não ficou gravada em nenhum fita cassete ou CD, nem mesmo num disco de vinil, não se sabe se por deficiência do sistema de sonorização durante o evento, ou porque naquela época ainda não existiam mesmo gravadores de som. No entanto, ficou registrada nos escritos de algumas daquelas 12 pessoas que participavam daquele jantar, por sinal, o ultimo na companhia daquele homem.
Tinha completado 33 anos fazia pouco tempo, cerca de tres ou quatro meses, salvo engano. Pelo menos para os padrões atuais, até que era jovem.
Ninguém ali sabia, a não ser ele próprio, que era sua última ceia na companhia de seus principais amigos, se bem que um deles, que dizem chamar-se Judas, não era tão amigo assim. A partir daquela noite, seriam 40 dias de puro sofrimento, dor, humilhações.....e morte.
Nascido aos 25 dias do mês de dezembro do ano que se tornou conhecido como Zero, tornou-se tão importante para a Humanidade, que o tempo passou a contar, para muitos povos, à partir do seu nascimento, segundo contam, em meio a vaquinhas de presépio – muito embora não houvesse, ainda, o Congresso Nacional brasileiro – e sob a luz de uma estrela, que guiou, de forma mais segura que os instrumentos daquele avião da Varig que ia para Belém e que se estrebuchou na Amazônia 1989 anos depois, os passos dos camelos daqueles três Reis que foram visita-lo ainda na manjedoura. Curiosamente, dizem que a estrela também era de Belém, mas não a Belém do avião da Varig, e nem a estrela era aquela que está na cauda dos aviões da companhia aérea brasileira.
Ao se despedir da vida terrena de seus 12 amigos, e, por meio deles, de todos os seus seguidores, foi humilde, pedindo-lhes que, ao comerem do pão e beberem do vinho, no futuro, o fizessem lembrando-se dele.
“1973, tanto tempo faz que ele morreu/o mundo se modificou/mas ninguém jamais o esqueceu”. Em plena ditadura militar brasileira, um cantor e compositor popular da chamada Jovem Guarda, fazia sucesso em todo o Brasil registrando, agora em vinil, o óbvio: ninguém jamais o esqueceu, embora Antonio Marcos tenha se enganado nas contas. Quando compôs a musica, faziam 1973 anos que Ele havia nascido, e não morrido.
Nem hoje, 1974 anos depois da sua morte, o esquecemos. Na noite de amanhã, comemoraremos seu aniversario de nascimento. Poucos meses depois, num dia que ficou conhecido como Páscoa, o seu renascimento.
Feliz Natal a todos. Com toda a humildade.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

QUE QUER O BISPO BAIANO ??

Eu compreendo perfeitamente o choro da atriz Leticia Sabatella diante da sede do Supremo Tribunal Federal, em Brasilia, quando foi prolatada a decisão que cassou a liminar impedindo as obras de transposição parcial -- e bota parcial nisso!! - do Rio São Francisco. Como haviam fotógrafos e cinegrafistas por perto, ela que, como toda boa -- e bota boa nisso, gente!!! - atriz tem que aparecer de qualquer jeito, abriu o berreiro -- mesmo porque, quem não chora não mama, principalmente uns pontinhos a mais no ibope.

A atitude do Bispo Luiz Cappio, de Barra, na Bahia, contudo, vem me impressionando muito mais do que as lagrimas de crocodi....., digo, da bela Sabatella -- com rima e tudo.

Como o país e o Vaticano sabem, Bispo Cappio entrou pela segunda vez em greve de fome, desde que o governo resolveu dar continuidade as obras de transposição do São Francisco, fracassadas que foram as negociações (não sei pra que tais negociaçoes) com a turma que parece desejar que a água para o sertão nordestino venha, apenas, da torneira de São Pedro.

As obras haviam sido paralisadas, também, por uma liminar judicial, porque estaria se averiguando se a transposição de menos de 1 por cento (isso aí, gente: menos de 1 por cento) de todo aquele aguaceiro do leito do rio para canais de irrigação sertão adentro, causaria algum dano ecológico, ou seja havia qualquer ilegalidade no projeto ou nos contratos para as obras.

