quinta-feira, 8 de abril de 2010

ELE POOOODE. TEM QUEM PAGA!

Um dia ia acontecer. Estava próximo, muito próximo de acontecer. Aconteceu há duas semanas. Após ser condenado a pagar uma multa de 10 mil reais – coisa pouca, para quem tem um filho que há alguns anos recebeu 5 milhões de uma concessionária de telefonia – por haver feito propaganda eleitoral antecipada a favor da sua ministra e candidata à presidência, o Sr. Luiz Inácio Lula da Silva, desafiou – desmoralizou, vamos ser claros – publicamente os ministros do Superior Tribunal Eleitoral, em mais um comício fora de época promovido para a campanha que já dura três anos para sua re-reeleição, dentro dos planos do PT de ficar, pelo menos, 20 anos no Poder.
No comício, Lula, cuja performance lembrou-se alguns bispos de famosas Igrejas Evangélicas, perguntava ao povo que estava lá embaixo, quem iria pagar a multa que o Tribunal lhe impôs. Perguntava e se dirigia ao povo: “você paga? Você Paga? Quem paga? E o povão levantava as mãos e gritava “eu, eu, eu”.
Maravilha. Se pudesse ter gravado a cena que vi pela televisão, tiraria varias copias e enviaria, por pombo-correio, já que os Correios brasileiros estão uma merda, a cada um dos Excelentissimos Senhores Ministros do nosso Superior Tribunal Eleitoral que, por incrível que pareça, ficaram quietos. Curioso como alguns juizes, promotores, procuradores e ministros do nosso Judiciário adoram um microfone e câmaras de TV quando suas entrevistas acabam desmoralizando alguém, mas fogem delas quando estão sendo desmoralizados.
Lula desafiou o Judiciário Eleitoral brasileiro. Pior que isso, Lula desmoralizou, com seu ato e suas palavras, o Judiciário Eleitoral e isso quer dizer, simplesmente, que é capaz de desmoralizar qualquer outro Tribunal. Em resumo, o que Lula disse foi que ele está se lixando para as multas aplicadas pelo Tribunal, porque ele tem o Povo com ele. No que, aliás, tem absoluta razão. Ninguém aqui vai negar que Lula é o maior líder político de massas desse pais, suplantando, talvez, até mesmo Getulio Vargas. E sua liderança inconteste, que me leva a crer que ele elegerá, sim, a Sra. Dilma Roussef para servir-lhe de testa-de-ferro na presidência da Republica pelos próximos 8 anos, como elegeria até mesmo o cachorro da minha sogra, o está conduzindo a um tal estado psicopático de arrogância, que não enxerga mais nada pela frente, que não respeita mais nada, nem ninguém.
Há muitos anos, o então presidente José Sarney, próximo a deixar a presidência da Republica nomeou um membro do seu ministério para o cargo de Ministro do Superior Tribunal Militar. Era uma nomeação afrontosa, estúpida, absurda. O sujeito não tinha nenhuma condição de ser juiz de paz, quanto mais ministro de um Tribunal Superior e especializado. Mas Sarney não voltou atrás, e, cumprindo compromisso político, insistiu na nomeação. O Superior Tribunal Militar teve a coragem de desafiar o presidente da República e, simplesmente, recusou-se a dar posse ao protegido, que acabou desistindo da “honrosa” nomeação.
Recentemente Lula nomeou para o Supremo Tribunal Federal – o Supremo!!! – um auxiliar cuja maior estrela de seu currículo fora ter sido advogado do Partido dos Trabalhadores durante as eleições. Nada, nada de notório saber jurídico. O Senado cordeirinho aprovou a nomeação e o Supremo deu-lhe posse.
Não tem duvida. Lula manda. Lula desmanda. Lula faz o que quer. Lula até manda ministros dos Tribunais superiores às favas. Ele pode. O povão paga as multas.
Agora, e se o TSE negasse o pedido de registro da candidata Dilma porque houve propaganda eleitoral antecipada, antes do periodo legalmente permitido? Ah, ai, certamente, quem sabe, os futuros "Lulas" que esse país ainda vai enfrentar pelos séculos a fio, teriam mais respeito pela Lei e pelos membros do Judiciário.
Mas o TSE não vai fazer isso, né mesmo?

