quarta-feira, 5 de março de 2008

ORDINÁÁÁÁÁRIO, MARCHE !!!!!

Semana passada escrevi neste espaço sobre a ignorância histórica de um repórter da Rede Globo que, ao fazer a chamada do dia para o Big Brother Brasil, disse a besteira de que D. Pedro I teria dito a frase "Diga ao Povo que Fico" das sacadas do Paço Imperial, na Praça XV de Novembro, no Rio de Janeiro. Alias, somente no Rio e no Brasil para a Praça do Paço Imperial ter seu nome homenageando a data da Proclamação da República, né mesmo? Sabiam que o Rio é, talvez, a unica cidade do mundo, onde não ha uma estatua homenageando seu fundador, Estacio de Sá? Ééééé. Tem até um sambinha muito antigo, gravado por Miltinho, que pergunta: "cadê a estatua de Estacio de Sá? Cadê a Estátua de Estácio de Sá?".
Bom, isso não interessa.
No dia 3 de março, segunda-feira passada, foi o dia da incorporação dos novos recrutas do serviço militar obrigatório ao Exército Brasileiro.
Numa reportagem óbviamente encomendada, o Jornal Nacional, da Rede Globo, transmitiu a solenidade de incorporação de uns recrutas (ou conscritos, sei lá como se chama ao certo), de um determinado Batalhão do Exército.
O mote da reportagem era uma suposta pesquisa onde se revelava que mais de 80 por cento dos jovens atuais serviriam ao Exército brasileiro, mesmo que não fossem obrigados a isso.
Para ilustrar a "vontade espontânea" dos jovens incorporados, alguns foram entrevistados, tendo até um idiota que disse que gostaria de servir para "moldar seu caráter". O jovem que precisar servir ao Exército para ter seu caráter "moldado", para mim já é, de cara, um mal-elemento. Pelo que sei, caráter, aos 18 anos de idade, já vem formado do berço, de casa. Não conheço bandido que tenha se tornado honesto por haver servido ao Exército, nem da Salvação.
Num outro momento ridiculo da reportagem, o locutor diz: "Na hora de pegar a farda, a ansiedade é tão grande entre esses jovens, que vão correndo". Enquanto diz a besteira, a câmera mostra um rapaz saindo da fila e, em ritmo acelerado, supostamente se dirigindo para receber sua farda de alguém que estava à sua frente (a câmera não mostra quem, o que, para mim, deu a entender que foi uma cena "montada", ou seja, mandou-se o rapaz sair da fila correndo, como se fosse buscar a farda, para ser filmado).
Tudo na reportagem global foi ridiculo. Fico pensando no quanto sofrem ( ou será que não sofrem?) esses repórteres e locutores que são obrigados a fazer reportagens tão imbecis como esta, ou como a de aniversarios de cachorros de madames. No aniversario de cachorro de madame, pelo menos, não tem mentiras.
Mentiras sim. Primeiro, porque essa "voluntariedade" do jovem atual em "servir a Pátria" não está ligada à "vontade de formação de caráter", porcaria nenhuma, como disse aquele babaca. A vontade de servir está nos tais R$ 200 e poucos reais que recebem por mês, o que, hoje, é dinheiro á beça para uma juventude pobre que, como mostram as pesquisas sérias, não está conseguindo lugar no mercado de trabalho, até mesmo porque seu nível de cultura é cada vez mais baixo, já que a educação no pais esta uma merda. Segundo, porque a reportagem dá a entender que todo recruta recebe os tais 200 e poucos reais. Mentira da grossa. Nos Tiros de Guerra-- pequenos quartéis (sei lá se posso chamar assim) normalmente sustentados pelas prefeituras --- desse pais afora, existentes nas pequenas cidades -- e até em algumas de porte médio do Nordeste - o "aluno atirador", como é chamado o recruta do serviço militar obrigatório, não recebe um tostão furado, embora também tenha que se levantar as 4 da matina para estar no quartel às 5, muito embora a jornada de serviço dure cerca de duas horas ou duas horas e meia, normalmente. Muitos acabam prejudicados nos estudos ou no trabalho, por causa dos plantões que são obrigados a tirar.
A reportagem da Globo foi tão mentirosa, tão ridicula, tão óvbiamente encomendada -- e mal feita -- que uma hora pensei que iria aparecer um General com bom senso e dar ordem unida ao repórter: "Ordinááááááário (e bota ordinário nisso!), marche!!!! (pra bem longe daqui!!!).

