quarta-feira, 24 de junho de 2009

SEM QUERER, QUEREEEEEEENDO

Chega a ser irritante essa história do presidente Luiz Inacio Lula da Silva ficar dizendo que não quer um terceiro mandato consecutivo, já que terceiro e quarto mandados, futuramente, ele já declarou querer.
Coloca-se como alguém não apegado ao Poder, que preza o principio republicano da rotatividade. Tudo bobagem, e, pior, saidas da boca de alguém que sempre, ao longo desses quase sete anos, sempre pareceu duvidar da inteligência dos todos os demais brasileiros.
Na semana passada, foi arquivada a proposta de emenda constitucional que garantiria a possibilidade de canditura pela terceira vez dos Chefes dos Poderes Executivo Federal, Estaduais e Municipais. O autor da proposta berrou. Não interessa aqui discutir porque foi arquivada, mas deveria ter ido adiante e ser levada ao Plenário do Congresso para decisão dos deputados e senadores. Talvez não passasse, talvez......Bom, se Lula pudesse dispor de 200 mil reais para outros Ronivons Santiagos, como Fernando Henrique em 1997, quem sabe....
Trata-se de uma discussão hipócrita dos três lados desse triângulo político indecente que jogam para a opinião publica: Hipocrita porque não afronta os principios republicanos o direito a reeleição por uma, duas ou dez vezes seguidas. O que afronta os principios republicanos e democráticos é impedir que alguém chegue ou permaneça no Poder, se o Povo, supostamente soberano, assim o quiser através do voto livre e consciente. O problema é que, no Brasil, o voto quase nunca é consciente, porque a maioria da população -- extrema maioria, diga-se -- é facilmente enganável e enganada pela propaganda politico-partidária, sobretudo na televisão. Hipócrita por parte dos Partidos Politicos que dizem não querer o direito à reeleição por vários mandatos, não em virtude da afronta aos principios republicanos da rotatividade no Poder, mas porque podem correr o risco de ficarem décadas longe dele. Hipócrita e bota hipócrita nisso, por parte do Exmo. Sr. Presidente da República atual, que diz não querer o terceiro mandato (agora).
Afinal de contas, se não quer o terceiro mandato a partir de 2011, é simples: bastará (ou bastaria) não se candidatar a ele, caso a emenda seja (ou viesse a ser) aprovada.
Simples assim. O resto é pura hipocrisia que chega a dar nojo.

sábado, 13 de junho de 2009

PROVIDENCIAS RADICAIS JÁ!!!!!