O STF acabou decidindo que não. Os peixes não correm risco na piracema, as aves que lá gorjeiam continuarão gorjeando, as borboletas borboleteando, os macacos macaqueando....e alguns Bispos, praguejando. Também decidiu que -- por incrivel que pareça!! -- não há ilegalidade nem suspeita de falcatrua nos projetos, licitações, contratos. Bom, pelo menos por enquanto.

O sonho do aproveitamento das águas do Velho Chico para irrigação do sertão ou parte do sertão nordestino, acima da Bahia, vem de muito antes de Raquel de Queiróz haver escrito "O Quinze", onde retratava uma das maiores e trágicas secas ocorridas na região, no inicio do século passado. Na verdade, vem desde o Império, como do Império era o plano da construção da Capital do Brasil no centro-oeste, e da construção de uma ponte (ou tunel) que ligasse Rio de Janeiro a Niterói. O sonho de Brasilia realizou-se cerca de 80 anos depois de D. Pedro II, que a queria capital do Império, mas, em seu tumulo em Paris no final da década de 1950, não deve ter ficado bravo com Juscelino por te-la construido como capital da Republica. O tunel Rio-Niteroi foi convertido numa Ponte de 14 qulometros de extensão sobre a Baia da Guanabara, obra dos governos militares pós-revolução de 1964. D. Pedro II também não deve ter se revirado no tumulo, nem mesmo sendo a obra construida pelos militares, da mesma estirpe ditatorial daqueles que o derrubaram do poder em 1889, ainda mais porque a ponte ficou muito mais bonita do que ficaria um tunel -- que ninguém veria ao chegar de avião ou de navio á cidade maravilhosa.

Faltava o sonho da transposição do Rio São Francisco, que tomou algum impulso no governo de Fernando Henrique Cardoso e Lula resolveu botar, realmente, em prática -- convocou até Geddel Vieira Lima, o deputado baiano tão "arretado" como o Bispo Cappio, para tocar pra fente o negócio, fazendo-o Ministro da Integração Nacional.

A tansposição do rio não lhe prejudicara em nada, seja o leito, seja a vazão, seja o ecossistema, seja o que for. Estudos do IBAMA e dos demais Institutos envolvidos demonstram claramente isso.

Ao mesmo tempo, resolverá, de fato e perenemente, o problema da seca em grande parte do sertão nordestino, podendo acabar com a miséria, com a fome, ajudando até a, quem sabe daqui a 100 ou 200 anos, acabar com as favelas de São Paulo, Baureri, Carapicuiba, Osasco -- cidades do suposto sul maravilha que ao longo do ultimo século recebeu milhões de nordestinos, alguns vindos nos paus-de-arara (o presidente Lula diz que foi um deles), fugindo da miséria causada pela falta de água a irrigar seu solo.

Até agora não vi um unico argumento lógico, um unico argumento aceitável, dentre aqueles que se dizem contra a transposição parcial do São Francisco.

Então, volto a dizer: compreendo as lagrimas da Sabatella. Mas não dá para compreender a picuinha do Bispo Luiz Cappio. Não dá, mesmo.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

