A carta que voces vão ler agora está circulando pela Internet e me foi repassada por um amigo. Prestem bem atenção no que voces vão ler:
Carta à Shell - 1986 - Relíquia histórica
CARTA ENVIADA À SHELL NOS ANOS '80
Este fato é verdadeiro. A Shell tem a carta arquivada. Isto é FANTÁSTICO. NÃO TEM PREÇO, UMA RARIDADE A empresa Shell abriu seus arquivos e veio a conhecer o conteúdo e uma carta enviada por um consumidor, nos anos 80, ao seu Serviço de Atendimento ao Consumidor. Ela está transcrita na sua forma original, inclusive com os erros gramaticais. Conheça a carta: "Olá!Tenho um Corcel II 1986 a álco e sou cliente dos posto Shell. Não abasteço em nenhum otro posto há mais de 5 ano. Tô escrevendo porque tô com uma dúvida na qual acho que vocês são os mais indicado a me ajuda. A questã é que tô progamando uma viage para domingo dia 27/10. Nesse dia será realizado o 2º turno das eleição e mais uma vez vai tê a proibição de venda de alco da meia noite até a meia noite de domingo. A chamada lei seca. Mas o trajeto que pretendo percorre no domingo é muito maior do que cabe de alco no tanque do meu carro, já que não vai tê venda de alco, vô te que carrega em alguma vasilha o resto que segundo meus cálculo é um tanque e meio quase 100 litro . Gostaria de sabe qual a vasilha mais segura pra transporta o alco ou se tem alguma outra solução pro meu pobrema. Pensei em talvez abastece com gasolina por que a proibição de venda é so de alco pelo que eu vi. Caso a solução seja mesmo a de transporta o combustive a se usado, gostaria de sabe se algum posto de vocês na região da Grande ABC poderia faze um desconto por que eu vo está comprando mais de 150 Litro de alco no sábado. Conto com a ajuda de vocês. Assinado: Luis Inacio da Silva Torneiro Mecânico São Bernardo do Campo/SP"
A idéia, certamente, é divulgar que o atual presidente, Luiz Inacio Lula da Silva, que, no ano de 1986, ainda não se assinava Lula, que era somente seu apelido, teria escrito a tal carta para a Shell, e, com isso, demonstrar o quanto ignorante seria nosso presidente da Republica.
O diabo é que não dá prá acreditar na veracidade dessa carta. Das duas, uma: ou a carta é verdadeira, mas o tal Luiz Inacio da Silva que a escreveu não seria Lula, ou a carta é simplesmente falsa e pronto.
Em 1986, o Sr. Luiz Inacio da Silva, que era Lula somente no apelido, era um dos candidatos a Deputado Federal pelo Partido dos Trabalhadores. Se o leitor não tem memória fraca, ou, se é jovem demais para se lembrar dos fatos, deve ter um minimo de conhecimento da história recente do pais, deve lembrar-se que foi o famoso ano do Plano Cruzado, e que, naquelas eleições, que também eram para a Assembléia Nacional Constituinte, Lula foi eleito deputado federal, enquanto o PMDB fez a quase totalidade dos governadores dos Estados (perdeu somente em um Estado em todo o país).
É simplesmente inadmissível que Lula, já velho de guerra na politica e no trato com politicos e homens de empresa em geral, fosse tão BURRO, a ponto de confundir a proibição de bebidas alcóolicas com a de alcool combustivel no dia das eleições.
A carta, portanto, é falsa ou foi escrita por outra pessoa e, agora, estaria sendo usada com má-fé por quem a está divulgando.
E olha que não sou nem um pouco simpático ao Sr. Luiz Inacio Lula da Silva, nunca fui simpatico ao Sr. Luiz Inacio da Silva, nem com seu Partido, muito menos com seu governo.
Quando a equipe de Fernando Collor de Mello, nas eleições de 1989, levou ao ar aquela entrevista com a enfermeira mutreteira, mãe de uma filha de Lula, que, certamente, levou uma nota preta para dizer o que disse, eu sabia duas coisas: a primeira, que provavelmente seria absolutamente verdadeiro o fato de que Lula teria pedido a ela, quando engravidou, que abortasse a criança, mesmo porque, seria um pedido extremamente natural de um homem casado que teve um caso extraconjugal; a segunda, que a enfermeira não tinha um pingo de vergonha na cara em fazer o depoimento que fez, porque teria recebido dinheiro para isso, levando ao conhecimento da Nação um caso absolutamente particular, que não tinha nada a ver com o comando do Pais que poderia, ou não, vir a ser assumido por seu ex-amante, caso este vencesse as eleições e que tal senhora era tão sem caráter, que não se importou, sequer, pelo fato de sua filha estar sendo levada ao renome nacional, como se fosse a filha renegada pelo candidato a presidente. E não era nada disso. A equipe de Fernando Collor errou e errou feio. Demonstrou tanta falta de caráter de seus membros, quanto o da tal enfermeira.
Agora, surge essa absurda suposta carta de Lula enviada a Shell em 1986.
Parece que pior que Lula são seus opositores. Acho que se merecem.
segunda-feira, 10 de março de 2008
sábado, 8 de março de 2008
CASO JOÃO VITOR: RIDICULO OU SURREALISTA?
Não dá prá levar a sério esse país, mesmo. Acabo de ler no portal "Educação" do "UOL", que o menino João Vitor, aquele garoto de 8 anos que fez o vestibular para Direito na UNIP - Universidade Paulista -- e foi aprovado, "desistiu" de fazer o curso.
Segundo a noticia, João Vitor teria sido impedido de entrar nas dependências da Faculdade na ultima quinta-feira, quando tentou assistir às aulas. Até aí, tudo bem.
O diabo é que a noticia também diz que João Vitor, após aprovado no tal vestibular, logrou efetivar sua matrícula na tal faculdade da Unip!!!!!
Como não estava amparado em nenhuma liminar concedida em ação judicial que teria promovido face a Unip, tá dificil entender porque a Faculdade de Direito daquela Universidade particular teria aceito fazer a matricula do garoto, se é que a noticia não está errada, o que me parece mais provável. Porque, se a noticia não estiver errada nesse ponto, sugiro, urgentemente, ao Ministério da Educação e a Ordem dos Advogados do Brasil que fechem imediatamente a Faculdade de Direito da Unip, porque a única explicação para que tivessem aceito fazer a matricula do menino seria o fato de que seu pai teria pago as taxas correspondentes. E Faculdade que aceita matricular um menino de 8 anos, que ainda não concluiu o ensino basico, apenas porque ele passou no vestibular, em razão exclusivamente do dinheirinho que caiu no seu caixa, está a um passo de também expedir diplomas somente porque o aluno pagou as mensalidades em dia.