Estamos com um problema grave. Não há um unico dia em que jornais e telejornais locais, regionais ou nacionais não noticiam graves acidentes de trânsito causados por irreponsáveis que insistem em dirigir em alta velocidade e, muitas da vezes, embriagados. Aqueles que não se importam em procurar a causa ou as causas dessas tristes ocorrências e preferem culpar o destino, limitam-se a velha frase feita de que “as bruxas andam soltas”, como costuma-se dizer quando ocorrem uma sucessão de acidentes aéreos, por exemplo. Talvez se a Air France houvesse dado ouvidos e alguma importância aos relatos de pilotos dos Airbus 330 que noticiavam falhas no sistema de medição de velocidade desses aparelhos, os incidentes anteriores não teriam redundado na tragédia de duas semanas atrás. Se a TAM tivesse mandado para o hangar e consertado o reverso daquele que causou a tragédia em São Paulo em 1997, logo quando, ao pousar no primeiro aeroporto numa de suas primeiras escalas entre Porto Alegre e a capital paulista, o piloto relatou que o tal reverso não estava funcionando, talvez a tragédia não ocorresse.
Se, ao invés de ficar fazendo marolas a cada guerra de torcidas em São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre ou Salvador, o Ministério Público e o Judiciário decidissem, simplesmente, proibir publico nos Estádios, levariam ao desespero dos Clubes, que vivem e sobrevivem da venda dos ingressos, e esses Clubes, que hoje são, na verdade, grandes empresas que visam tão somente o lucro – e que lucro!! – explorando o mais popular esporte do país, ficassem privados de sua grande fonte de renda primária (a secundária, mas de maior importância, é a venda de jogadores), talvez tomassem providências efetivas para garantir a segurança dos torcedores, sobretudo daqueles que acabam em hospitais ou cemitérios porque se viram no meio de baderneiros uniformizados que se consideram “torcidas”, mas não passam de criminosos aos quais não se pode deferir o direito de conviverem em sociedade.
Seria providência radical? Seria. Mas a população não aprova outras providências radicais, como o “toque de recolher “ para menores de 18 anos após determinado horário, como solução para conter a criminalidade e garantir a segurança desses jovens?
Qual poderia ser a providência radical para evitar acidentes que, em verdade, não são acidentes, mas meras e lógicas conseqüências de comportamentos irresponsáveis, como os dos acidentes noticiados em todo o país pelos mais diversos meios de comunicação?
Quem sabe, apenas, cumprir a lei e fiscalizar seu cumprimento? Para o excesso de velocidade, em vários pontos das rodovias aquelas “lombadas eletrônicas” que encontramos em varias cidades, que indicam a velocidade em que o motorista se encontra, fotografa-o e multa-o num simples “click”. Flagrado e clicado, o agente da autoridade não apenas o notificaria da multa, mas se dirigiria à garagem do individuo e conduziria o carro do apressadinho para o pátio. Dependendo da velocidade em que se encontrava ao ser “clicado”, o carro permaneceria descansando no pátio por uma, duas, três semanas ou mais. O sujeito iria trabalhar de “buzão” e levaria a namorada para o motel de táxi durante um certo tempo.
Embriagado ao volante? Cadeia imediata e pronto. Bota na cadeia, lavra o flagrante e comunica o juiz. O cara terá direito a liberdade provisória, concedida pelo juiz, depois que seu advogado – que, nesse caso, aconselhamos, cobre honorários mais salgados que o IPVA – peticionar, for ouvido o Promotor de Justiça, a ordem for concedida e o cartório emitir o alvará de soltura: mais ou menos três dias de cana, se a Justiça for rápida. Como estamos no Brasil...........
Na ultima sexta-feira, um sub-procurador do Distrito Federal foi flagrado bêbado ao volante. Bateu, de leve, no carro de uma senhora, mas poderia ter causado uma tragédia. Desacatou policiais, ameaçou outros em plena delegacia. Tudo filmado. Foi liberado após ser ouvido, sem sequer pagar fiança. Se pagasse, também, tanto faria. O que são alguma centenas de reais para quem ganha mais de uma dezena de milhares de reais por mês?
Se for assim que o Brasil pretende garantir a segurança dos cidadãos e cumprir as leis, então, é melhor jogarmos a toalha e, a cada tragédia, clamarmos contra as bruxas soltas.

PALHAÇA FOI ELA OU SOMOS NOS?