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

O GALHO DO ARRUDA

Convenhamos: se numa sexta-feira, o programa Globo Repórter resolver fazer uma matéria sobre os amuletos da sorte e falar sobre os galhos de arruda, com certeza a imagem que será exibida será a do governador do Distrito Federal recebendo aqueles tais R$ 50 mil reais das mãos do cafajeste do seu ex-assessor, não é verdade?
Conheço José Roberto Arruda desde os 16 anos de idade, quando, no Colégio XIX de Março, em Itajubá, lá no Sul de Minas Gerais, cursava o 2º Grau, na época chamado de “colegial”. Arruda ensinava matemática e, por sinal, me reprovou em trigonometria, em 1974. Detesto trigonometria. A questão do envolvimento do meu ex-professor de matemática, inteligentíssimo – pelo menos, naquela época – , nos escândalos de corrupção dos Deputados Distritais que, como os Federais do Lula, recebiam uma graninha por fora para votarem projetos de interesse do seu governo, já esta decidida. A única diferença entre Lula e Arruda é que esse ultimo não foi pulverizado com teflon quando nasceu para a política, embora também tenha dado muita sorte na vida: de simples filho de ferroviário pobre, numa cidade do interior de Minas Gerais, conseguiu formar-se engenheiro pela Universidade Federal de Itajubá, na época chamada Escola Federal de Engenharia de Itajubá, e foi para Brasília, onde ocupou diversos cargos de elevada importância em empresas estatais, chegou a Deputado, Senador e Governador do Distrito Federal. Perdendo a inteligência através dos tempos, caiu na armadilha do então presidente do Senado Antonio Carlos Magalhães no famoso caso do painel: por mero interesse pessoal, ACM queria provar que a então Senadora Heloisa Helena havia votado contra a cassação do colega Luiz Estevão, acusado de algumas falcatruas. Heloisa Helena, que deixara o PT numa briga com o partido do qual foi expulsa por não seguir a orientação do governo na votação do Projeto de Reforma da Previdência Social, fundara o PSOL. Não tinha, como não tem hoje, nenhuma importância política, nenhum peso especifico, nem ela, nem seu partido. Podia ser comparada a Enéas Carneiro e seu PRONA. Mas ACM tinha uma pendenga pessoal com Heloisa, que se postava, como até hoje, de moralista, e era sua arqui-inimiga no Senado. Então, resolveu desmoraliza-la, provando que ela votara contra a cassação de um suposto corrupto,como Luiz Estevão. Para tanto, usou de Arruda, para violar o segredo do painel eletrônico. Com o escândalo, ambos, ACM e Arruda, terminaram por renunciar ao mandato, sob ameaça de serem cassados. Arruda despediu-se do Senado chorando em seu discurso da tribuna, onde berrava que “não tinha matado, nem tinha roubado”.
Quando todos pensavam que havia se acabado para a politica, deu a volta por cima, como o mais votado deputado Federal do Distrito Federal nas eleições seguintes, e acabou muito bem eleito Governador, quatro anos depois, para terminar caindo nas mãos de alguns safados imorais, como o sujeito que lhe entregava os R$ 50 mil, enquanto filmava a cena, para dá-la de bandeja para a oposição e o Ministério Publico três anos depois de gravada. A imagem é de setembro de 2006 e veio a publico no final de 2009.
A oposição conquistou a Globo que repete a cena quase diariamente em seu maior telejornal e, apenas duas ou três vezes, de passagem, disse tratar-se de uma gravação da época que ele era ainda deputado, para que todo mundo pense que ele esta recebendo o dinheiro como Governador. Veio a historia imbecil, criada não por ele, mas por um outro assessor idiota, que era dinheiro para panetones, e até “recibo” dos tais panetones apareceu. Tudo montado numa armação grosseira, que somente, por incrível que pareça, alguns juízes não vêem. Era dinheiro para campanha eleitoral, doada por empresários que sempre doam dinheiro para candidatos com alguma chance de chegarem ao poder, porque empresário não está ai para fazer gracinha pra ninguém.
Mas Arruda permanecia, ainda que cambaleante e cada vez mais nas mãos de deputados distritais corruptos, no poder. Surge, então, a armação definitiva: um jornalista, cuja simples figura já desperta-me suspeitas de que não deve ser companhia recomendável, denuncia que o Governador teria lhe oferecido alta propina para que dissesse que os vídeos gravados – aquele em que ele aparece recebendo os R$ 50 mil reais e os em que aliados aparecem botando dinheiro nas meias e nas cuecas – teriam sido adulterados, ou seja, seriam montagens. Para sustentar sua versão, há um vídeo onde aparece recebendo uma sacola com supostos R$ 200 mil reais, em um restaurante, das mãos de um assessor de uma estatal brasiliense, e mostra umas anotações esquisitas que alega ser um bilhete do Governador lhe propondo a propina.