OS TARADOS DE ELITE

Há alguns anos, um menino, buscado numa das favelas de São Paulo por um grande cineasta argentino chamado Hector Babenco, foi a grande estrela de um filme que rodou o mundo e tornou-se um ícone da cinematografia brasileira: era Fernando Ramos da Silva, então com apenas 9 anos de idade. O filme, Pixote - a lei do mais fraco.
Sucesso absoluto de critica e publico, a interpretação do pequeno Fernando Ramos da Silva não fez feio diante das atrizes Marilia Pera, Elke Maravinha, e outros grandes que participaram do filme. Nem Fernando, nem seus amigos também de favela que interpretaram seus companheiros de Febem e das ruas de São Paulo. Foi contratado pela TV Globo e chegou a participar de umas duas novelas, até que foi lançado, de novo, no olho da rua. Diziam que era meio indisciplinado.
Não era, não. Era, apenas, uma criança pobre que interpretou muito bem o papel de saco-de-pancada da vida, da policia e dos monitores da Febem, porque esse era seu mundo real. Nas novelas da Globo, tudo era ficticio: os cenários, as ruas, os personagens.
Tempos depois, já com cerca de 20 anos de idade, Fernando Ramos da Silva morreu como qualquer Pixote: fuzilado por policiais tarados, debaixo de uma cama de um casebre de São Bernardo do Campo, onde morava, porque havia furtado uma porcaria qualquer -- porcaria, mesmo, não é força de expressão não. Fernando não estava armado, não estava drogado. Apenas, fugiu dos policiais após haver cometido um pequeno furto, entrou em seu barraco e se escondeu debaixo da cama. Não esboçou reação ao ser localizado, mas os tarados o fuzilaram.
Nessa semana, policiais da cidade de Bauru, no estado de São Paulo, invadiram um casebre de periferia, a procura de um rapaz que teria supostamente furtado uma moto. O menino estava dormindo. Entraram em seu "quarto" (um cômodo do casebre) o tiraram da cama e o torturaram com choques elétricos por todo o corpo. Um tenente comandava a quadrilha de assassinos. Um tenente mentiroso, provavelmente corrupto, e, certamente, tarado. Disse que não viu as torturas de seus subordinados, porque estava a procura de drogas pela casa e que teria até encontrado um tijolo de 350 gramas de maconha. Tudo mentira, desde a maconha que não encontrou porcaria nenhuma, até não haver presenciado e participado da tortura. E a tal moto que, disseram, o menino havia furtado, estaria no quintal da casa. Portanto, nem foi para que ele confessasse o crime e dissesse onde ela estava que foi torturado.
O menino tinha 15 anos de idade. Morreu, em razão de inumeros choques elétricos pelo corpo. O Tenente que nunca deveria ter sido nem soldado -- alias, não deveria ter nem nascido -- deu voz de prisão aos seus subordinados, como se eles fosse os unicos culpados. Terminou preso, também, pelo Comando superior da PM. Pena que aquele raio que um dia o FErnando Henrique CArdoso disse que caiu em Bauru e causou aquele grande apagão energético no pais quase todo, h[a uns 6 ou 7 anos atrás, não tenha, agora, caido de novo sobre a viatura que os conduzia para a prisão militar. Quem sabe morressem, todos, do mesmo choque que o menino de 15 anos que assassinaram barbara e friamente, tal como aquele personagem bandido do filme Tropa de Elite, sobre o BOPE carioca, que tanto sucesso andou fazendo, que colocou fogo em dois estudantes.
Por falar em Tropa de Elite e policiais tarados, o festejado Capitão Nascimento também era um. Não sei se na vida real -- a julgar pela foto que saiu nos jornais, mostrando o inspirador do personagem, eu acho que é. O Capitão Nascimento do BOPE, no filme, faz questão de atirar no rosto do bandido já absolutamente dominado, numa das cenas finais, porque ele, o bandido, sabendo que iria morrer executado num crime cometido por um agente da policia, lhe pede que não atire no rosto, para "não estragar o funeral".
As cenas do filme Tropa de Elite são reais. Não que tenham sido filmadas em ações reais da policia, não. Mas elas acontecem diariamente nos morros cariocas, paulistas, soteropolitanos e de quase todas as médias e grandes cidades brasileiras. Acontecem, também, nas pequenas cidades.
Supostos bandidos -- a maioria pés-de-chinelo -- são abusados, com um prazer sexual, pelos agentes policiais, sejam militares ou civis. A tortura existe mais nas delegacias de policia do que nas ruas, porque compete à policia civil reaizar investigações e inquéritos e usa-se da maquininha de choque -- se não me engano, chamada maricota em alguns lugares -- para colher-se a grande prova, que seria a confissão do ladrão de galinhas. Poucos são os policiais civis brasileiros que não têm uma maricota escondida. Os tarados que não têm, viram-se com fios desencapados, como foi o caso daqueles de Bauru. Acho mesmo que estava afinzões de fazer amor com aquele menino de 15 anos -- talvez com o corpo malhado -- e ele não quiz nada com eles. Então descontaram suas taras sexuais pelo menino, sentindo prazer em ve-lo estrebuchar-se a cada descarga elétrica recebida. Dizem que as descargas elétricas ativam o órgão sexual. Aquele tenente e seus soldados devem ter ficado "loouuuucooss" ao ver o pênis do rapaz ficar ereto durante a sessão de tortura.
Fico pensando porque o prazer de certos policiais de torturarem, de produzirem o sofrimento, ainda que psicológico.
A maioria das vitimas da tortura fisica são pobres e do sexo masculino. E são jovens. E são torturados por tarados policiais do sexo masculino -- bom, pelo menos é o que consta das suas fichas.
Já as vitimas da tortura psicológica são de classe média para alta, geralmente famosas. A tortura psicológica foi cometida, por exemplo, por aquele policial que trouxe Flavio Maluf -- o filho do famoso Paulo Maluf -- do interior para a Capital paulista, ano retrasado, sem qualquer algema, mas, diante das câmeras, fez questão de algema-lo, lembram-se?? Pura tortura psicologica sobre sua vitima. Puro prazer quase sexual em humilhar a vitima perante as câmeras da Globo, Record, RedeTV, SBT e que, sabe, até da TV Senado.
O que mais preocupa é que esses casos de policiais assim a gente costuma dizer que seriam uma minoria.
Nõ são não. Infelizmente, se ainda são minoria, estão aumentando estupidamente a cada ano.
E são festejados.
Afinal, quantos personagens-policiais voces contam no filme Tara...., desculpe, Tropa de Elite, que se postaram contra os métodos de investigação do Capitão Nascimento?