O caso de João Vitor é uma dessas coisas ridiculas e surrealistas que vivem ocorrendo no Brasil, inclusive na área de ensino.
Teria logrado aprovação no vestibular para o curso de Direito da UNIP, uma universidade particular. Até aí nada demais. Primeiro, porque o menino pode, sim, ser um desses garotos super-dotados, que conseguiram aprender muito antes dos demais da sua idade as matérias exigidas em qualquer vestibular: matemática, fisica basica, quimica fundamental, português comum, inglês básico, essas coisas. Segundo porque, se não for o genio que pode até ser, talvez tivesse logrado aprovação por pura sorte, como aquele macaquinho que passou num vestibular de uma universidade carioca há cerca de 20 anos e fizeram um escândalo nacional (a prova não era discursiva, mas do tipo multipla escolha) sem motivo algum. Acredito mais na primeira hipótese.
Ao ser entrevistado por um jornalista, João Vitor teria dito que queria ser Juiz no futuro, mas não soube dizer, exatamente, quais as funções de um Juiz de Direito: limitou-se a responder que Juiz mandava prender e mandava soltar. Boa resposta, mas incompleta: faltou dizer que Juiz, quando manda prender, nem sempre é obedecido, e, quando manda soltar, o delegado ou carcereiro sempre enrolam o quanto podem para cumprir a ordem. Cairam de pau em cima de João Vitor: "Como pode? esse menino não sabe nada!!! Nem sabe direito o que um juiz faz!!" Esqueceram-se que João Vitor passou num vestibular comum e não num concurso publico para a carreira da Magistratura.
Alias, fico imaginando como seria João Vitor, aos 13 anos, Juiz de Direito, mesmo sem ser imputável penalmente ou responsavel civilmente. Restar-lhe-ia, quem sabe, ser titular de uma Vara de Menores, né?
O pai do menino declarou ao site da UOL onde li que ele foi impedido de assistir às aulas, que não vai entrar na Justiça. Vai aguardar um proximo vestibular para que seu geniozinho seja aprovado de novo, mas em outra Universidade.
Seu garoooooto não merece a UNIP.
Nós, brasileiros, sim, merecemos esse espetáculo que não sei dizer ao certo se é ridiculo ou surrealista.
Segundo a noticia, João Vitor teria sido impedido de entrar nas dependências da Faculdade na ultima quinta-feira, quando tentou assistir às aulas. Até aí, tudo bem.
O diabo é que a noticia também diz que João Vitor, após aprovado no tal vestibular, logrou efetivar sua matrícula na tal faculdade da Unip!!!!!
Como não estava amparado em nenhuma liminar concedida em ação judicial que teria promovido face a Unip, tá dificil entender porque a Faculdade de Direito daquela Universidade particular teria aceito fazer a matricula do garoto, se é que a noticia não está errada, o que me parece mais provável. Porque, se a noticia não estiver errada nesse ponto, sugiro, urgentemente, ao Ministério da Educação e a Ordem dos Advogados do Brasil que fechem imediatamente a Faculdade de Direito da Unip, porque a única explicação para que tivessem aceito fazer a matricula do menino seria o fato de que seu pai teria pago as taxas correspondentes. E Faculdade que aceita matricular um menino de 8 anos, que ainda não concluiu o ensino basico, apenas porque ele passou no vestibular, em razão exclusivamente do dinheirinho que caiu no seu caixa, está a um passo de também expedir diplomas somente porque o aluno pagou as mensalidades em dia.
O caso de João Vitor é uma dessas coisas ridiculas e surrealistas que vivem ocorrendo no Brasil, inclusive na área de ensino.
Teria logrado aprovação no vestibular para o curso de Direito da UNIP, uma universidade particular. Até aí nada demais. Primeiro, porque o menino pode, sim, ser um desses garotos super-dotados, que conseguiram aprender muito antes dos demais da sua idade as matérias exigidas em qualquer vestibular: matemática, fisica basica, quimica fundamental, português comum, inglês básico, essas coisas. Segundo porque, se não for o genio que pode até ser, talvez tivesse logrado aprovação por pura sorte, como aquele macaquinho que passou num vestibular de uma universidade carioca há cerca de 20 anos e fizeram um escândalo nacional (a prova não era discursiva, mas do tipo multipla escolha) sem motivo algum. Acredito mais na primeira hipótese.
Ao ser entrevistado por um jornalista, João Vitor teria dito que queria ser Juiz no futuro, mas não soube dizer, exatamente, quais as funções de um Juiz de Direito: limitou-se a responder que Juiz mandava prender e mandava soltar. Boa resposta, mas incompleta: faltou dizer que Juiz, quando manda prender, nem sempre é obedecido, e, quando manda soltar, o delegado ou carcereiro sempre enrolam o quanto podem para cumprir a ordem. Cairam de pau em cima de João Vitor: "Como pode? esse menino não sabe nada!!! Nem sabe direito o que um juiz faz!!" Esqueceram-se que João Vitor passou num vestibular comum e não num concurso publico para a carreira da Magistratura.
Alias, fico imaginando como seria João Vitor, aos 13 anos, Juiz de Direito, mesmo sem ser imputável penalmente ou responsavel civilmente. Restar-lhe-ia, quem sabe, ser titular de uma Vara de Menores, né?
O pai do menino declarou ao site da UOL onde li que ele foi impedido de assistir às aulas, que não vai entrar na Justiça. Vai aguardar um proximo vestibular para que seu geniozinho seja aprovado de novo, mas em outra Universidade.
Seu garoooooto não merece a UNIP.
Nós, brasileiros, sim, merecemos esse espetáculo que não sei dizer ao certo se é ridiculo ou surrealista.
quinta-feira, 6 de março de 2008
VEREMOS SE ELES APRENDEM AGORA
Pode parecer que sim, mas, com toda sinceridade, não tenho nada, absolutamente nada, contra a Rede Globo de Televisão ou a familia do falecido Roberto Marinho. Se o nível de seus programas mais populares está mais baixo que o cálculo do que se considera linha de pobreza no Brasil, isso acontece em todas as redes de TV abertas do pais e do mundo, à exceção, no Brasil, da quase nada assistida TV Educativa ou TV Cultura.