Os advogados do governador preso dão entrevistas contraditórias: primeiro, o tal bilhete onde proporia a propina ao jornalista fora “furtado” de sua mesa; logo depois, o tal bilhete pode “até ter sido entregue” ao emissário pelo governador. Esqueceram de dizer que aquilo não é bilhete coisa nenhuma e manter a devida coerência, como deve qualquer bom defensor. Se eu for preso, por favor, não chamem esses advogados para me defenderem, não. Chamem o promotor, que vou estar melhor assessorado.
A Globo conquistou os Ministros do STJ e até do STF. Numa armação tipo Verônica que só Gustavo Brandão, da novela das 6 da emissora (Cama de Gato), não vê, surgiu a tal historia da tentativa de corrupção de testemunha, aquele jornalista medíocre e mal encarado de apelido Sombra. R$ 200 mil reais entregues para que ele dissesse que as gravações eram fajutas. Somente os Gustavo Brandões da vida poderiam acreditar num negócio desses. Dar R$ 200 mil reais como “entrada”, para que uma testemunha dissesse que uma gravação, que qualquer pericia pode dizer ser autentica, seria falsa. Nem que a admirada inteligência de Arruda em 1974 tivesse se esvaído por completo, que houvesse se tornado o mais imbecil dos acusados. Mas conseguiram com que os Ministros do STJ decretassem a prisão de Arruda por causa disso. Ah, agora diz-se que também a decretaram porque Arruda estaria atrapalhando o processo político de sua cassação na Assembléia. Estão certos: jamais nenhum prefeito, governador ou presidente da Republica, no Mundo, tentou, politicamente, barrar CPIs nas respectivas Câmaras Legislativas. Só Arruda. Nem Lula tentou barrar CPIs, através de negociações políticas, não é verdade? Agora, digam-se os doutos em direito penal: onde esta tipificado no velho Código de 1940, ou nas tais leis extravagantes penais mais atuais, o crime de negociação política?
A prisão de Arruda, armada pelas Verônicas brasilienses, teve um único objetivo, que os Ministros do STJ não perceberam, ao decreta-la: a completa desmoralização política e pessoal do meu velho professor de matemática. A violência de uma prisão, por mais que o sujeito fique em sala de Estado Maior ou mesmo em prisão domiciliar, é tão forte, que faz desabar psicologicamente o atingido pela violência do Estado. Advém o desânimo, o sentimento de impotência, o travamento do exercício de livre defesa, a infinita humilhação de ter que pedir autorização a um guarda ou carcereiro para ir a um banheiro, se a cela não o tiver, ou usar o vaso existente na cela praticamente na frente de todos. Come-se na hora em que seus carcereiros querem lhe dar comida. Dorme-se pensando que, a qualquer momento, um guarda passará pela cela batendo com o cassetete nas grades, apenas pelo prazer de incomodar-lhe o sono. Agüenta-se sorrisinhos de escárnio, como quem está lhe dizendo: “e então, governador, está com saudades do palácio??
O futuro de Arruda, preso, está selado. A própria prisão foi provocada para derruba-lo de vez à vista do populacho.
O Ministro Gilmar Mendes, presidente do Supremo, já declarou no Jornal Nacional sábado, 20 de fevereiro: há uma metástase no Governo de Brasília, referindo-se a uma suposta corrupção generalizada nos dois poderes, executivo e legislativo do Distrito Federal. Falava, em tese, sobre a possibilidade de intervenção federal, pedida pela Procuradoria da Republica, cujo titular, alias, não perde oportunidade de aproximar-se de um microfone de TV. Na verdade, falava sobre Arruda. O STF deverá decidir sobre a intervenção e sobre a liberdade do já, garanto, ex-governador.
Quando eu fazia a Faculdade, ta certo que lá se vão 30 anos, aprendi que juiz (incluídos os desembargadores e ministros) somente falavam nos autos dos processos. Mas, de lá para cá, a coisa parece ter mudado, principalmente depois de a Globo Internacional disponibilizar seus microfones para quem quiser falar o que ela quiser que falem, porque se não for o que ela quiser, não vai ao ar mesmo.
Nem galho de arruda salva mais meu professor Arruda.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