Há cerca de dois meses, o mundo foi apresentado a uma tal Suzan Boyle, que maravilhou a todos com sua belíssima voz, divulgada no site You Tube, quando se apresentou num programa de calouros da televisão inglesa.
Na semana passada, a imprensa mundial “denunciou” que aquele programa fora, na verdade, um farsa. Os jurados, que no vídeo faziam caras e bocas de espanto e admiração quando Suzan Boyle abriu sua própria boca e cantou sei-lá-o-quê, na verdade estariam, apenas, fazendo um teatro, porque já sabiam que a mulher cantava pra canarinho nenhum botar defeito. Ela teria se apresentado, antes, para a equipe de produção daquele programa de calouros, antes de subir ao palco – aliás, certamente, dias antes.
Basta não ser burro para se saber que era lógico isso. Todo mundo sabe – até o Jacaré, que um dia se apresentou na “Hora da Buzina” do Chacrinha, quando o Velho Guerreiro foi a minha Itajubá, na década de 1980, e ganhou o “troféu abacaxi” – que, antes de se apresentar ao publico, o calouro faz uma pré-apresentação para os produtores do programa. Sobem ao palco e se apresentam para o publico os bons, muito bons, ruins e péssimos. Faz parte do show a apresentação dos péssimos, salvo em programas mais sérios, como o antigo “A Grande Chance”, do hoje falecido Flavio Calvalcanti, onde somente os melhores passavam pelo crivo da produção.
O que me aborrece não é o fato de, por semanas, o mundo – quero dizer, os idiotas do mundo, que desde o inicio não raciocinaram que tudo não passava de um teatro – ser enganado com a historia da “surpresa” dos jurados daquele programa com Suzan Boyle. Isso faz parte do show, como eu já disse.
Me aborrece o fato de que aquela mulher – que, dias após vi cantar “Memory”, e não vi nada demais, porque sua interpretação lembrava a interpretação memorável (em trocadilho) de Barbra Streisand – não foi apresentada ao mundo pela TV inglesa ou pelo You Tube por ter uma voz espetacular, mas por ser feia e desengonçada e, apesar de feia e desengonçada, ter uma voz espetacular. Daí o teatro dos jurados daquele programa, um teatro negro, preconceituoso e, na verdade, humilhante para Suzan Boyle: eles se demonstravam “surpresos” com aquela feia e desengonçada que lhes brindava com uma voz belíssima. Só a voz, porque presença em palco, nenhuma.
Na semana passada, quando a televisão noticiou que tudo fora um teatro, noticiou algo mais importante, já que isso todo mundo sabia ou deveria saber. Noticiou que Suzan Boyle tem sérios problemas psíquicos, que a levaram a entrar em depressão e ter que ser internada num hospital psiquiátrico porque – pasmem!! – não foi a vencedora da final daquele programa de calouros. Perdeu para um grupo de dança, aliás, muito melhor que ela em termos de show.
Uma pessoa com problemas psíquicos foi apresentada ao mundo como a feia e desengonçada que canta bonito. E muita gente ganhou dinheiro e notoriedade em cima dela, inclusive aquele canal de televisão que produz o programa e seus jurados.Êta mundo cão.