O que não posso é furtar-me a comentar os fatos que estão à vista de todos, como a igonorância de alguns de seus repórteres e locutores, e mesmo redatores, que sómente fazem com que o povo saia dizendo grossas bobagens, porque ouviram na telinha mágica.
Por exemplo, no caso da Globo - como das outras emissoras: aquelas malditas entrevistas gravadas com cidadãos comuns, onde são editados os trechos que a emissora considera mais "interessantes" para serem jogados no ar, levando o sujeito a dizer o que na verdade não disse. Ou a edição das tais "conversas telefonicas gravadas com autorização da Justiça", onde também leva-se o distinto -- para não dizer trouxa -- publico a pensar que o sujeito é um tremendo corrupto, quando, em grande parte dos casos, foram pinçados alguns trechos da conversa que, supostamente, dariam a entender conversas sobre corrupção, que, na verdade, não existe.
Querem um exemplo prático: Uma vez uma emissora de rádio de uma certa cidade, divulgou um trecho de um grampo telefônico onde se ouvia a seguinte conversa: -- "E aí, cara, o meu não vai sair não?" -- "Pô, sair o que? Você não teve participação nesse negócio, não, então não tem nada prá você" -- "Isso não vai ficar assim, não, cara. Eu vou até as ultimas consequências, para receber a minha parte nesse negócio ai". Com esse trecho de conversa, o locutor do tal programa radiofônico dizia que o politico que estava de um lado da linha estaria cobrando sua parte numa suposta comissão paga ao prefeito local por uma empresa, para vencer uma concorrência. O caso foi parar na Justiça, e a gravação integral da conversa revelava que o que o tal politico, que também era advogado, cobrava de um seu colega uma parte dos honorarios por haver participado na elaboração da defesa de um cliente. Tudo legal, tudo honesto.
Hoje, leio no site do UOL, que uma juiza carioca condenou a Rede Globo de Televisão a exibir, na integra, o depoimento de uma empregada doméstica, cuja imagem e parte do depoimento fora exibido na época daquela novela "Páginas da Vida", onde a tal empregada dizia que se masturbava. Lembram-se daqueles finaizinhos ridiculos daquela novela, onde sempre aparecia alguém para contar uma história sobre sua vida? Recebiam 300 reais caso seu depoimento fosse selecionado para ser levado ao ar.
Pois bem, o depoimento da tal empregada durou 90 minutos (uma hora e meia) e sómente exibiram uns 30 segundos, onde ela dizia que se masturbava. Ao assistir a cena em meio a familiares, certamente convocados junto com toda a vizinhança para ver como ela ficava bonita na televisão, a empregada tomou um susto, porque ela, na verdade, discorria ao repórter sobre uma série de fatos envolvendo sua vida, inclusive sexual. Mas a Globo jogou no ar apenas aquela parte onde ela dizia que se masturbava, porque, certamente, daria mais audiência.
A Globo recorreu da decisão e, provavelmente, vai ficar recorrendo por muitos anos e, mais provavelmente ainda, vai perder em todas as instâncias. Daqui a uns 10 anos, quem sabe, possamos assistir ao depoimento integral da tal domestica.
A Globo alegou como defesa que não teria mais a fita. Bobagem, sei que tem, sim, mesmo porque os repórteres guardam consigo copias dos seus trabalhos, que servem como referências para a eventualidade de caça a futuros empregos. A multa pela não exibição fixada pela juiza é de 100 reais por dia, limitada a 50 mil.
É absolutamente certo que a empregada receberá os tais 50 mil reais e que a fita jamais será divulgada, pela emissora, mesmo porque, se o fizer, será chamada de mentirosa pela Justiça, já que alegou não mais te-la.
Alias, acho mesmo que a empregada está, hoje, mais interessada nesses 50 mil reais do que em ver seu depoimento de uma hora e meia -- que deve ser chato a beça -- ir ao ar.
De qualquer forma, ficou a lição para a Globo.
Que, espero, todas as demais emissoras aprendam.
O que não posso é furtar-me a comentar os fatos que estão à vista de todos, como a igonorância de alguns de seus repórteres e locutores, e mesmo redatores, que sómente fazem com que o povo saia dizendo grossas bobagens, porque ouviram na telinha mágica.
Por exemplo, no caso da Globo - como das outras emissoras: aquelas malditas entrevistas gravadas com cidadãos comuns, onde são editados os trechos que a emissora considera mais "interessantes" para serem jogados no ar, levando o sujeito a dizer o que na verdade não disse. Ou a edição das tais "conversas telefonicas gravadas com autorização da Justiça", onde também leva-se o distinto -- para não dizer trouxa -- publico a pensar que o sujeito é um tremendo corrupto, quando, em grande parte dos casos, foram pinçados alguns trechos da conversa que, supostamente, dariam a entender conversas sobre corrupção, que, na verdade, não existe.
Querem um exemplo prático: Uma vez uma emissora de rádio de uma certa cidade, divulgou um trecho de um grampo telefônico onde se ouvia a seguinte conversa: -- "E aí, cara, o meu não vai sair não?" -- "Pô, sair o que? Você não teve participação nesse negócio, não, então não tem nada prá você" -- "Isso não vai ficar assim, não, cara. Eu vou até as ultimas consequências, para receber a minha parte nesse negócio ai". Com esse trecho de conversa, o locutor do tal programa radiofônico dizia que o politico que estava de um lado da linha estaria cobrando sua parte numa suposta comissão paga ao prefeito local por uma empresa, para vencer uma concorrência. O caso foi parar na Justiça, e a gravação integral da conversa revelava que o que o tal politico, que também era advogado, cobrava de um seu colega uma parte dos honorarios por haver participado na elaboração da defesa de um cliente. Tudo legal, tudo honesto.
Hoje, leio no site do UOL, que uma juiza carioca condenou a Rede Globo de Televisão a exibir, na integra, o depoimento de uma empregada doméstica, cuja imagem e parte do depoimento fora exibido na época daquela novela "Páginas da Vida", onde a tal empregada dizia que se masturbava. Lembram-se daqueles finaizinhos ridiculos daquela novela, onde sempre aparecia alguém para contar uma história sobre sua vida? Recebiam 300 reais caso seu depoimento fosse selecionado para ser levado ao ar.