O GERENTAO QUE NÃO MANDA

Nos bons e velhos tempos desse país, havia três altas autoridades nas pequenas cidades do interior: o prefeito, o padre e o gerente do Banco. O sonho dourado de toda mãe de família pobre ou da classe média baixa era ver a filha casada com um funcionário do Banco, já que, normalmente o prefeito já era casado e o Papa não ia gostar de ver o padre celebrando seu próprio matrimônio. Além do mais, o funcionário do Banco podia chegar, um dia, a ser Gerente. Gerente!!! Uma autoridade, enquanto o coitado do prefeito dificilmente chegaria a governador ou presidente da Republica e o padre, provavelmente, jamais chegaria a Bispo, muito menos a Papa.
O gerente mandava, e como mandava. Era ele quem decidia a vida econômica da cidade, captando os depósitos do dinheiro dos ricos, juntando com o dinheiro da poupançazinha dos pobres e emprestando tudo a quem bem entendesse. Cheque especial, limite de crédito na conta-corrente? Falava-se com o gerente e tava resolvido: dependendo do seu saldo médio na conta, levava um talão 5 estrelas ou um não nas fuças, mas que tava resolvido, tava. Somente nas operações muito elevadas, o gerente tinha que consultar um superior, mesmo porque, consultar superior naquela época, não era fácil. Telefone, ainda mais interurbano, levava um dia para completar a ligação. Internet? Nem a palavra existia ainda, quanto mais o serviço. Os caixas não eram eletrônicos. Quando muito, alguns dos caixas mais eficientes e rápidos no atendimento ao publico, eram chamados de “elétricos”.
Mas gerente mandava. E como mandava!
Era uma época em que também o padre mandava: mandava no gerente, no prefeito, na cidade toda. Não tinha quem não tomasse a benção do padre ao cruzar com a autoridade eclesiástica na rua. E ai do gerente ou do prefeito que não fosse à missa no domingo. Ia e comungava, nem que fosse protestante: protestava, mas ia, isso ia.
Padre mandava. E como mandava!
Prefeito também mandava. Tá certo que só não mandava nos fazendeiros que obrigaram os seus lavradores votarem nele nas eleições, mas tinha prefeito que até se atrevia a brigar com um ou outro grande eleitor, e se dava bem. E quando tinha essa coragem, mandava mais ainda. O prefeito era Prefeito, a maior autoridade administrativa da cidade. Juiz, normalmente nem aparecia, porque a sede da comarca, onde ficava o Fórum, era a léguas de distância. Promotor? Naquela época, raros eram os que tinham “estabilidade” no emprego, porque não eram concursados, mas indicados por um político da região e, se o tal político ficasse meio, digamos, aborrecido com o apadrinhado, tirava ele da comarca na próxima visita que fizesse à capital, isso se não perdesse o emprego de vez. As verbas das prefeituras eram gastas pelo prefeito – honesto – da melhor maneira que achava que as devia gastar em beneficio do povo. A documentação das prestações de contas aos Tribunais de Contas era a mais simples possivel. O principio era o de que todo prefeito era honesto, até prova indiscutível em contrario.
Prefeito mandava. E como mandava!!
O tempo passou. Telefone fala, salvo desonrosas exceções, na hora em que a gente liga. Surgiu o fax, e a internet. Os caixas “elétricos” dos bancos foram mandados embora, por medida de economia de custos, e substituídos pelos caixas eletrônicos. Ninguém mais quer casar com funcionário de banco, porque, se ele chegar a gerente, tanto faz. Gerente não manda mais. Até o computador da sua mesa manda mais que ele: dá cheque especial para quem vai dar o cano no banco, e nega empréstimo para o sujeito que paga suas contas em dia, ou quer o empréstimo justamente para botar suas contas em dia. Gerente não manda mais. Padre, então? Nem a benção na rua ou mesmo antes da missa, lhe pedem mais. E, se ele exigir que o cidadão confesse seus pecados antes de comungar, senão o Bispo o excomungará, o cara responde que, agora, Bispo é o Macedo e se bandeia para a oposição. Padre não manda mais.
Prefeito mandava, também não manda mais, desde que trocaram-lhe o nome de Prefeito, para Gestor. Prefeito virou Gestor público. Não pode mais dar aquela casa popular a quem mais precisa, não. As assistentes sociais, primeiro, têm de fazer a “anamnese” (isso, mesmo, uma tal de anamnese) do cidadão, para ver se ele, realmente, precisa da casa. E tem uma lista de candidatos à casa, que passará, além dos assistentes sociais, até pela Caixa Econômica Federal, se o dinheiro para a construção da casa veio de lá. Emprego para o povo na prefeitura? Tem que fazer concurso publico!!! Uma prova escrita onde um monte de gente de fora aparece na cidadezinha num domingo, depois de ter passado semanas estudando pelas apostilas de concursos que compraram nas bancas de jornais de suas cidades, e acaba ficando com a vaga do cidadão da cidadezinha, onde não tinha banca de jornal para ele comprar a apostila. Depois da posse dos aprovados, o prefeito vê que acabou tendo que admitir um monte de gente incompetente, que não tem a mínima idéia do que é o serviço naquela prefeitura, mas sabe de cor a formula para calculo de velocidade, espaço e tempo. Tava na apostila. Ele não pode contratar aquele antigo funcionário que trabalhava há anos e anos na prefeitura e conhecia toda a máquina administrativa, porque o cara não passou no concurso, e acabou sendo mandado embora, dando o lugar para o camarada do X=V.T. As obras que o prefeito quis realizar no seu mandato, tão paralisadas. Ele não podia contratar uma empresa que conhece, que é séria e faz um bom serviço. Teve que fazer licitação. Participaram dez empresas, cada uma se propondo a fazer por menos, para ganhar o serviço. Uma delas até ganhou, mas tá tudo parado porque as outras entraram na Justiça com recursos e a coisa tá encrencada. As obras, já iniciadas, estão se deteriorando. Logo, tudo vai ter que ser refeito, se um dia a Justiça decidir, afinal, quem vai tocar a obra e isso se o cara ainda quiser tocar a obra. O prefeito queria comprar a melhor marca de caminhão para a Secretaria de Obras, mas não deu. A grana ate que dava para pagar por um Ford ou Mercedes novinho em folha, mas, na licitação, venceu a firma que ofereceu o caminhão pelo menor preço: um FNM (Fenemê, lembram-se dele?), novinho em folha, zerinho, zerinho, que a firma guardou por 40 anos até encontrar um trouxa que o comprasse. Fazer o quê? O edital da licitação não podia dizer a marca, mas, apenas que a prefeitura queria comprar um caminhão, com capacidade para 15 toneladas, zero quilômetro. Tai o FNM.
Gerente, e pior do que gerente de banco dos dias atuais. O gerente presta contas do que faz com o dinheiro do banco para o diretor. O prefeito presta contas para o Tribunal de Contas, para a Câmara de Vereadores, para a Caixa Econômica Federal, para o Banco do Brasil, para as ONGs do sistema Transparência Brasil, para o Ministério Publico, para a Justiça quando os políticos da oposição reclamam para o Juiz que o prefeito não esta deixando dinheiro nenhum para eles gastarem quando assumirem o “poder”, e ate para alguns repórteres da Globo, do SBT, da Record e da Bandeirantes.
O Gerentão que não manda, nem desmanda, e ainda ganha pouco, porque senão a Fátima Bernardes e o Willian Bonner, que não querem ninguém ganhando mais do que eles, vão fazer cara de nojo e chamá-lo de marajá.
Raul Seixas cantava numa de suas musicas: “mamãe, não quero ser prefeito/pode ser que eu seja eleito.....”. Tinha razão.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

POR QUÊ EXISTE O HAITI??