terça-feira, 9 de junho de 2009

VOLTEMOS AOS TECO-TECOS

Numa noite de rigoroso inverno de 1974, um avião pertencente a uma companhia norte-americana, alçou vôo do Aeroporto de Washington D.C, nos Estados Unidos. Poucos segundos depois, a aeronave destruía em sua queda livre vários automóveis sobre a ponte do Rio Potomac, na capital norte-americana, e caia sobre o leito do rio semi-congelado. Vários morreram na ponte, a maioria dos passageiros e tripulantes daquele jato, enregelados dentro do rio.
Na noite de domingo retrasado, um dos mais modernos jatos do mundo, um Airbus 330, partia do Galeão, no Rio de Janeiro, com destino a Paris. Pouco depois do Arquipélago de Fernando de Noronha enfrenta uma tempestade e se despedaça no mar. Até o momento em que escrevo essa crônica, sobreviventes não foram encontrados. Provavelmente não serão.
As investigações do acidente na França concluíram, pelas mensagens automáticas enviadas pelo avião – a tripulação não enviou nenhuma – que aeronave não enfrentou a tempestade violenta na velocidade correta. Estava abaixo da velocidade que deveria estar. Seu equipamento medidor de velocidade falhou e enganou o piloto automático e o piloto humano.
Naquela noite em Washington, também o piloto foi enganado pelo “velocímetro” do avião. O "pito" que fica na fuselagem das aeronaves, que mede a velocidade com que o ar entra por sua abertura para que o computador calcule a velocidade do avião, estava entupido pelo gelo do inverno norte-americano. O piloto puxou o manche para trás e alçou vôo antes do avião atingir a velocidade correta para tanto, o jato tentou subir mas não conseguiu e se esborrachou sobre a ponte e o Rio Potomac. O "pito" do jato da Air France também estaria com defeito – ou o equipamento a ele ligado estava – e o piloto humano e o computador de bordo que comanda o piloto automático acharam que poderiam enfrentar a tempestade naquela velocidade, que o sistema lhes dizia que era a correta, e se despedaçaram sobre o oceano.
Passaram-se 35 anos do desastre do Potomac até que um defeito igualzinho ao daquela aeronave provocou outra tragédia.
Em 1999, o "reverso", sistema automático de frenagem por reversão de impulso das turbinas dos aviões, fundamental para que a aeronave consiga diminuir a velocidade até o momento do acionamento dos freios mecânicos durante um pouso, falhou no aeroporto de Congonhas. Um Folker 100 da TAM esborrachou-se sobre uma rua do bairro Jabaquara depois de tentar levantar vôo e não conseguir, porque o "reverso", que so deveria abrir no momento do pouso e quando o avião já esta na pista, abriu no momento da decolagem, "segurando" ao avião e impedindo que as turbinas lhe dessem velocidade e impulso suficiente para a subida.
Oito anos depois, em 2007, outro avião da mesma TAM provocou um dos maiores acidentes da história da aviação mundial, quando, pousando no mesmo aeroporto de Congonhas, não conseguiu frear, atravessou toda a extensão da pista, passou por sobre uma avenida e chocou-se contra um prédio da propria companhia aérea. Não conseguiu frear porque, além de outros problemas, o tal "reverso" de uma das turbinas não estava funcionando, ou seja, não abriu quando deveria. O piloto sabia, a TAM sabia, todo mundo sabia que aquele reverso não estava funcinando, mas, mesmo assim, o avião levantou vôo em Porto Alegre e foi até São Paulo, descendo em outros aeroportos pelo caminho até se esborrachar em Congonhas.
Em 1989, um Boing da Varig pousou, à noite, no meio da floresta amazônica, porque o piloto confiou nos computadores do avião, cegamente. Tão cegamente que não viu que não poderia estar na rota correta, porque deveria voar para o norte com o sol a sua direita, mas o sol estava na sua cara, portanto voava para Oeste naquele final de tarde no aeroporto de Imperatriz, no Maranhão. O Varig estaria seguindo para Belém, em linha reta norte, mas seguiu para o seio da floresta amazônica, linha reta oeste. Até hoje não entendi como o piloto humano não se apercebeu do erro do automático, do sistema eletro-mecânico-cibernético-sei-lá-o-quê do moderníssimo Boing.
O avanço das máquinas nos deixa burros. Eu não posso dizer que o piloto do Air France foi burro, mesmo porque ainda não conheço, como acho que nenhum Ser humano desse planeta ainda conheça, o que realmente aconteceu, mas que César Garcez, daquele Varig foi, assim como seu co-piloto Zille, isso foi. Garcez confiou na marcação da rota 270 feita no computador, quando deveria haver digitado 027, desprezando o zero da direita. O erro da programação foi da Varig, que não deveria ter colocado aquele zero na esquerda. Matou 12 de seus passageiros, embora tenha salvo mais de 40 ao demonstrar extrema perícia – e sorte – ao pousar no meio da floresta amazônica, a noite, sobre árvores, um avião de sei lá quantas toneladas, sem uma gota de combustível.
Em 2006, um modernissimo jatinho Legacy da Embraer, novinho em folha, abalroou em pleno vôo, também sobre a selva amazônica, um modernissimo Boing da Gol. Ambos eram dotados dos mais sofisticados computadores e aparelhos de segurança. Impossivel que dois jatos daquele nível chocassem-se em pleno ar. Mas os aparelhos falharam, os computadores falharam. Se o transponder do Legacy estava desligado, propositalmente ou não pelos pilotos que o conduziam, o do Gol não estava, nem seus outros aparelhos, como o radar que indica até nuvens pesadas e tempestades à frente com um minimo de 15 minutos de antecedência. Não indicou o Legacy vindo em sua direção, na mesma "pista". Quase duzentos mortos foi o resultado do excesso de confiança nos computadores.
Uma vez voei num aviãozinho do Sr. Expedido Aparecida, da minha Itajubá, sobre a cidade de São Lourenço, em Minas Gerais. Aquele negocio não tinha computador, não tinha radar de bordo, não tinha nem buzina. O controle era todo manual, feito pelo próprio Expedido, que era o piloto, o co-piloto e comissário de bordo. Levantamos vôo do aeroporto de São Lourenço, que nem torre de controle tem, sobrevoamos a cidade e sua micro-região durante uns 20 minutos e pousamos no mesmo aeroporto na mais perfeita segurança. Sem computadores, sem pilotos automáticos para fazer o serviço que competia exclusivamente ao Expedito.
Acho que, quando for atravessar o oceano atlântico, desprezarei os computadores da Air France, da Tam, da United Airlines, e vou pedir o aviãozinho do Expedido Aparecida emprestado.