Pois bem, o depoimento da tal empregada durou 90 minutos (uma hora e meia) e sómente exibiram uns 30 segundos, onde ela dizia que se masturbava. Ao assistir a cena em meio a familiares, certamente convocados junto com toda a vizinhança para ver como ela ficava bonita na televisão, a empregada tomou um susto, porque ela, na verdade, discorria ao repórter sobre uma série de fatos envolvendo sua vida, inclusive sexual. Mas a Globo jogou no ar apenas aquela parte onde ela dizia que se masturbava, porque, certamente, daria mais audiência.
A Globo recorreu da decisão e, provavelmente, vai ficar recorrendo por muitos anos e, mais provavelmente ainda, vai perder em todas as instâncias. Daqui a uns 10 anos, quem sabe, possamos assistir ao depoimento integral da tal domestica.
A Globo alegou como defesa que não teria mais a fita. Bobagem, sei que tem, sim, mesmo porque os repórteres guardam consigo copias dos seus trabalhos, que servem como referências para a eventualidade de caça a futuros empregos. A multa pela não exibição fixada pela juiza é de 100 reais por dia, limitada a 50 mil.
É absolutamente certo que a empregada receberá os tais 50 mil reais e que a fita jamais será divulgada, pela emissora, mesmo porque, se o fizer, será chamada de mentirosa pela Justiça, já que alegou não mais te-la.
Alias, acho mesmo que a empregada está, hoje, mais interessada nesses 50 mil reais do que em ver seu depoimento de uma hora e meia -- que deve ser chato a beça -- ir ao ar.
De qualquer forma, ficou a lição para a Globo.
Que, espero, todas as demais emissoras aprendam.
quarta-feira, 5 de março de 2008
ORDINÁÁÁÁÁRIO, MARCHE !!!!!
Semana passada escrevi neste espaço sobre a ignorância histórica de um repórter da Rede Globo que, ao fazer a chamada do dia para o Big Brother Brasil, disse a besteira de que D. Pedro I teria dito a frase "Diga ao Povo que Fico" das sacadas do Paço Imperial, na Praça XV de Novembro, no Rio de Janeiro. Alias, somente no Rio e no Brasil para a Praça do Paço Imperial ter seu nome homenageando a data da Proclamação da República, né mesmo? Sabiam que o Rio é, talvez, a unica cidade do mundo, onde não ha uma estatua homenageando seu fundador, Estacio de Sá? Ééééé. Tem até um sambinha muito antigo, gravado por Miltinho, que pergunta: "cadê a estatua de Estacio de Sá? Cadê a Estátua de Estácio de Sá?".
Bom, isso não interessa.
No dia 3 de março, segunda-feira passada, foi o dia da incorporação dos novos recrutas do serviço militar obrigatório ao Exército Brasileiro.
Numa reportagem óbviamente encomendada, o Jornal Nacional, da Rede Globo, transmitiu a solenidade de incorporação de uns recrutas (ou conscritos, sei lá como se chama ao certo), de um determinado Batalhão do Exército.
O mote da reportagem era uma suposta pesquisa onde se revelava que mais de 80 por cento dos jovens atuais serviriam ao Exército brasileiro, mesmo que não fossem obrigados a isso.
Para ilustrar a "vontade espontânea" dos jovens incorporados, alguns foram entrevistados, tendo até um idiota que disse que gostaria de servir para "moldar seu caráter". O jovem que precisar servir ao Exército para ter seu caráter "moldado", para mim já é, de cara, um mal-elemento. Pelo que sei, caráter, aos 18 anos de idade, já vem formado do berço, de casa. Não conheço bandido que tenha se tornado honesto por haver servido ao Exército, nem da Salvação.
Num outro momento ridiculo da reportagem, o locutor diz: "Na hora de pegar a farda, a ansiedade é tão grande entre esses jovens, que vão correndo". Enquanto diz a besteira, a câmera mostra um rapaz saindo da fila e, em ritmo acelerado, supostamente se dirigindo para receber sua farda de alguém que estava à sua frente (a câmera não mostra quem, o que, para mim, deu a entender que foi uma cena "montada", ou seja, mandou-se o rapaz sair da fila correndo, como se fosse buscar a farda, para ser filmado).
Tudo na reportagem global foi ridiculo. Fico pensando no quanto sofrem ( ou será que não sofrem?) esses repórteres e locutores que são obrigados a fazer reportagens tão imbecis como esta, ou como a de aniversarios de cachorros de madames. No aniversario de cachorro de madame, pelo menos, não tem mentiras.
Mentiras sim. Primeiro, porque essa "voluntariedade" do jovem atual em "servir a Pátria" não está ligada à "vontade de formação de caráter", porcaria nenhuma, como disse aquele babaca. A vontade de servir está nos tais R$ 200 e poucos reais que recebem por mês, o que, hoje, é dinheiro á beça para uma juventude pobre que, como mostram as pesquisas sérias, não está conseguindo lugar no mercado de trabalho, até mesmo porque seu nível de cultura é cada vez mais baixo, já que a educação no pais esta uma merda. Segundo, porque a reportagem dá a entender que todo recruta recebe os tais 200 e poucos reais. Mentira da grossa. Nos Tiros de Guerra-- pequenos quartéis (sei lá se posso chamar assim) normalmente sustentados pelas prefeituras --- desse pais afora, existentes nas pequenas cidades -- e até em algumas de porte médio do Nordeste - o "aluno atirador", como é chamado o recruta do serviço militar obrigatório, não recebe um tostão furado, embora também tenha que se levantar as 4 da matina para estar no quartel às 5, muito embora a jornada de serviço dure cerca de duas horas ou duas horas e meia, normalmente. Muitos acabam prejudicados nos estudos ou no trabalho, por causa dos plantões que são obrigados a tirar.
A reportagem da Globo foi tão mentirosa, tão ridicula, tão óvbiamente encomendada -- e mal feita -- que uma hora pensei que iria aparecer um General com bom senso e dar ordem unida ao repórter: "Ordinááááááário (e bota ordinário nisso!), marche!!!! (pra bem longe daqui!!!).
Bom, isso não interessa.
No dia 3 de março, segunda-feira passada, foi o dia da incorporação dos novos recrutas do serviço militar obrigatório ao Exército Brasileiro.
Numa reportagem óbviamente encomendada, o Jornal Nacional, da Rede Globo, transmitiu a solenidade de incorporação de uns recrutas (ou conscritos, sei lá como se chama ao certo), de um determinado Batalhão do Exército.
O mote da reportagem era uma suposta pesquisa onde se revelava que mais de 80 por cento dos jovens atuais serviriam ao Exército brasileiro, mesmo que não fossem obrigados a isso.