Quando queremos brincar com as mazelas políticas brasileiras, como um país que não teria dado certo, costumamos repetir a velha piada que diz que a solução para o Brasil seria devolvermos para Portugal e pedirmos desculpas pelo mau uso.
De vez em quando eu penso, com seriedade, sobre a situação – sempre triste, lamentável, insolúvel, mesmo – de vários países do mundo. Não, não falo de países onde vigoram a politicagem “democratica”, a corrupção ou mesmo ditaduras derrubadas por golpes de Estado que instauram outras ditaduras, num constante circulo vicioso. Acho que isso é problema exclusivo do povo de cada país, e ninguém tem que se meter.
Meu problema aqui é outro. Diz respeito, exclusivamente, a questões de ordem econômica, que desaguam nas questões sociais, e cujas bombas acabam, de uma forma ou de outra, explodindo tanto junto à população miserável do próprio pais, como também no colo das demais Nações.
O Haiti e sua recente tragédia, que já dura há duas longas semanas e durará por muitos anos, é exemplo claro de pais que não poderia existir sob a forma de Estado.
Antes de prosseguir, lembro que Estado é a conjugação de uma Nação (pressupondo-se, para tanto, certa homogeneidade cultural), que vive em determinado Território delimitado e sob um Governo Soberano. Decorre, então, da soberania, a plena Independência desse povo, independência essa considerada em seu aspecto político, como a plena e exclusiva capacidade, dentro de seu Território, sob e sobre seu Povo, de tomar as decisões que para esse Povo melhor aprouverem. Mas, há de decorrer dessa soberania, também, a plena capacidade desse governo socorrer esse seu Povo, quando necessitar.
Laurentino Gomes, em sua magistral obra “1808” , sobre a fuga da Familia Real Portuguesa para o Brasil e as transformações que isso trouxe para a Colonia, faz menção ao Haiti como era considerado já naquela época, há dois séculos: o país mais pobre do mundo!!! E até hoje, se não é o mais pobre, enfileira-se junto aos miseráveis, tanto da América Central como da África ou da Ásia.
A tragédia iniciada na terça-feira, 12 de janeiro de 2010, trouxe ao conhecimento do Mundo um pais em que, por vários dias, a população ficou e ainda está sem comida, sem água potável, sem remédios mínimos, sem absolutamente nada, nenhuma espécie de socorro interno, porque não dispunha de absolutamente nenhuma reserva financeira, de um Governo realmente organizado para enfrentar vicissitudes, mesmo sabendo estar sujeito a problemas como o terremoto que o atingiu. Não tinha um único trator, para ajudar a remover os escombros para procurar por sobreviventes; não tinha uma simples maquina daquelas de quebrar asfalto, que vemos nas mãos de funcionários das prefeituras, como nas ruas de São Paulo ou de cidades até de pequeno porte brasileiras; não tinha como encaminhar alimentos de outras regiões do pais para a Capital, a cidade mais atingida pelo terremoto; não tinha – por incrível que pareça – um simples anestésico para que se pudesse suturar a perna de um menino ferido, que vi berrando pela televisão enquanto a suturavam no meio dos escombros e sem qualquer medicamento que lhe aliviasse o sofrimento. Não tem uma simples Comissão de Defesa Civil, como qualquer cidade decente brasileira tem, para organizar a distribuição das toneladas de remédios e medicamentos que já chegaram ao pais.
Tem, é claro, um ex-presidente que vendeu o sofá da sala, quando, para evitar golpes militares teve a brilhante idéia de acabar com as Forças Armadas do pais, e um atual que, no primeiro dia da tragédia, teve o desplante de declarar a uma repórter de TV, no meio da rua, que “ele também não tinha onde dormir”, numa referência ao desmoronamento parcial do Palacio Presidencial (e que palácio!!!). Foi dormir na Republica Dominicana, pais vizinho, com certeza, onde permaneceu reunido com auxiliares e representantes de governos estrangeiros, para mendigar ajuda internacional.
Paises como o Haiti não podiam existir enquanto Estados. Por dependerem, eternamente, da ajuda constante de outros, muito facilitaria se fossem protetorados, como alguns existentes na Europa (O Principado de Mônaco, é protetorado francês, por exemplo). Facilitaria ate para que se pudesse neles manter órgãos de Defesa Civil, com equipamentos do protetor ou protetores.
Sem ufanismos, a bem da verdade é que se lá não estivesse a Força de Paz da ONU, representada pelo Exercito Brasileiro, a situação que já é catastrófica, estaria bem pior, se é possível que pudesse ser pior. Aliás, pode. Quando escrevi originalmente essa crônica, para sua publicação no Jornal Itajubá Noticias (www.itajubanoticias.com.br) ainda não havia ocorrido o segundo terremoto, dia 20 de janeiro, quase tão forte quanto o primeiro.
Afinal, por que ou para que existem países como o Haiti????