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

MENTIRA E ARROGÂNCIA DÁ NISSO

Mentiroso e arrogante. O presidente Luiz Inacio Lula da Silva e o Partido dos Trabalhadores. Esse foi o recado enviado pela oposição real ao Palacio do Planalto e seus beneficiários na votação da emenda que prorrogaria a CPFM, na madrugada de quinta para sexta-feira ultima.
Lula começou seu primeiro mandato, em 2003, tão arrogante, como o suposto metalurgico que chegou à presidência da Republica, que sua mulher Marisa não teve escrupulos em transformar um canteiro dos jardins do Palacio da Alvorada em estrela do PT, como mostraram diversas reportagens fotográficas publicadas em vários orgãos de imprensa na época. Comportava-se, o presidente, seus familiares e seguidores do partido, como aquele sujeito mediocre que "sube em caixa de fósforo e já quer fazer discurso", como numa antiga piada politicamente incorreta.
Continuou se comportando dessa maneira arrogante até a presente data. Seus seguidores, também. Além de arrogância, as mentiras deslavadas, desde o prometido "espetáculo de crescimento" para junho de 2003, jamais realizado, até o PAC - Plano de Aceleração da Economia, que, na prática, não saiu do papel e de algumas obras que o TCU já embargou como superfaturadas e eivadas de outras falcatruas.
Foram tantas as mentiras que a parcela independente dos Senadores da República chamados a votar a emenda da CPMF na quinta-feira, não deram crédito nem à assinatura de Lula aposta no documento onde se comprometia, tarde demais, a investir todo o dinheiro a ser arrecadado no proximo ano com o tributo na área da Saúde. Pra dizer bem a verdade, seu eu fosse Lula dava uns tapas no assessor imbecil que o aconselhou a assinar aquele documento idiota. Se o assessor tivesse um minimo de bom senso, e Lula também, saberia que, caso não desse certo a manobra, estaria desmoralizado pelos Senadores perante a opinão publica. E foi exatamente isso o que aconteceu: os Senadores, ao não darem bola para o compromisso escrito, mandaram um recado ao presidente, no sentido de que não acreditam na sua palavra, nem quando acompanhada de um documento assinado. Ou seja, jamais comprariam de suas mãos um carro usado, para usar a expressão corriqueira entre os Norte-americanos.
É verdade. Quem tem acesso a informação nesse pais, e capacidade intelectual minima para processar as informações a que tem acesso, não acredita numa unica palavra do que diz o presidente Luiz Inacio Lula da Silva.
Não diz a verdade, quando afirma que criou o bolsa-familia para diminiuir a miséria. O bolsa-familia não passa da união numa unica cesta de todos os programas assistenciais disponibilizados em moeda corrente aos carentes, criados desde o governo de José Sarney e, alguns, oriundos até mesmo dos governos do regime militar pós-64. Mudaram-se os nomes, as siglas, principalmente durante o governo FHC, mas a coisa é a mesma. Não diz a verdade quando fala em estabilidade econômica. A estabilidade da economia e da moeda brasileiras, foram alcançadas com o Plano Real, de Fernando Henrique Cardoso, na época do governo Itamar Franco, e possivel, graças a politica da livre concorrência internacional e nacional no mercado interno, estabelecida por Fernando Collor de Melo.
A propria CPMF - Contribuição Provisória sobre Movimentações Financeiras -- criada inicialmente como IPMF, equivocadamente -- surgiu na administração de Fernando Henrique e lastrada numa mentira: a de que financiaria a Saúde, quando, desde o inicio, grande parte da arrecadação era destinada a outros fins menos nobres. Lula, cujo partido, sob sua batuta, fechou questão contra o imposto, passou a defendê-lo com unhas e dentes quando sentou-se na cadeira de FHC e viu que, para comprar goiabada para o Palacio, como FHC comprou com o dinheiro do FAT - Fundo de Amparo ao Trabalhador, que financia o Seguro desemprego -- necessitaria da tal CPMF. Ou seja, ser contra a CPMF era uma mentira de campanha, ou visando a campanha sucessoria a FHC.
A arrogância demonstrada no inicio do governo, permaneceu ao longo desses 5 anos. Recentemente, declarou nosso preclaro presidente, que poderia "não ter os diplomas de FHC, mas que era melhor presidente que ele". Bravata, arrogância, pedantismo: se não fosse o governo FHC -- do qual, diga-se, não sou simpatizante, porque a sua politica econômica de estabilidade foi feita às custas de falências e desgraças para a classe média que é o sustentáculo desse pais -- a entregar-lhe de bandeja um pais economicamente estabilizado, o Brasil hoje, sob seu governo, não passaria de uma das republiquetas de Bananas, como vem se transformando nações governadas por seus amigos Hugo Chavez e Evo Morales.
Essa arrogância permaneceu, na sua turma, mesmo depois do vexame da derrota da CPMF no Senado dois dias atrás. Tarso Genro, seu ministro da Justiça -- e eu que pensei que não pudesse vir coisa pior do que Márcio Thomáz Bastos -- declarou, hoje, que FHC e o PSDB teriam inveja de Lula.
É a primeira vez que vejo alguém ter inveja de perdedores e mantirosos.
A mentira e a arrogância, unidas, deram no que deram. E vão dar em muito mais.