Para ilustrar a "vontade espontânea" dos jovens incorporados, alguns foram entrevistados, tendo até um idiota que disse que gostaria de servir para "moldar seu caráter". O jovem que precisar servir ao Exército para ter seu caráter "moldado", para mim já é, de cara, um mal-elemento. Pelo que sei, caráter, aos 18 anos de idade, já vem formado do berço, de casa. Não conheço bandido que tenha se tornado honesto por haver servido ao Exército, nem da Salvação.
Num outro momento ridiculo da reportagem, o locutor diz: "Na hora de pegar a farda, a ansiedade é tão grande entre esses jovens, que vão correndo". Enquanto diz a besteira, a câmera mostra um rapaz saindo da fila e, em ritmo acelerado, supostamente se dirigindo para receber sua farda de alguém que estava à sua frente (a câmera não mostra quem, o que, para mim, deu a entender que foi uma cena "montada", ou seja, mandou-se o rapaz sair da fila correndo, como se fosse buscar a farda, para ser filmado).
Tudo na reportagem global foi ridiculo. Fico pensando no quanto sofrem ( ou será que não sofrem?) esses repórteres e locutores que são obrigados a fazer reportagens tão imbecis como esta, ou como a de aniversarios de cachorros de madames. No aniversario de cachorro de madame, pelo menos, não tem mentiras.
Mentiras sim. Primeiro, porque essa "voluntariedade" do jovem atual em "servir a Pátria" não está ligada à "vontade de formação de caráter", porcaria nenhuma, como disse aquele babaca. A vontade de servir está nos tais R$ 200 e poucos reais que recebem por mês, o que, hoje, é dinheiro á beça para uma juventude pobre que, como mostram as pesquisas sérias, não está conseguindo lugar no mercado de trabalho, até mesmo porque seu nível de cultura é cada vez mais baixo, já que a educação no pais esta uma merda. Segundo, porque a reportagem dá a entender que todo recruta recebe os tais 200 e poucos reais. Mentira da grossa. Nos Tiros de Guerra-- pequenos quartéis (sei lá se posso chamar assim) normalmente sustentados pelas prefeituras --- desse pais afora, existentes nas pequenas cidades -- e até em algumas de porte médio do Nordeste - o "aluno atirador", como é chamado o recruta do serviço militar obrigatório, não recebe um tostão furado, embora também tenha que se levantar as 4 da matina para estar no quartel às 5, muito embora a jornada de serviço dure cerca de duas horas ou duas horas e meia, normalmente. Muitos acabam prejudicados nos estudos ou no trabalho, por causa dos plantões que são obrigados a tirar.
A reportagem da Globo foi tão mentirosa, tão ridicula, tão óvbiamente encomendada -- e mal feita -- que uma hora pensei que iria aparecer um General com bom senso e dar ordem unida ao repórter: "Ordinááááááário (e bota ordinário nisso!), marche!!!! (pra bem longe daqui!!!).
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008
ESTE É UM PAIS QUE VAI PRA FRENTE?
Tarde de terça-feira, 26 de fevereiro do ano de 2008 do nascimento de Cristo. Passo em frente ao televisor do salão da Prefeitura de Macarani, estado da Bahia, que permanece ligado enquanto uma série de cidadãos estão aguardando para serem atendidos por mim ou pelo prefeito. Todos atentos na telinha da TV Globo, onde um rapaz faz a chamada do dia para o programa que é um ícone da cultura da televisão brasileira: Big Brother Brasil sei lá que número.
Conheço o rapaz. Trata-se de um repórter de uma afiliada da Rede Globo do Vale do Paraiba, no estado de São Paulo, que há algum tempo faz as chamadas diárias para o Big Brother: Afinal, quais surpresas haverão para o distinto telespectador naquela noite na Casa dos Brothers? Quem vai votar em quem? Quem falou mal de quem? Quem chorou nos ombros de quem? Quem comeu quem?
Diante do Palácio do antigo Paço Imperial, na Praça XV de Novembro, no Rio de Janeiro, o jovem e ignorante repórter aponta para suas sacadas e dispara: "Destas sacadas, D. Pedro I, falou: Diga ao Povo que Fico".
Pronto. Parte da população de Macarani, estado da Bahia --e grande parte do povo brasileiro -- acabaram de aprender, através daquele jovem ignorantão que leu um texto elaborado por um sujeito ou sujeita mais ignorante ainda, uma inverdade.
D. Pedro I, na época apenas D. Pedro, já que não era ainda o Imperador do Brasil, mas, apenas, um principe regente, se algum dia realmente disse essa frase, como relatam todos os nossos historiadores, não foi nem na sacada do Paço Imperial, nem na varanda daquele reporterzinho, mas dentro de seu gabinete de trabalho, a emissários que teriam lhe levado um manifesto por sua permanência no Brasil, quando as Cortes Portuguesas apertavam o cerco diplomático por sua volta a sede do Império, por temer o que aconteceria poucos meses depois, a Independência do Brasil.
Sabe-se que há muito tempo a televisão brasileira, sobretudo os canais abertos mais populares, como a Globo, têm prestado um grande desserviço à cultura e á educaçao do nosso povo. O Programa Big Brother Brasil, na verdade, não presta serviço nem desserviço algum a esse sofrido povo. Trata-se, apenas, de uma exploração pura e simples. A Globo fatura, segundo divultou um site da Internet, cerca de 8 milhoes e 400 mil reais por semana (entre domingo e terça-feira) somente com os telefonemas de telespectadores votando num ou noutro "brother" que -- sabe-se lá porque -- quer ver sair da tal casa. Fora isso, 30 segundos de comercial no intervalo daquela porcaria custaria aproximadamente 100 mil reais. São algumas centenas de milhões de reais faturados durante um mes de exibição, e, talvez, mais de um bilhão faturados ao longo dos tres meses em que fica no ar. E, tudo, principalmente os telefonemas, bancados pela parcela mais pobre da população, que é a que mais liga. Na verdade, a direção determina aos participantes da Casa, que não conversem sobre coisas uteis, culturais, nada disso, porque não daria audiência. Esse teste, alias, foi feito na Inglaterra, quando fizeram um piloto de um programa semelhante, mas com conversas de nivel mais elevado, e uma pesquisa popular revelou que o programa não teria audiência. Não sei, portanto, se os convivas da Casa têm um minimo de cultura ou não, embora alguns, como aquele tal de Jean, o baiano que ganhou o premio num programa do ano retrasado, seja um professor.