sábado, 23 de maio de 2009

OS VERDADEIROS SEM-VERGONHAS

Há algumas semanas o deputado Sérgio Moraes, do PTB do Rio Grande do Sul, declarou a um repórter que estaria “se lixando para a opinião publica”, quando entrevistado sobre a posição que estaria adotando a respeito de um colega, aquele deputado mineiro que seria proprietário de um castelo na sua cidade. Sérgio Moraes era o relator da Comissão que analisava o caso do dono do castelo, acusado de usar dinheiro publico para contratar empresas de segurança, que pertenceriam a si próprio
Diante da declaração, a grande imprensa nacional – que se é a formadora da chamada “opinião publica” – que de pública não tem nada, já que a imensa maioria da população nem sabe, até hoje, quem é Sérgio Moraes, Paulo Maluf, José Dirceu, Genoino – iniciou uma violenta campanha contra o deputado. A Câmara Federal, composta pelos colegas de Moraes, e que se acovarda diante da ameaça da imprensa, resolveu perder mais um anel para preservar os cinco dedos, defenestrando-o da relatoria da tal Comissão.
Não deveria nem estar comentando o assunto. Não vale a pena gastar tinta e papel com essas baboseiras.
No entanto, quando resolvi reler sobre o assunto, fui ao “google” e pesquisei o nome “deputado Sérgio Moraes”. De cara, apareceu uma matéria sobre uma suposta violência sexual praticada pelo deputado em questão contra um velhinho. Ta lá, vocês podem consultar que, hoje, ainda esta no ar. Quando você tenta abrir a matéria, nada aparece, porque o sistema te dirige, automaticamente, para um site chamado ‘terramel”. Ai resolvi comentar o caso.
Não sei se são os brasileiros ou o mundo em geral que são safados, hipócritas, inconfiáveis. Parte – e grande parte – da imprensa brasileira, certamente, o é.
Na verdade, Sérgio Moraes não mandou “às favas” a opinião publica, quando deu aquela declaração. Mandou às favas parte da imprensa nacional que se julga dona da moral e dos bons costumes, em qualquer campo, notadamente no campo político, mais fértil às faltas-de-vergonha-na-cara. Essa parte da imprensa também não tem vergonha na cara e iguala-se e numero, gênero e grau, aos políticos sem-vergonha.
A declaração de Sérgio Moraes, na integra, dizia o seguinte, diante da pergunta da repórter que o questionava em sua posição de absolver o deputado mineiro do castelo, se não se importava com a repercussão da sua decisão junto à opinião publica: “Estou me lixando para a opinião publica. Vocês falam mal da gente, mas a gente acaba se elegendo”.
Na verdade, Sérgio Moraes quis dizer que estava se lixando para a opinião da repórter, da imprensa que ela representava: a imprensa que não quer, apenas, noticiar e denunciar, mas julgar, incutindo na opinião publica o seu próprio pensamento, sua própria sentença. Foi isso que deixou a imprensa louca da vida. Sérgio a afrontou, a desafiou, foi-lhe irreverente, e isso os donos da verdade, da moral, dos bons costumes, da suposta honestidade, não admitem: serem afrontados, serem irreverenciados.
Daí plantarem, até mesmo, a falsa noticia sobre Sérgio Moraes na internet e o site do “google” chegar a divulga-la, sem perceberem seus gerenciadores a falsidade. Não há, nenhuma acusação sobre suposto “estupro” de velhinho contra Sérgio Moraes.
Tudo não passa de pouca-vergonha de uma imprensa desavergonhada que se pretende vigilante contra os desavergonhados e é mais desavergonhada que os sem-vergonha que acusa de desavergonhados.