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

A DESMORALIZAÇÃO DO JUDICIÁRIO

Justiça, justiça, negócios à parte?
Depois de 4 meses no "estaleiro" devido a um acidente doméstico banal, no qual consegui quebrar a tibia e a fibula da perna esquerda, que já não era lá grande coisa, queria retornar com uma cronica comum, dessas de fim de ano, desejando paz e amor, etc e tal. Um fato ocorrido na tarde do dia 23 de dezembro e consumado na manhã do dia 24, contudo, acabou com meu idilio.
Há alguns meses defendi de unhas e dentes o Ministro Gilmar Mendes, Presidente do Supremo Tribunal Federal, em, pelo menos, duas ocasiões. Na primeira, quando desceram-lhe a lenha por haver concedido dois habeas-corpus seguidos ao banqueiro Daniel Dantas, preso arbitraria e abusivamente por ordem de um juiz federal, que trabalhava em conjunto com um delegado de policia cujo método de investigação incluía – ou se resumia – a escutas telefônicas ilegais e bisbilhotamento também ilegal até de autoridades da República. Na segunda, quando outro Ministro do STF, numa sessão da Corte, ofendeu Gilmar dizendo que o colega e presidente da mais alta Corte de Justiça do pais mantinha capangas em sua fazenda.
Gilmar Mendes não é nenhum santo, como, de resto, não acho que existam santos em nenhuma das altas esferas da República brasileira, dos Estados ou dos Municipios. No entanto, seu comportamento, sobretudo em defesa da supremacia do Judiciário nas questões do respeito às leis e à Constituição, somente vinha merecendo aplausos e apoios da maioria.
Na semana passada, no entanto, uma decisão estranha de Gilmar Mendes causou, no mínimo, um desconforto naqueles que o defendem sem intenção de puxa-saquismo.
Trata-se, o leitor já sabe, do problema do menino Sean, disputado por sua família brasileira e por seu pai norte-americano. O menino, hoje com quase 10 anos, foi trazido pela mãe, brasileira, ainda bebê, quando separou-se do marido norte-americano. A mãe casou-se aqui no Brasil com um advogado, mas faleceu recentemente. A Justiça brasileira dera ao padrasto a guarda provisória do menor, que passou a ser também disputada pelo pai norte-americano, sob o argumento de que a questão deveria ser decidida nos Estados Unidos, segundo uma Convenção internacional assinada por vários países, inclusive pelo Brasil.
O que me estranha, e muito, é que a decisão da Justiça Federal de entregar o menino ao pai norte-americano ainda não era definitiva. Não transitara em julgado, cabendo recursos, e que, diante disso, o Ministro Celso de Mello, do mesmo STF que Gilmar Mendes, concedera à família brasileira o direito de manter consigo a criança até que decisão definitiva fosse prolatada pelo Judiciário nacional.
De uma maneira muito esquisita, Gilmar Mendes, como presidente do STF, cassou a ordem de seu colega e despachou a criança para o colo do pai, que já estava no Brasil aguardando o desfecho, na ante-véspera do dia de Natal,. Essa decisão veio, coincidentemente, quando o Congresso Americano votava uma lei que, economicamente, beneficiava o Brasil – vale dizer, empresários brasileiros do ramo de exportação. Mais esquisito ainda, a própria Secretaria de Estado Norte-Americana – o cargo mais poderoso de lá, depois do presidente da Republica – Hillary Clinton, envolveu-se na história a um tal ponto, que fez questão de sair nos jornais dando declarações sobre o assunto. Mais ainda, uma das grandes redes de televisão de lá, a NBC, pagou o jatinho que levou o pai e o menino de volta, quando poderiam ter retornado por vôo comercial. E mais ainda: o pai veio acompanhado dias antes de um deputado federal de lá.
Corajosa, a avó materna levantou suspeitas sérias sobre o comportamento do Ministro Presidente do STF, que nem ele, nem o Governo, responderam, preferindo o silêncio, certos mesmo que daqui a alguns dias, todo mundo já esqueceu da história.
Será que, realmente, vigorou na decisão de Gilmar o principio “negócios são negócios, Justiça à parte?”. Se foi, lamento muito havê-lo defendido em crônicas passadas. Talvez correto mesmo estivesse um ex-vereador da minha cidade que, ao ver um colega de outra cidade expor uma projeto de interesse regional no plenário da Câmara Municipal, virou-se para mim e disse: “ele esta pensando que a coisa aqui é séria”.
Não era lá. Parece não ser em Brasilia.

domingo, 4 de outubro de 2009

PRÁ FRENTE BRASIL !!!!