O que é inadmissível é que um locutor ou repórter da emissora diga a bobagem que disse na chamada de terça-feira.
As pessoas -- e até a Globo que tanto defendeu os militares na época da ditadura -- metem o pau nos governos pós-golpe de 64.
Mas foi em 1972, no sesquicentenário da Independência do Brasil, sob plena ditadura do governo do General Garraztazu Médici, que a Embrafilme patrocinou "Independência ou Morte", o unico filme até hoje feito no Brasil sobre a nossa Independência, com Tarcisio Meira, Gloria Menezes, Dionizio Azevedo e outros grandes do teatro e da televisão brasileiros. Era um filme da época do Brasil Grande, do Pais que Vai Pra Frente, do Ame-o ou Deixe-o, mas era, sobretudo, um filme muitissimo bem feito, respeitando fielmente o que contavam os historiadores da época sobre o periodo pré e pós- Independência.
Neste filme, que até hoje pode ser alugado em qualquer locadora -- eu o tenho em meus arquivos se aquele reporterzinho e sua redatora ou redator quiserem -- aparece a cena em que D. Pedro, ainda Principe, diz a tal frase: "se é para o bem de todos, estou pronto. Diga ao Povo que fico".
Se tivessem assistido ao filme, talvez não dissessem a bobagem que disseram para o povo brasileiro. Bobagem maior do que as que ouvidos dos "brothers" daquela ficticia casa.
Conheço o rapaz. Trata-se de um repórter de uma afiliada da Rede Globo do Vale do Paraiba, no estado de São Paulo, que há algum tempo faz as chamadas diárias para o Big Brother: Afinal, quais surpresas haverão para o distinto telespectador naquela noite na Casa dos Brothers? Quem vai votar em quem? Quem falou mal de quem? Quem chorou nos ombros de quem? Quem comeu quem?
Diante do Palácio do antigo Paço Imperial, na Praça XV de Novembro, no Rio de Janeiro, o jovem e ignorante repórter aponta para suas sacadas e dispara: "Destas sacadas, D. Pedro I, falou: Diga ao Povo que Fico".
Pronto. Parte da população de Macarani, estado da Bahia --e grande parte do povo brasileiro -- acabaram de aprender, através daquele jovem ignorantão que leu um texto elaborado por um sujeito ou sujeita mais ignorante ainda, uma inverdade.
D. Pedro I, na época apenas D. Pedro, já que não era ainda o Imperador do Brasil, mas, apenas, um principe regente, se algum dia realmente disse essa frase, como relatam todos os nossos historiadores, não foi nem na sacada do Paço Imperial, nem na varanda daquele reporterzinho, mas dentro de seu gabinete de trabalho, a emissários que teriam lhe levado um manifesto por sua permanência no Brasil, quando as Cortes Portuguesas apertavam o cerco diplomático por sua volta a sede do Império, por temer o que aconteceria poucos meses depois, a Independência do Brasil.
Sabe-se que há muito tempo a televisão brasileira, sobretudo os canais abertos mais populares, como a Globo, têm prestado um grande desserviço à cultura e á educaçao do nosso povo. O Programa Big Brother Brasil, na verdade, não presta serviço nem desserviço algum a esse sofrido povo. Trata-se, apenas, de uma exploração pura e simples. A Globo fatura, segundo divultou um site da Internet, cerca de 8 milhoes e 400 mil reais por semana (entre domingo e terça-feira) somente com os telefonemas de telespectadores votando num ou noutro "brother" que -- sabe-se lá porque -- quer ver sair da tal casa. Fora isso, 30 segundos de comercial no intervalo daquela porcaria custaria aproximadamente 100 mil reais. São algumas centenas de milhões de reais faturados durante um mes de exibição, e, talvez, mais de um bilhão faturados ao longo dos tres meses em que fica no ar. E, tudo, principalmente os telefonemas, bancados pela parcela mais pobre da população, que é a que mais liga. Na verdade, a direção determina aos participantes da Casa, que não conversem sobre coisas uteis, culturais, nada disso, porque não daria audiência. Esse teste, alias, foi feito na Inglaterra, quando fizeram um piloto de um programa semelhante, mas com conversas de nivel mais elevado, e uma pesquisa popular revelou que o programa não teria audiência. Não sei, portanto, se os convivas da Casa têm um minimo de cultura ou não, embora alguns, como aquele tal de Jean, o baiano que ganhou o premio num programa do ano retrasado, seja um professor.
O que é inadmissível é que um locutor ou repórter da emissora diga a bobagem que disse na chamada de terça-feira.
As pessoas -- e até a Globo que tanto defendeu os militares na época da ditadura -- metem o pau nos governos pós-golpe de 64.
Mas foi em 1972, no sesquicentenário da Independência do Brasil, sob plena ditadura do governo do General Garraztazu Médici, que a Embrafilme patrocinou "Independência ou Morte", o unico filme até hoje feito no Brasil sobre a nossa Independência, com Tarcisio Meira, Gloria Menezes, Dionizio Azevedo e outros grandes do teatro e da televisão brasileiros. Era um filme da época do Brasil Grande, do Pais que Vai Pra Frente, do Ame-o ou Deixe-o, mas era, sobretudo, um filme muitissimo bem feito, respeitando fielmente o que contavam os historiadores da época sobre o periodo pré e pós- Independência.
Neste filme, que até hoje pode ser alugado em qualquer locadora -- eu o tenho em meus arquivos se aquele reporterzinho e sua redatora ou redator quiserem -- aparece a cena em que D. Pedro, ainda Principe, diz a tal frase: "se é para o bem de todos, estou pronto. Diga ao Povo que fico".
Se tivessem assistido ao filme, talvez não dissessem a bobagem que disseram para o povo brasileiro. Bobagem maior do que as que ouvidos dos "brothers" daquela ficticia casa.
sábado, 23 de fevereiro de 2008
VAI COMEÇAR A PELEJA !!!!!!
Era assim que os locutures de rádio de antigamente iniciavam as transmissões dos jogos de futebol, no momento em que o juiz -- hoje chamado de ábitro -- dava o primeiro apito e a bola rolava em campo.
Na política, teóricamente, o primeiro apito do juiz é quando a Justiça Eleitoral registra as candidaturas, no inicio de julho do ano das eleições. Apenas teóricamente, como tudo em termos de eleições no Brasil, porque, na realidade, a "peleja" começa quando os candidatos se agrupam nos partidos, no final de setembro do ano anterior às eleições. Desde que houve a famosa emenda comprada de Fernando Henrique Cardoso à Constituição Brasileira permitindo a reeleição para os cargos Executivos, a "peleja" começa, na verdade, assim que os eleitos tomam posse.