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

ESTE É UM PAIS QUE VAI PRA FRENTE?

Tarde de terça-feira, 26 de fevereiro do ano de 2008 do nascimento de Cristo. Passo em frente ao televisor do salão da Prefeitura de Macarani, estado da Bahia, que permanece ligado enquanto uma série de cidadãos estão aguardando para serem atendidos por mim ou pelo prefeito. Todos atentos na telinha da TV Globo, onde um rapaz faz a chamada do dia para o programa que é um ícone da cultura da televisão brasileira: Big Brother Brasil sei lá que número.
Conheço o rapaz. Trata-se de um repórter de uma afiliada da Rede Globo do Vale do Paraiba, no estado de São Paulo, que há algum tempo faz as chamadas diárias para o Big Brother: Afinal, quais surpresas haverão para o distinto telespectador naquela noite na Casa dos Brothers? Quem vai votar em quem? Quem falou mal de quem? Quem chorou nos ombros de quem? Quem comeu quem?
Diante do Palácio do antigo Paço Imperial, na Praça XV de Novembro, no Rio de Janeiro, o jovem e ignorante repórter aponta para suas sacadas e dispara: "Destas sacadas, D. Pedro I, falou: Diga ao Povo que Fico".
Pronto. Parte da população de Macarani, estado da Bahia --e grande parte do povo brasileiro -- acabaram de aprender, através daquele jovem ignorantão que leu um texto elaborado por um sujeito ou sujeita mais ignorante ainda, uma inverdade.
D. Pedro I, na época apenas D. Pedro, já que não era ainda o Imperador do Brasil, mas, apenas, um principe regente, se algum dia realmente disse essa frase, como relatam todos os nossos historiadores, não foi nem na sacada do Paço Imperial, nem na varanda daquele reporterzinho, mas dentro de seu gabinete de trabalho, a emissários que teriam lhe levado um manifesto por sua permanência no Brasil, quando as Cortes Portuguesas apertavam o cerco diplomático por sua volta a sede do Império, por temer o que aconteceria poucos meses depois, a Independência do Brasil.
Sabe-se que há muito tempo a televisão brasileira, sobretudo os canais abertos mais populares, como a Globo, têm prestado um grande desserviço à cultura e á educaçao do nosso povo. O Programa Big Brother Brasil, na verdade, não presta serviço nem desserviço algum a esse sofrido povo. Trata-se, apenas, de uma exploração pura e simples. A Globo fatura, segundo divultou um site da Internet, cerca de 8 milhoes e 400 mil reais por semana (entre domingo e terça-feira) somente com os telefonemas de telespectadores votando num ou noutro "brother" que -- sabe-se lá porque -- quer ver sair da tal casa. Fora isso, 30 segundos de comercial no intervalo daquela porcaria custaria aproximadamente 100 mil reais. São algumas centenas de milhões de reais faturados durante um mes de exibição, e, talvez, mais de um bilhão faturados ao longo dos tres meses em que fica no ar. E, tudo, principalmente os telefonemas, bancados pela parcela mais pobre da população, que é a que mais liga. Na verdade, a direção determina aos participantes da Casa, que não conversem sobre coisas uteis, culturais, nada disso, porque não daria audiência. Esse teste, alias, foi feito na Inglaterra, quando fizeram um piloto de um programa semelhante, mas com conversas de nivel mais elevado, e uma pesquisa popular revelou que o programa não teria audiência. Não sei, portanto, se os convivas da Casa têm um minimo de cultura ou não, embora alguns, como aquele tal de Jean, o baiano que ganhou o premio num programa do ano retrasado, seja um professor.
O que é inadmissível é que um locutor ou repórter da emissora diga a bobagem que disse na chamada de terça-feira.
As pessoas -- e até a Globo que tanto defendeu os militares na época da ditadura -- metem o pau nos governos pós-golpe de 64.
Mas foi em 1972, no sesquicentenário da Independência do Brasil, sob plena ditadura do governo do General Garraztazu Médici, que a Embrafilme patrocinou "Independência ou Morte", o unico filme até hoje feito no Brasil sobre a nossa Independência, com Tarcisio Meira, Gloria Menezes, Dionizio Azevedo e outros grandes do teatro e da televisão brasileiros. Era um filme da época do Brasil Grande, do Pais que Vai Pra Frente, do Ame-o ou Deixe-o, mas era, sobretudo, um filme muitissimo bem feito, respeitando fielmente o que contavam os historiadores da época sobre o periodo pré e pós- Independência.
Neste filme, que até hoje pode ser alugado em qualquer locadora -- eu o tenho em meus arquivos se aquele reporterzinho e sua redatora ou redator quiserem -- aparece a cena em que D. Pedro, ainda Principe, diz a tal frase: "se é para o bem de todos, estou pronto. Diga ao Povo que fico".
Se tivessem assistido ao filme, talvez não dissessem a bobagem que disseram para o povo brasileiro. Bobagem maior do que as que ouvidos dos "brothers" daquela ficticia casa.