Na época das ditaduras explicitas na América do Sul – década de 1950 a fins da década de 1970 – a Argentina do General Jorge Rafael Videla fez de tudo para sediar a Copa do Mundo de 1978, e conseguiu. Mais que sediar a Copa daquele ano, fez e aconteceu para ser a campeã do Mundo, e conseguiu, mesmo tendo que dar uma graninha, um afago, aos jogadores do Peru, se não me engano.
O Brasil, no entanto, que sediara sua ultima Copa do Mundo em 1950, em plena democracia, e perdeu aquela partida histórica e de triste memória em pleno Maracanã, não trouxe para cá de volta a Copa, nem da década de 1960, nem da de 1970, auge da ditadura militar explicita brasileira. E o Brasil, no final da primeira, inicio da segunda, era um dos paises que mais se desenvolvia no Mundo, e registravam as grandes, médias e pequenas cidades brasileiras do Sul e do Sudeste, praticamente, o pleno emprego. O Nordeste era sustentado por estas duas regiões, através dos subsídios e frentes de trabalho criados ou mantidos pelos governos dos militares – Castello Branco, Costa e Silva, Médice e Geisel, posto que aqui já não se considera o período Figueiredo. Para cá não se fez qualquer esforço para que sediasssemos a Copa de 1974, nem a de 1978, nem a de 1982, embora, principalmente nas épocas daquelas duas primeiras, o governo estivesse fazendo enormes investimentos em infra-estrutura, sobretudo de transportes e de energia, e a segurança publica era muito mais real que agora, se não contássemos o terrorismo interno de esquerda e o contra-terrorismo de direita. Não houveram campanhas nem por Copas, nem por Olimpíadas.
O Brasil de 2009 é, realmente, muito diferente do Brasil de 1979, para ficarmos apenas nos 30 ultimos anos. A inflação – desvalorização constante da moeda com alta constante dos preços em geral, também chamada popularmente “carestia”, para quem nunca a conheceu ou tem memória curta – baixou dos cerca de 50% mensais, naquela época, para menos de 1% na atualidade, segundo, claro, os dados oficiais. O Brasil, no entanto, acaba de passar por uma leve recessão, que agravou estupidamente o desemprego formal e informal. Segundo o DIEESE – Departamento Intersindical de Estudos Sócio-Econômicos, o desemprego no ultimo mês retroagiu, ficando na casa dos 14.16%, o que quer dizer que já esteve bem mais alto. É a maior taxa desde 1990. Somente na Argentina, recentemente, para citarmos um grande pais da América do Sul, o desemprego bateu casas tão altas. A segurança publica chega ao caos, tanto em São Paulo (Sudeste), como na Bahia (Nordeste) ou.......no Rio de Janeiro.
Rio de Janeiro......A cidade maravilhosa será uma das sedes, daqui a 6 anos, da Copa do Mundo. Foi sede dos Jogos Panamericanos há dois. Como disse Juca Kfouri, no seu site da UOL, semana passada, ao comentar a “vitória” do Rio de Janeiro como sede das Olimpíadas de 2016 – a vitória da ficção, segundo Juca – prometeu-se para o Panamericano de 2006 a extensão do metrô até a Barra da Tijuca, e corredores exclusivos para ônibus, com vistas a melhoria do transporte publico. Nada disso foi feito. Agora, promete-se de novo para as Olimpíadas de 2016 e, provavelmente, nada será feito.
A população do Rio de Janeiro continua com transporte publico e privado caótico, caos que é uma maravilha para a bandidagem que assalta nos túneis e linhas vermelhas e amarelas da vida, os grã-finos dos sedãs modelos 2010, e os grã-grossos que apinhocam-se nos 174 Grajaú-Copacabana, e não há vislumbre de solução para o problema.
Lula chorou diante do Comitê Olímpico – literal e figurativamente. Figurativamente, quando lhe implorou a decisão a favor do Rio; literal, quando derramou-se, junto com Pelé – que não chorou a morte da filha que desprezou e jamais quis reconhecer, mas chora por qualquer gol – em prantos ao ser anunciado o resultado.
O choro de Lula e Pelé já custou aos brasileiros cerca de R$ 100 milhões de reais, somente para promover o Rio de Janeiro junto ao Comitê Olímpico Internacional. Custará outros R$ 26 blhões de reais, em obras para os poucos dias em que durará o campeonato. Divididos esses R$ 26 blhões por R$ 50 mil reais, temos que poderiam ser construídas mais de duas boas casas para cada brasileiro nos próximos 7 anos, mesmo prazo dos investimentos para as Olimpíadas. Ou seja, cada brasileiro, mesmo os hoje ainda bebês, teriam, finalmente, “onde caírem mortos”, se preservassem o patrimônio, e uma renda vitalícia em alugueres – claro, se tivessem para quem alugar a outra casa, já que talvez não houvesse inquilinos.
A grande imprensa, sobretudo as grandes redes de televisão comemoram os R$ 26 bilhões que serão gastos na infra-estrutura para uma semana de festa. Afinal, business is business, e a grana que faturarão com a transmissão do evento para o mundo inteiro não cabe no meu porquinho de louça.Agora, para os críticos dessa palhaçada, que nem eu, talvez o Governo Lula recrie o slogam “Ame-o ou deixe-o” do Governo Militar de Médice. Só que não em relação ao Brasil, mas em relação a Lula e sua troupe, um recado que, aliás, o Chefe vive mandando a todos nós cada vez que sobe em palanques para inaugurar bicas d’água a favor de Dilma Roussef ou quem venha a ser sua candidata ao cetro.