Teremos eleições municipais, para o Executivo e o Legislativo, agora, em 2008. Faltam, apenas, 8 meses para que nós, os eletrouxas, enfrentemos sol ou chuva -- ou os dois -- nas filas de votação, para elegermos ou reelegermos os governantes e os legisladores municipais.
Aguentaremos, a partir de julho, os irritantes carros de som, os pentelhos dos cabos eleitorais empurrando-nos "santinhos" dos seus candidatos. Isto nas cidades de porte médio para cima, porque nas pequenas cidades, muita gente enfrenta até tiroteio nas ruas e emboscadas nas estradas. Veremos brigas de socos e pontapés entre os correligionários de uns e outros candidatos que, esperam, venham a ter suas vidas arrumadas com uma bom emprego fantasma se seu defendido tomar posse em 1º de janeiro do ano que vem.
Pior que isso, veremos eleitores vendendo, ou supostamente vendendo, seus votos por qualquer trocado que dê para pagar uma dose de cachaça nos bares das cidades e da zona rural, por uma compra em supermercado ou feira, por um blocos de tijolos ou cimentos para "bater" uma laje na sua casa, por um bojtijão de gás. E veremos eleitores iludidos com falsas promessas de grandes ou pequenas obras ou de empregos nas prefeituras. Conta-se um caso de um candidato numa cidadezinha mineira, há cerca de 40 anos, que prometeu em palanque a construção de uma ponte num bairro rural, durante um comicio. Ao ser advertido por um eleitor que assistia ao comício, que ali não havia rio por perto, não titubeou e prometeu que mandaria passar um rio por ali também.
Aqui, em Macarani, sudoeste da Bahia, fronteira com Minas Gerais, o candidato da oposição contará -- alias, já conta -- com o apoio total de um cidadão que daqui saiu mais pobre que o vocabulário do presidente Lula, e voltou com uma fortuna maior que a de Maluf nos paraisos fiscais. O sujeito chegou há cerca de ano e meio, comprou fazendas produtivas e improdutivas, terrenos na área urbana, e construiu uma mansão que, se quiser vender, não encontrará quem dê um terço do que gastou para construir. Tudo para humilhar, para mostrar poder econômico, por motivos que sómente se pode atribuir a quem ganhou dinheiro -- honestamente ou não -- mas não ganhou um pingo de cultura ao longo do tempo. Coisa de "novo rico" em grana e "eternamente pobre" de espirito. O cara já prometeu até constuir um restaurante para uma pobre senhora dona de um bar, evidentemente procurando ganhar seu voto e apoio para o seu candidato, sabendo que há mais de 30 anos, ela sempre apoiou e votou no atual prefeito, virtual candidato à reeleição. O diabo é que o cara, evidentemente, não gastará sua fortuna -- ou minima parte dela -- para ajudar na eleição do tal candidato, sem que esteja pretendendo grandes lucros futuros, porque pode ser um igonorantão, mas burro ou bobo não é, não.
Eu acho, sinceramente, que a população de Macarani não vai cair nessa, mas na maioria das cidades brasileiras há elementos tão perniciosos na politica -- ou por detrás de alguns politicos -- quanto o "novo rico" daqui, e o povo cairá, conscientemente ou não, nas suas lábias.
Há mais de 30 anos, fazia sucesso em todo o pais uma marchinha encomendada pelo governo militar, gravada pelos "Incriveis" (uma banda famosa na época), que tinha o refrão "esse é um pais que vai pra frente", mesma frase estampada em adesivos ostentados pela maioria dos carros.
Acabou-se o ufanismo do Brasil Grande do governo militar. Acabou-se o nacionalismo. Chego a dizer que acabou-se aquele orgulho de ser brasileiro.
Mas, a julgar pelas campanhas eleitorais e seus resultados na maioria imensa dos municipios brasileiros -- e até nos âmbitos estadual e federal --, e enquanto houverem "novos ricos" achando que podem prometer construir restaurantes para proprietários de bares, caso apoiem seus candidatos, acabou-se, também, a esperança de que esse país, realmente, vá pra frente.
Na política, teóricamente, o primeiro apito do juiz é quando a Justiça Eleitoral registra as candidaturas, no inicio de julho do ano das eleições. Apenas teóricamente, como tudo em termos de eleições no Brasil, porque, na realidade, a "peleja" começa quando os candidatos se agrupam nos partidos, no final de setembro do ano anterior às eleições. Desde que houve a famosa emenda comprada de Fernando Henrique Cardoso à Constituição Brasileira permitindo a reeleição para os cargos Executivos, a "peleja" começa, na verdade, assim que os eleitos tomam posse.
Teremos eleições municipais, para o Executivo e o Legislativo, agora, em 2008. Faltam, apenas, 8 meses para que nós, os eletrouxas, enfrentemos sol ou chuva -- ou os dois -- nas filas de votação, para elegermos ou reelegermos os governantes e os legisladores municipais.
Aguentaremos, a partir de julho, os irritantes carros de som, os pentelhos dos cabos eleitorais empurrando-nos "santinhos" dos seus candidatos. Isto nas cidades de porte médio para cima, porque nas pequenas cidades, muita gente enfrenta até tiroteio nas ruas e emboscadas nas estradas. Veremos brigas de socos e pontapés entre os correligionários de uns e outros candidatos que, esperam, venham a ter suas vidas arrumadas com uma bom emprego fantasma se seu defendido tomar posse em 1º de janeiro do ano que vem.
Pior que isso, veremos eleitores vendendo, ou supostamente vendendo, seus votos por qualquer trocado que dê para pagar uma dose de cachaça nos bares das cidades e da zona rural, por uma compra em supermercado ou feira, por um blocos de tijolos ou cimentos para "bater" uma laje na sua casa, por um bojtijão de gás. E veremos eleitores iludidos com falsas promessas de grandes ou pequenas obras ou de empregos nas prefeituras. Conta-se um caso de um candidato numa cidadezinha mineira, há cerca de 40 anos, que prometeu em palanque a construção de uma ponte num bairro rural, durante um comicio. Ao ser advertido por um eleitor que assistia ao comício, que ali não havia rio por perto, não titubeou e prometeu que mandaria passar um rio por ali também.