sábado, 23 de fevereiro de 2008

VAI COMEÇAR A PELEJA !!!!!!

Era assim que os locutures de rádio de antigamente iniciavam as transmissões dos jogos de futebol, no momento em que o juiz -- hoje chamado de ábitro -- dava o primeiro apito e a bola rolava em campo.
Na política, teóricamente, o primeiro apito do juiz é quando a Justiça Eleitoral registra as candidaturas, no inicio de julho do ano das eleições. Apenas teóricamente, como tudo em termos de eleições no Brasil, porque, na realidade, a "peleja" começa quando os candidatos se agrupam nos partidos, no final de setembro do ano anterior às eleições. Desde que houve a famosa emenda comprada de Fernando Henrique Cardoso à Constituição Brasileira permitindo a reeleição para os cargos Executivos, a "peleja" começa, na verdade, assim que os eleitos tomam posse.
Teremos eleições municipais, para o Executivo e o Legislativo, agora, em 2008. Faltam, apenas, 8 meses para que nós, os eletrouxas, enfrentemos sol ou chuva -- ou os dois -- nas filas de votação, para elegermos ou reelegermos os governantes e os legisladores municipais.
Aguentaremos, a partir de julho, os irritantes carros de som, os pentelhos dos cabos eleitorais empurrando-nos "santinhos" dos seus candidatos. Isto nas cidades de porte médio para cima, porque nas pequenas cidades, muita gente enfrenta até tiroteio nas ruas e emboscadas nas estradas. Veremos brigas de socos e pontapés entre os correligionários de uns e outros candidatos que, esperam, venham a ter suas vidas arrumadas com uma bom emprego fantasma se seu defendido tomar posse em 1º de janeiro do ano que vem.
Pior que isso, veremos eleitores vendendo, ou supostamente vendendo, seus votos por qualquer trocado que dê para pagar uma dose de cachaça nos bares das cidades e da zona rural, por uma compra em supermercado ou feira, por um blocos de tijolos ou cimentos para "bater" uma laje na sua casa, por um bojtijão de gás. E veremos eleitores iludidos com falsas promessas de grandes ou pequenas obras ou de empregos nas prefeituras. Conta-se um caso de um candidato numa cidadezinha mineira, há cerca de 40 anos, que prometeu em palanque a construção de uma ponte num bairro rural, durante um comicio. Ao ser advertido por um eleitor que assistia ao comício, que ali não havia rio por perto, não titubeou e prometeu que mandaria passar um rio por ali também.
Aqui, em Macarani, sudoeste da Bahia, fronteira com Minas Gerais, o candidato da oposição contará -- alias, já conta -- com o apoio total de um cidadão que daqui saiu mais pobre que o vocabulário do presidente Lula, e voltou com uma fortuna maior que a de Maluf nos paraisos fiscais. O sujeito chegou há cerca de ano e meio, comprou fazendas produtivas e improdutivas, terrenos na área urbana, e construiu uma mansão que, se quiser vender, não encontrará quem dê um terço do que gastou para construir. Tudo para humilhar, para mostrar poder econômico, por motivos que sómente se pode atribuir a quem ganhou dinheiro -- honestamente ou não -- mas não ganhou um pingo de cultura ao longo do tempo. Coisa de "novo rico" em grana e "eternamente pobre" de espirito. O cara já prometeu até constuir um restaurante para uma pobre senhora dona de um bar, evidentemente procurando ganhar seu voto e apoio para o seu candidato, sabendo que há mais de 30 anos, ela sempre apoiou e votou no atual prefeito, virtual candidato à reeleição. O diabo é que o cara, evidentemente, não gastará sua fortuna -- ou minima parte dela -- para ajudar na eleição do tal candidato, sem que esteja pretendendo grandes lucros futuros, porque pode ser um igonorantão, mas burro ou bobo não é, não.
Eu acho, sinceramente, que a população de Macarani não vai cair nessa, mas na maioria das cidades brasileiras há elementos tão perniciosos na politica -- ou por detrás de alguns politicos -- quanto o "novo rico" daqui, e o povo cairá, conscientemente ou não, nas suas lábias.
Há mais de 30 anos, fazia sucesso em todo o pais uma marchinha encomendada pelo governo militar, gravada pelos "Incriveis" (uma banda famosa na época), que tinha o refrão "esse é um pais que vai pra frente", mesma frase estampada em adesivos ostentados pela maioria dos carros.
Acabou-se o ufanismo do Brasil Grande do governo militar. Acabou-se o nacionalismo. Chego a dizer que acabou-se aquele orgulho de ser brasileiro.
Mas, a julgar pelas campanhas eleitorais e seus resultados na maioria imensa dos municipios brasileiros -- e até nos âmbitos estadual e federal --, e enquanto houverem "novos ricos" achando que podem prometer construir restaurantes para proprietários de bares, caso apoiem seus candidatos, acabou-se, também, a esperança de que esse país, realmente, vá pra frente.