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

O IRRESISTIVEL CLICK

Por quê um ladrãozinho qualquer aceita falar nos microfones de um repórter daqueles programas sensacionalistas policialescos das emissoras popularescas, quando são presos e mostrados em situação humilhante perante as câmeras, se sabem que aquela reportagem somente servirá para denegrir sua imagem perante a familia, amigos, filhos e, muitas vezes, para suas declarações serem usadas como confissão no inquérito e a unica intenção do apresentador do programa, do repórter e da emissora é conseguir uma boa audiência para ganharem um bom dinheiro com a propaganda, sem dar-lhe um unico centavo de comissão?
Por quê um politico qualquer pego supostamente num ato pouco ético ou nada ético, ou acusado de corrupção, ou de ter uma amante às escondidas, insiste em dar entrevistas para a imprensa, sabendo que será, apenas, ridicularizado pelos comentaristas e apresentadores dos telejornais, quando transmitirem a matéria, muitas vezes editando-a de forma a escamotear da opinião publica suas justificativas ou defesa?
Por quê um foragido da Justiça aceita dar entrevistas "em lugar reservado" para emissoras de televisão, sabendo que esta entrevista será, obviamente, repassada às autoridades para que tentem descobrir onde o foragido se encontra para que possam prende-lo?

Há alguns anos, ao ver no programa Globo Repórter uma entrevista com aquela famossissima advogada Georgina de Freitas, que teria fraudado o INSS em centenas de milhões de reais, segundo divulgado pelas autoridades e propagandeado pela imprensa em geral, comentei que ela acabava de fazer a maior besteira da vida dela. Segundo a reportagem, Georgina havia concedido a entrevista num pais da região do Caribe, onde estaria foragida da Justiça, "sob o compromisso da Globo de não divulgar o local onde se encontrava". Duas semanas depois, estava presa na Policia Federal, que descobriu o tal pais e até seu endereço. Era obvio que alguém da Globo dedou sua localização.