domingo, 26 de abril de 2009

O SUPREMO DE FRANGO

A revista Veja que circula nesse domingo, 26 de abril de 2009, traz ampla reportagem sobre o quiprocó entre os excelentissimos srs. ministros Joaquim Barbosa e Gilmar Mendes, ambos do Supremo Tribunal Federal e, o ultimo, seu presidente atual. Na reportagem, Veja, ao contrário de grande parte dos leitores dos sites de noticias aos quais tive acesso nos ultimos dias, critica veementemente Joaquim Barbosa, pelo seu destempero verbal.
Não é a primeira vez que Joaquim Barbosa dá seu showzinho para o pais, através das câmaras da TV Justiça, que transmite as sessões do STF e outros tribunais superiores, com vistas evidente à aparecer na midia nacional. Lembro-me, bem, de pelo menos um caso recente.
Quando nomeado pelo presidente da República para o mais alto cargo da judicatura brasileira, Joaquim Barbosa foi saudado pela imprensa e até pelo presidente, não por sua capacidade jurídica, mas por ser o "primeiro ministro negro do STF", assim como, na época em que Fernando Henrique nomeou Ellen Gracie, também foi saudada por ser "a primeira mulher no STF", e não por sua cultura juridica. Lembro-me bem da ex-senadora e ex-ministra Benedita da Silva que, quando foi nomeada para o ministério pelo mesmo presidente Lula, foi saudada como a "primeira favelada" a ocupar um lugar na esplanada de Brasilia.
Triste Brasil, onde os supostamente bons de serviço -- ou que deveriam sê-lo -- não são elevados a altos cargos por serem bons, ou, pelo menos, assim não são saudados quando lá chegam, mas porque foram "operários", "favelados", "negros".
É como antigamente, quando alguns eram acusados de obterem algum cargo elevado por serem "filhos de fulano", "netos de sicrano". A diferença é que, quando alguém era acusado de lograr algum lugar de destaque por ser "filho do papai ou neto do vovô", significava um desdouro, tais como as atrizes que se dizia que conseguiram o estrelado numa novela porque "passara pelo teste do sofá" do diretor.
Joaquim Barbosa é um ministro tão fraco como a imensa maioria dos demais ministros do STF, do STJ, desembargadores dos Tribunais de Justiça ou mesmo juizes de primeira instância. Fraco como o proprio Gilmar Mendes já o foi e ainda o é, embora, às vezes, surpreenda com sua coragem ao tomar decisões polêmicas -- como um outro ex-presidente do STF também tinha a coragem de tomar --, como, por exemplo recente, no caso dos habeas corpus a Daniel Dantas, que irritou muito hipócrita, com e sem toga.
Como Ministro do Tribunal Superior Eleitoral, no ano passado, deixou dormitando na gaveta recursos eleitorais que lhe foram distribuidos, somente sobre eles decidindo quando há muito as eleições haviam se passado, com evidente prejuízo para os candidatos.
Como Ministro do Supremo Tribunal Federal, tem se especializado em criar polêmicas com alguns colegas - Gilmar Mendes é sua vitima preferida -- durante as sessões, que deveriam ser solenes e obedecerem a um rito dado pelo Regimento Interno da Corte, atento à liturgia de seu cargo e da propria Corte pela qual chegou, não por ser "negro" (pelo menos, assim esperam os brasileiros), mas por sua capacidade, honestidade e competência.
Acusar o colega Gilmar Mendes, presidente da Corte da qual faz parte, numa sessão onde discutia-se um caso corriqueiro que envolvia aspectos unicamente jurídicos, de ter "capangas" em Mato Grossoe de não ter moral, porque Gilmar, usando de sua prerrogativa de presidente, não lhe atendeu determinada questão de ordem, e, pior, sem qualquer prova de que o presidente da Corte seria "capangueiro" -- embora uma certa revista nacional, também sem qualquer prova, haja publicado certas matérias nesse sentido contra Gilmar, curiosamente depois que ele mandou soltar Daniel Dantas -- em nada demonstra que teria sido nomeado para o Supremo pelas qualidades que certamente possui. Pelo contrário, deixa a falsa impressão de que, realmente, sómente chegou lá porque um presidente da República "operário", que levou uma "favelada" para o Ministério, queria mostrar que também podia colocar um "negro" na mais alta Corte de Justiça do País.
Pior ainda, faz com que gente como eu, que conheceu, no final da década de 1970, no Rio de Janeiro um juiz que dizia que o unico Supremo que respeitava era o supremo de frango, ainda assim quando preparado por sua dileta esposa, tivesse razão.