domingo, 3 de fevereiro de 2008

MATILDE IGUALOU AS RAÇAS

Dona Matilde Ribeiro, agora já ex-Secretaria Especial de Politicas de Promoção da Igualdade Racial -- uma dessas Secretarias com status de Ministérios, sem nenhuma estrutura, criadas pelo governo Lula, ou seja, uma das enganações do governo PT -- mostrou que é boa mesmo de serviço. Tenho até pena de sua demissão, pois competente ela é. Ou melhor: foi.
Matilde foi pega no flagra usando o cartão de crédito corporativo do governo -- o cartão entregue a cada servidor de alto escalão para pequenas despesas imediatas de viagens e representação -- em compras particulares, como a festança com o dinheiro publico em free shops de aeroportos.
É o segundo escândalo (descoberto) de membros do primeiro escalão do governo do PT, ocorrido na administração Lula, desde 2003. O primeiro, agora já esquecido pelo grande público, foi o da Dona Benedita da Silva, que foi a Buenos Aires para um encontro de sua Igreja Evangélica, fingindo que estava a serviço do governo, num encontro com sua colega ministra de lá. Nossa ex-Ministra, simbolo da mulher pobre, preta e favelada que chegou quase ao topo do Poder, acabou pedindo demissão. Recentemente, soube que ocupava uma secretaria no Estado do Rio de Janeiro, tão discreta que ninguém mais ouviu falar dela. Acho que nem os cariocas.
Mas Matilde -- que também é negra, só não sei se pobre e ex-favelada -- , ao contrário de Benedita da Silva que somente trocou os pés pelas mãos enquanto esteve no governo Lula, demonstrou grande competência nas suas funções de Promotora das Igualdades Raciais.
Voces sabem aquele quadro do programa A Praça é Nossa, onde Carlos Alberto de Nóbrega conversa com a mulher cujo marido é podre de rico e ela gasta horrores em shoppings? Um imitação barata do antigo quadro da Cremilda, estrelado por Consuelo Leandro ainda na antiga Praça da Alegria, do pai de Carlos Alberto. Alias, a mulher que faz o quadro hoje, é a esposa de Carlos Alberto.
Pois bem, aquela mulher futil, rica e burra é loura.
A ex-Secretaria, com status de Ministra, Matilde Ribeiro igualou as raças: fêz a negra ser que nem a loira.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