Quando ainda era estudante de direito no Rio de Janeiro, costumava frequentar com assiduidade as sessões de julgamentos nos Tribunais do Juri do Forum local, e assistir a audiências nos processos publicos, sempre que podia, principalmente nos periodos de férias. Num desses julgamentos, o promotor de Justiça apresentou a gravação de uma entrevista concedida pelo réu a uma radio da cidade, onde confessava o crime ao repórter que o entrevistava, dando detalhes de seu cometimento. O réu, perante o Juiz, negara por duas vezes ser o autor do crime. O advogado que o defendia protestou, mas o juiz permitiu que os jurados ouvissem aquela gravação. O Juiz até teve o cuidado de mandar que o oficial de justiça colocasse, primeiro, apenas um pequeno trecho do inicio da entrevista, e perguntou ao Réu se aquela era mesmo a voz dele. Quando o réu respondeu que sim, o juiz permitiu que o restante da entrevista fosse ouvida pelos jurados. O Promotor de Justiça praticamente não tinha provas concretas contra o réu: suas testemunhas eram fracas, nenhuma delas havia realmente presenciado o cometimento do crime; a arma do crime, uma faca, jamais fora encontrada pela policia; não foram encontrados vestigios de sangue nas roupas usadas pelo réu, e, por fim, o réu negava, em juizo, ser o seu autor. Tudo estava a seu favor para a sua absolvição pelos jurados, não fosse aquele raio de entrevista, que acabou por convencer o Conselho de Sentença de que fora ele mesmo quem cometera o crime. O sujeito levou 6 anos de cadeia nas fuças, por causa de uma entrevista.

Há pouco tempo, na minha cidade de Itajubá, o jornal Itajubá Noticias publicou uma entrevista com um empresario, onde ele dizia haver sido arrendatario de uma radio local, e envolvia na trasação, como se fossem seus sócios, duas outras pessoas, inclusive o atual prefeito da cidade. Um ex-empregado da radio entrou com ação na Justiça do Trabalho, reclamando um monte de direitos trabalhistas, e propos a ação contra a Radio (empresa) e contra seus supostos arrendatarios (aquele empresario falastrão e seus dois amigos). Não havia um unico documento que comprovasse a sociedade entre o empresario que falou demais, o prefeito e o outro suposto socio. Mas aquela entrevista levou a Justiça do TRabalho, em duas instâncias, a reconhecer que os tres seriam os arrendatarios, e a condena-los a pagar os direitos do ex-empregado. Um deles, que não era o falastrão, foi quem se estrumbicou feio, porque terminou pagando tudo sozinho, porque a Justiça bloqueou uma conta bancaria sua e sequestrou a grana para pagar o ex-empregado da Radio.

Na edição dessa semana da revista Veja, li uma extensa entrevista com a ex-primeira dama Rosane Collor, agora também ex-mulher do ex-presidente e atual senador Fernando Collor de Melo. Fazem 15 anos que Fernando Collor deixou a presidência da Republica diante da mais hedionda e difamatória campanha já feita contra um presidente da Republica desde os tempos em que Gelulio Vargas era escrachado pelo jornalista Carlos Lacerda, então proprietário do jornal Ultima Hora carioca, na década de 1950.

A reportagem com Rosane Collor somente a denegria e denegria ainda mais a imagem do ex-presidente, insistindo em coloca-lo para a opinião publica como um corrupto e a ela, Rosane, como uma dondoca irresponsável, apesar de Collor de Mello haver sido absolvido de todas as acusações de corrupção, concussão e até de roubar pirulito de criança que lhe fizeram na época, entre 1990 e 1992, quando a politicalha suja que crassa nesse pais, aliada a um empresariado descontente com a saudável concorrência externa de produtos importados liberada por Collor de Melo, aliada a boa parte do mundo artistico e intelectual que, antes de Collor, vivia nas tetas do governo, e, aliada, por fim, aos setores da midia nacional que depende, para sobreviver, da publicidade dos grandes empresarios e banqueiros nacionais, o derrubou do Poder.

E, mesmo assim, com Veja tendo participado ativamente daquela campanha suja, inclusive com fotos mentirosas de capa sobre os jardins da Casa da Dinda, Rosane Collor, que sabia que seria ridicularizada na edição daquela entrevista, a concedeu.

Pombas...