quarta-feira, 11 de março de 2009

EXCOMUNGOU. E DAI?

Antes que aquele Bispo ou o Papa também me excomungue, quero declarar que sou católico apostólico romano e, mesmo se não o fosse, teria o maior respeito para com as instituições da Santa Madre Igreja Católica, como tenho pelas instituições das Igrejas Protestantes em geral e até pelas instituições do Candomblé, apesar, nesses dois casos, dos bispos macedos da vida e de alguns “pais-de-santo” pilantras. A Igreja Católica, pois, merece o devido respeito de todos nós, mesmo tendo sido a responsável pelos horrores da Inquisição ou pela nefasta proteção aos casos de abusos sexuais que vieram a publico nos últimos anos.
Esse respeito, contudo, não me impede de manifestar meu verdadeiro horror – parece exagero, mas é isso mesmo, horror – com a atitude de um Bispo nordestino, que excomungou a mãe de uma menina de 9 anos, grávida em virtude de um estupro cometido pelo próprio padrasto, e também médicos que realizaram o aborto, autorizado pela Justiça, naquela criança, para evitar até mesmo a sua morte, porque a gravidez, além de tudo, era de alto risco.
Pra ser bem sincero, apesar da meu catolicismo apostolistico romanistico, se fosse eu o excomungado por aquele Bispo estaria pouco me lixando. Primeiro, porque a excomunhão, na pratica, não leva a absolutamente nada: se impede o recebimento dos chamados sacramentos, como o batismo, o casamento, a crisma, a comunhão –impede também a confissão? Padre pergunta para o confesso se ele esta no pleno gozo de seus direitos católicos, quando toma-lhe a confissão? – tais sacramentos, na vida cotidiana da maioria dos cidadãos, estão perdendo cada vez mais a, digamos, “usualidade”. Pouco se casa na Igreja católica ou casa-se muito menos que no passado, mesmo porque o preço de um casamento esta ela hora da morte, e, por falar em morte, acho que o da extrema-unção também.
Então, o Bispo excomungou? E daí?
Daí, nada. Mas o problema é que a excomunhão veio em cima de gente extremamente humilde, pobre, inculta, justamente a classe social que mais importância dá a esse tipo de coisa, ainda mais no Nordeste brasileiro, onde a religiosidade é uma característica fortíssima do povo.
E, pior, veio por puro preconceito, ou seja, o conceito pré-concebido de que a vida humana somente a Deus compete dar ou tirar, pouco importando como é, está sendo, ou venha a ser essa vida. Não se admite a eutanásia, porque o sujeito tem que morrer aos poucos, como o máximo e dane-se seu sofrimento irreversível. Não se admite o aborto, porque a vida é uma criação Divina, pouco importando se aquele feto tem condições reais de vida digna – como a dos Bispos, por exemplo – ou se será um Ser vegetativo, e que dane-se se a mãe vai morrer durante o parto.
Não sei se é verdade,mas parece-me que, modernamente, até as Testemunhas de Jeová passaram a admitir, em casos de risco de vida, as transfusões de sangue, que não permitiam no passado.
Se as Instancias Superiores a esse Bispo não reverterem a tal excomunhão, o horror estará instalado em meio aos católicos, como na época da Inquisição.
Nada é mais importante que a vida, mas a vida de quem já a está vivendo.