COMO JANIO E CEBOLINHA

Não sei exatamente quando comecei a escrever para publicações regulares. Lembro-me que, afora algumas publicações da Faculdade de Direito, ainda era estudante no Rio de Janeiro quando escrevi a primeira crônica para um jornal regular em Itajubá, lá no Sul de Minas, que pertencia a José Sabino de Carvalho, conhecido como Sabino, que depois tornou-se famoso na cidade como cabo eleitoral de alguns candidatos em época de eleições. Quando acabou o jornal do Sabino, surgiu um jornalzinho chamado “O Repórter”, co-patrocinado por Roberto Vilanova, um contabilista grande amigo meu, onde escrevi várias crônicas, a ultima delas defendendo a Monarquia na época daquele ridiculo plesbiscito determinado pela Constituição de 1988, e que se realizou em 1993. O editor do Jornal o Repórter, contudo, era um tremendo irresponsável, tanto que nem me lembro o nome do camarada, e o jornal, que deveria ser semanal, saia a cada mes, quando saia. Assim, a crônica saiu tres semanas depois do tal plebiscito. Talvez por isso a Monarquia tenha perdido, já que os brasileiros não puderam ler meu artigo antes de irem às urnas.
Passei a escrever para “O Sul de Minas”, semanalmente, e o fiz por uns dois anos. Um dia, enviei uma cronica criticando um deputado estadual mineiro da época, Ambrósio Pinto, ex-prefeito da cidade. A cronica não foi publicada, e o então editor me deu uma desculpa esfarrapada, prometendo que o seria na semana seguinte, quando veio outra desculpa esfarrapada. Na terceira desculpa esfarrapada, perdi a paciência e não enviei mais cronica alguma ao jornal. O deputado deve ter adorado. Não posso afirmar que ele teria vetado a publicação daquela cronica, mas, se não foi isso, houve com certeza uma auto-censura da editoria do jornal na época. Afinal, não valia a pena causas problemas com um deputado que, candidato a reeleição, poderia render uma graninha em propaganda eleitoral no jornal.
No inicio da administração do prefeito Saulo Germiniani, surgiu o grande fenômeno jornalístico de Itajubá, na época, o “Região Sul”, de Alair de Almeida. Convidado, passei a escrever para o “Região Sul”, ao mesmo tempo em que escrevia para o “O Sul de Minas”. Era um sufoco. Ambos saiam aos sábados, e tinham que ser crônicas e artigos diferentes, mas eu dava conta..Alair de Almeida, o dono e editor, queria exclusividade, mas eu não sou de ninguém, principalmente quando não me pagam nada. Quando me aborreci com o O Sul de Minas, resolvi ficar só no Região Sul, um jornal em que o povo amanhecia o domingo querendo já saber o que viria na sua primeira pagina no sábado seguinte. O jornal era, ao mesmo tempo, um sucesso e um escândalo. Um sucesso que, infelizmente, seu proprietário não soube preservar, ao contrário dos escândalos. Depois de uma fase de crise aguda que me lembrava a agonia dos meses finais da extinta Rede Tupi de Televisão, o Região Sul deixou de circular. Lembro -- e sinto os efeitos até hoje -- que a empresa de Alair de Almeida, que editava o jornal (a Região Sul Publicações e Propaganda Ltda e, depois, uma outra da qual não me lembro o nome agora) estava devendo tanto na praça, e até para as gráficas, que ninguém mais queria trabalhar para elas. Assim, criei uma empresa, a Ribeiro e Souza (Souza é o sobrenome de um dos meus filhos adotivos) Limitada, e o jornal passou a ser publicado sob a responsabilidade dessa empresa. Nos seus últimos suspiros, porém, eu já estava fora do jornal, e minha empresa também, mas lembro-me bem das noites de quinta para sexta-feira em que permanecia ao lado de Alair de Almeida na redação toda a madrugada, preparando a edição do sábado seguinte. Minha mulher e meus filhos me xingavam toda manhã de sexta-feira, quando chegava em casa com cara de quem passou a madrugada na farra, tomava um banho e ia direto para meu escritório trabalhar para sustentar a familia, já que o jornal nada me rendia, além do simples prazer de ve-lo circulando nas mãos dos itajubenses e circunvizinhos nos finais de semana.
Fazem cinco anos que Rodrigo Marques, querendo montar o Itajubá Noticias, me convidou para participar de sua montagem. Rodrigo Marques era completamente diferente daquele editor irresponsável de O Repórter e de Alair de Almeida. Pensei muito se iria entrar nessa de novo, e acabei aceitando. Fazem quatro anos e meio que a primeira edição foi às bancas e fazem quatro anos e meio que esse jornal é o mais absoluto sucesso de publico e de critica. Não é popularesco, ao mesmo tempo em que não é elitista. A noticia, os fatos, as pessoas que nele são noticias, são levadas a sério e respeitadas em sua honra, ao contrário do que acontecia no Região Sul de Alair de Almeida. Estou no Itajuba Noticias nesses quatro anos e meio, desde sua primeira edição.
Nunca ganhei um único centavo para participar de nenhum destes jornais, para escrever uma única linha sequer. Nem oficialmente, nem por fora. Recebi propostas de ganhar uns trocados para falar bem ou mal de uma situação ou até mesmo de uma pessoa, e tenho o orgulho de dizer que rechacei todas elas. Escrevo o que quero, como quero, e quem não gostar, o Fórum Wenceslau Braz, da Comarca de Itajubá, fica ali mesmo, no centro da cidade.
Sempre me perguntavam porque me dedicava tanto ao Região Sul e me dedico, mesmo aqui da Bahia, ao Itajubá Noticias, se não ganho nada, e nem sou, nem nunca fui, candidato a nada.
No passado, fil-lo porque qui-lo, como diria Jânio Quadros. Hoje, faço porque quelo, como diz Cebolinha.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