Por quê Georgina de Freitas concedeu á Globo uma entrevista que a levaria para a cadeia?

Por quê aquele réu do Rio de Janeiro concedeu a uma Radio uma entrevista que lhe rendeu 6 anos de xilindró?

Por quê bandidos comuns aceitam ser ridularizados perante todo o pais nas entrevistas que concedem semi-nus e algemados, tendo atras de si um painel com propaganda da Policia, a programas policialescos de televisão?

Porque não aguentam -- ou não aguentamos, todos nós, bandidos ou não -- o som irresistivel de um click de máquina fotográfica, o refletor de uma câmera de televisão, os microfones de uma rádio ou gravador de som.

Somos, todos, bandidos ou não, verdadeiros idiotas.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

EU NÃO FALEI??

Quando comentei aqui o caso da menina de 15 anos presa naquela cidadezinha do Pará, na mesma cela onde estavam um montão de marmanjões, por mais de 20 dias, onde sofreu toda sorte de abusos sexuais até por um prato de comida, disse que aquilo era um retrato do que acontecia nesse Brasil varonil de norte a sul.
Na semana passada, estourou escândalo no estado do Paraná, um dos mais desenvolvidos e supostamente cultos do Sul maravinha desse pais, provando que os abusos e descasos por parte de policiais, carcereiros, delegados, promotores de justiça e juizes não estão confinados ao norte e nordeste, de gente pobre e supostamente inculta.
Ôtoridades existem do Oipapoque ao Chuí, ficou comprovado.
No caso do Paraná, além da hiperlotação das celas das delegacias -- num dos casos tinha mais de 20 numa cela construida para abrigar 4 detentos -- acorrenta-se presos a pilastras, onde ficam sem comida por dias a fio.
Lembro-me que na Delegacia de Itajubá, no Sul de Minas, há uns 20 e tantos anos atrás, era comum a gente encontrar presos acorrentados, durante toda a noite, em botijões de gás, até que a douta autoridade policial (o delegado de policia) resolvesse aparecer na manhã seguinte -- e por manhã seguinte leia-se 10, 11 horas -- para ver se era ou não o caso de se lavrar flagrante contra o sujeito. Não sei se isso ainda ocorre por lá, mas até é possivel que sim.
A delegada de policia daquela cidade paranaense argumentou que, embora reconheça que a situação dos presos fosse degradante, "mais degradante era a situação das vitimas de seus crimes de furto, roubo, etc...".
O diabo é que essa mulher ainda está no cargo!!!!!
Deveria ser demitida sumariamente até que frequentasse regularmente uma escola primária e alguém lhe ensinasse como pesquisar no Dicionário do Aurélio, ou no Houaiss -- tanto faz -- o significado da expressão "degradante".
Não tem nada de degradante na situação de quem sofre um furto ou mesmo um roubo. A gente fica "puto" da vida, sem duvida, quando chegamos na nossa casa e vemos que vamos perder o capitulo da novela daquela noite porque levaram a nossa televisão. A gente fica "tiririca" com o mundo quando um sujeito nos aponta um revólver, canivete ou faca na rua e nos leva aquele "Rolex" legitimo de camelô,mas isso não tem nada a ver com a "degradação da nossa dignidade humana".
A situação de quem comete esses crimes no Brasil, na grande maioria das nossas delegacias, sim, é degradante, tanto quanto o são as situações dos menores das Febens -- que hoje mudaram de nome --- ou das penitenciarias.
Naquela cela hiperlotada da delegacia daquela senhora que viveu o dilema, como delegada, de acorrentar os presos na pilastra ou "leva-los para casa" (palavras dela), percebi o rosto de um garoto que não deve ter mais do que 19 ou 20 anos.
La, ele esta subjugado. Talvez hajam até policiais que o retirem da cela para dar-lhe uns tapinhas de vez em quando, apenas para mostrar que com eles "o sistema é bruto".
E o juiz ou juiza da cidade não viram nada, não sabem de nada, tanto quanto o Lula não sabia do mensalão.
Quando sair de la, ai sim aquela delegada poderá se arrepender de te-lo deixado junto com outros 20 numa cela para 4 ou de tê-lo amarrado numa pilastra, enquanto aguardava "um lugar" na cela.
Vai preferir te-lo "levado para casa".