Aqui, em Macarani, sudoeste da Bahia, fronteira com Minas Gerais, o candidato da oposição contará -- alias, já conta -- com o apoio total de um cidadão que daqui saiu mais pobre que o vocabulário do presidente Lula, e voltou com uma fortuna maior que a de Maluf nos paraisos fiscais. O sujeito chegou há cerca de ano e meio, comprou fazendas produtivas e improdutivas, terrenos na área urbana, e construiu uma mansão que, se quiser vender, não encontrará quem dê um terço do que gastou para construir. Tudo para humilhar, para mostrar poder econômico, por motivos que sómente se pode atribuir a quem ganhou dinheiro -- honestamente ou não -- mas não ganhou um pingo de cultura ao longo do tempo. Coisa de "novo rico" em grana e "eternamente pobre" de espirito. O cara já prometeu até constuir um restaurante para uma pobre senhora dona de um bar, evidentemente procurando ganhar seu voto e apoio para o seu candidato, sabendo que há mais de 30 anos, ela sempre apoiou e votou no atual prefeito, virtual candidato à reeleição. O diabo é que o cara, evidentemente, não gastará sua fortuna -- ou minima parte dela -- para ajudar na eleição do tal candidato, sem que esteja pretendendo grandes lucros futuros, porque pode ser um igonorantão, mas burro ou bobo não é, não.
Eu acho, sinceramente, que a população de Macarani não vai cair nessa, mas na maioria das cidades brasileiras há elementos tão perniciosos na politica -- ou por detrás de alguns politicos -- quanto o "novo rico" daqui, e o povo cairá, conscientemente ou não, nas suas lábias.
Há mais de 30 anos, fazia sucesso em todo o pais uma marchinha encomendada pelo governo militar, gravada pelos "Incriveis" (uma banda famosa na época), que tinha o refrão "esse é um pais que vai pra frente", mesma frase estampada em adesivos ostentados pela maioria dos carros.
Acabou-se o ufanismo do Brasil Grande do governo militar. Acabou-se o nacionalismo. Chego a dizer que acabou-se aquele orgulho de ser brasileiro.
Mas, a julgar pelas campanhas eleitorais e seus resultados na maioria imensa dos municipios brasileiros -- e até nos âmbitos estadual e federal --, e enquanto houverem "novos ricos" achando que podem prometer construir restaurantes para proprietários de bares, caso apoiem seus candidatos, acabou-se, também, a esperança de que esse país, realmente, vá pra frente.
domingo, 3 de fevereiro de 2008
MATILDE IGUALOU AS RAÇAS
Dona Matilde Ribeiro, agora já ex-Secretaria Especial de Politicas de Promoção da Igualdade Racial -- uma dessas Secretarias com status de Ministérios, sem nenhuma estrutura, criadas pelo governo Lula, ou seja, uma das enganações do governo PT -- mostrou que é boa mesmo de serviço. Tenho até pena de sua demissão, pois competente ela é. Ou melhor: foi.
Matilde foi pega no flagra usando o cartão de crédito corporativo do governo -- o cartão entregue a cada servidor de alto escalão para pequenas despesas imediatas de viagens e representação -- em compras particulares, como a festança com o dinheiro publico em free shops de aeroportos.
É o segundo escândalo (descoberto) de membros do primeiro escalão do governo do PT, ocorrido na administração Lula, desde 2003. O primeiro, agora já esquecido pelo grande público, foi o da Dona Benedita da Silva, que foi a Buenos Aires para um encontro de sua Igreja Evangélica, fingindo que estava a serviço do governo, num encontro com sua colega ministra de lá. Nossa ex-Ministra, simbolo da mulher pobre, preta e favelada que chegou quase ao topo do Poder, acabou pedindo demissão. Recentemente, soube que ocupava uma secretaria no Estado do Rio de Janeiro, tão discreta que ninguém mais ouviu falar dela. Acho que nem os cariocas.
Mas Matilde -- que também é negra, só não sei se pobre e ex-favelada -- , ao contrário de Benedita da Silva que somente trocou os pés pelas mãos enquanto esteve no governo Lula, demonstrou grande competência nas suas funções de Promotora das Igualdades Raciais.
Voces sabem aquele quadro do programa A Praça é Nossa, onde Carlos Alberto de Nóbrega conversa com a mulher cujo marido é podre de rico e ela gasta horrores em shoppings? Um imitação barata do antigo quadro da Cremilda, estrelado por Consuelo Leandro ainda na antiga Praça da Alegria, do pai de Carlos Alberto. Alias, a mulher que faz o quadro hoje, é a esposa de Carlos Alberto.
Pois bem, aquela mulher futil, rica e burra é loura.
A ex-Secretaria, com status de Ministra, Matilde Ribeiro igualou as raças: fêz a negra ser que nem a loira.
Matilde foi pega no flagra usando o cartão de crédito corporativo do governo -- o cartão entregue a cada servidor de alto escalão para pequenas despesas imediatas de viagens e representação -- em compras particulares, como a festança com o dinheiro publico em free shops de aeroportos.
É o segundo escândalo (descoberto) de membros do primeiro escalão do governo do PT, ocorrido na administração Lula, desde 2003. O primeiro, agora já esquecido pelo grande público, foi o da Dona Benedita da Silva, que foi a Buenos Aires para um encontro de sua Igreja Evangélica, fingindo que estava a serviço do governo, num encontro com sua colega ministra de lá. Nossa ex-Ministra, simbolo da mulher pobre, preta e favelada que chegou quase ao topo do Poder, acabou pedindo demissão. Recentemente, soube que ocupava uma secretaria no Estado do Rio de Janeiro, tão discreta que ninguém mais ouviu falar dela. Acho que nem os cariocas.
Mas Matilde -- que também é negra, só não sei se pobre e ex-favelada -- , ao contrário de Benedita da Silva que somente trocou os pés pelas mãos enquanto esteve no governo Lula, demonstrou grande competência nas suas funções de Promotora das Igualdades Raciais.
Voces sabem aquele quadro do programa A Praça é Nossa, onde Carlos Alberto de Nóbrega conversa com a mulher cujo marido é podre de rico e ela gasta horrores em shoppings? Um imitação barata do antigo quadro da Cremilda, estrelado por Consuelo Leandro ainda na antiga Praça da Alegria, do pai de Carlos Alberto. Alias, a mulher que faz o quadro hoje, é a esposa de Carlos Alberto.
Pois bem, aquela mulher futil, rica e burra é loura.
A ex-Secretaria, com status de Ministra, Matilde Ribeiro igualou as raças: fêz a negra ser que nem a loira.
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