domingo, 13 de setembro de 2009

O GOLPE CHAMADO MARINA SILVA

Há algumas semanas não se fala em outra coisa na política nacional. Surge a salvadora da pátria, Marina da Silva, ex-analfabeta (até os 16 anos, quando se alfebetizou graças ao Mobral do Governo Militar na década de 1970), ex-seringueira, ex-amicissima do defensor das florestas Chico Mendes, senadora eleita e reeleita pelo seu pequeno Estado, Ministra do Meio Ambiente no governo petista de Lula. Capa das maiores revistas nacionais, todas extremamente elogiosas em relação a nova candidata a presidência da República, agora já pelo PV – Partido Verde, pelo qual “trocou” recentemente o PT – Partido dos Trabalhadores, do qual fora uma das fundadoras no seu Estado.
Marina da Silva tem sido colocada como o “Tércius”, a terceira via na opção política nacional para suceder Lula, saindo da polarização que esperava-se para 2010 entre Dilma Rouseff, suposta candidata do atual Presidente, e José Serra (ou Aécio Neves), como representantes da oposição, pelo PSDB, o único partido que teria condições de bancar uma candidatura à Presidência da República, já que o PMDB optou há anos por permanecer nas abas do poder, colhendo os bônus quase sem qualquer ônus.
Li entrevistas recentes de Marina da Silva. Vi na televisão, semana passada, o programa eleitoral gratuito do PV, onde só se falou em Marina da Silva. Antes disso, li declarações dos lideres petistas, inclusive de Lula, sobre Marina da Silva.
De tudo que li, vi e ouvi até agora sobre Marina da Silva, estou cada vez mais convencido de que Marina da Silva é mais um estelionato eleitoral de Lula e do PT sobre a parcela dos eletrouxas brasileiros. Um golpe que credito mais ao próprio Lula do que ao PT, diga-se.
Ao deixar o PT para transferir-se para o PV, ainda no cargo de Senadora pelo primeiro, Marina da Silva haveria, naturalmente, de perder sua cadeira no Senado. Bastaria que o PT reivindicasse o mandato, que tantos outros partidos reivindicaram quando deputados trocaram de sigla nos dois últimos anos.Mas, candidamente, o presidente do PT declarou que o partido não o faria, porque “Marina é uma pessoa ética”. O PT deixa de reivindicar uma cadeira no senado, porque sua ocupante, de outro partido agora, é ética. O PT se comove com Marina da Silva e a deixa continuar Senadora, porque ele é ética. E tem gente que acreditou!!!!!!!!!!!!!
O plano é o seguinte, vamos ser claros e deixar a hipocrisia de lado: Dilma Roussef se estrumbicou. Lula sabia disso há algum tempo, e passou a ter certeza que ela não sai da pista por mais que corra, desde que o vento de través da mentirada da Senhora Dilma em relação ao encontro com a ex-Secretaria da Receita Federal pegou em cheio seu aviãozinho. Os planos do PT de perpetuar-se no Poder através de José Dirceu afundaram com o mensalão. A hipótese Antônio Pallocci também não vinga, mesmo com o Supremo Tribunal Federal tendo recusado a denuncia por crime de violação do sigilo bancário daquele caseiro, porque, se por um lado, o STF estava certo em recusar uma denuncia sem a minima evidência séria de que o então ministro tenha determinado a violação -- o presidente da Caixa Econômica apenas declarou que entregou os dados ao ministro e não que ele mandou fazer a bisbilhotagem -- , o certo é que a população não acredita na inocência de Pallocci. Lula, então, resolveu lançar mão de Dilma Roussef, há cerca de dois anos, mais ou menos, pré-candidatura que também faz mais água que os poços artesianos do Ministro Geddel Vieira Lima no Nordeste. Dilma é antipática, não tem qualquer empatia com o povo e o apelido de "mãe do PAC" não emocionou o populacho, mesmo porque esse populacho sequer sabe o que é o tal PAC. Mas os planos de Lula não eram propriamente perpetuar o PT no Poder, mas ele mesmo perpetuar-se, fosse pessoalmente, fosse através de gente da sua confiança, seja com PT ou sem PT. Com o PT no fundo do Gangis, Lula salta do barco, disfarçadamente, e lança Marina da Silva, enfronhando-a no PV que, óbvio, a aceita de braços abertos.
Dilma, galinha velha e dura, continuará a ser cozida em fogo brando, para que não surja um aventureiro dentro do proprio PT, que se ache com capacidade de chegar ao Planalto. Retirar-se-á da mesa de jogo próximo às eleições, ou será mantida nela, pouco importa, para fazer número. Lula continuará a sorrir para Marina da Silva e, se Dilma sair da mesa, o PT certamente a apoiará, desde que o vice seja um petista, lógico. O PMDB, com Geddel candidato ao governo da Bahia contra o atual governador Jaques Wagner, do PT, este abandonado por Lula a favor do seu Ministro ao qual tem apoiado com palavras e verbas adoidadas (Geddel tem liberado verbas do Ministério na média de mais de 2 milhões de reais por município baiano, sobretudo aos pequenos, conquistando prefeitos e lideranças politicas no Sul, Sudoeste e sertão da Bahia), apoiará a candidata de Lula, agora já Marina da Silva, disfaçada ou não.
Marina da Silva, se elegendo, não conseguirá governar com o PV, óbvio. Precisará do PMDB e do PT. O PT é Lula, porque sem Lula não existe o PT. O PMDB vai onde Lula for, desde que Lula tenha, realmente, o poder de fato.
Ou seja, Lula está a poucos passos de conseguir sua reeleição.