QUESTÃO DE I...BOPE

O prefeito do Rio de Janeiro, César Maia, ficou famoso e ainda é famoso por criar factóides -- falsos fatos com objetivo politico de criar polêmica e mantê-lo em evidência na mídia. Traduzindo: enganações ao populacho.
O governador do estado do Rio de Janeiro, Cesar Cabral Filho, se não for um admirador de César Maia -- e acredito que o seja -- pretende ser seu aluno na arte da enganação. O diabo é que é um mal aluno. O governador do estado de São Paulo, José Serra, também.
Os factóides de César Maia, pelo menos, nunca prejudicaram ninguém. Eram como as mentiras de pescador, que somente serviam para, primeiro, lógico, angariar-lhe votos na parcela mais humilde da população que acredita até em quem vende bilhere premiado da megasena em ponto de ônibus, e, segundo, para divertir àqueles que têm um pouquinho mais de cultura e bom senso.
Os factóides do seu péssimo aluno, Cesar Cabral Filho, no entanto, podem levar, e já levaram, inocentes ao tumulo, como nas ações espetaculares -- no mal sentido, claro -- da policia carioca no suposto combate ao nacotráfico nos morros da cidade de Cesar Maia.
O ultimo dos factóides de Cabral Filho é a pretensa proibição de que motoqueiros carreguem caronas em suas motos, supostamente para evitar a utilização desses veiculos em assaltos de rua.
Cabral Filho sabe que a medida jamais será efetivamente implantada, a uma, porque não lhe compete legislar sobre o assunto -- é questão de trânsito e a competência é da União Federal, através do Congresso Nacional ou, na melhor das hipóteses, do presidente da Republica por suas medidas provisórias que se tornam definitivas -- e, a duas, porque, se quiser, efetivamente, implanta-la, enfrentará uma enxurrada de ações judiciais, porque a medida seria inconstitucional. O veiculo motocicleta é definido pela legislação federal como de capacidade para dois passageiros, e assim o cidadão que a compra tem o direito de usa-la dentro dos direitos que lhe são assegurados pela Constituição de livre uso e gozo de seus bens, desde que não em detrimento dos direitos coletivos. O cidadão que possui uma moto não pode, portanto, ser proibido de carregar um carona, apenas sob a suspeita de que poderia, ele e o carona, estarem com intenções malévolas, mas pode ser proibido de trafegar com sua moto a 120 km/hora na zona urbana, porque isso coloca efetivamente em risco a segurança dos demais cidadãos.
Mas a divulgação de sua intenção provocou polêmica -- e sua descortezia com o Diretor do Denatram, ao chama-lo de burocrata de plantão, quando ele alertou para a ilegalidade da pretensão do governador, mais polêmica ainda. E era isso que Cabral queria. Sumido da midia desde que as operações criminosas de sua policia -- inclusive do BOPE -- deixaram de despertar o interesse até do José Luiz Datena, Cabral resolveu inventar essa. E deu certo. Saiu até na Globo, cara!!!!
Outro factóide, agora em São Paulo, e de outro péssimo aluno, José Serra: a televisão mostrou que a Policia paulista recuperou os quadros furtados do MASP. Parábéns para a Policia.
Depois que os quadros foram recuperados -- dizem que um cara pagou ou iria pagar 5 milhões aos caras que contratou para realizarem a operação -- o governo do Estado voltou a expo-los no Museu, mas, agora, com policias armados à sua volta, voces viram na Globo?
Pelo amor dos meus filhinhos: alguém em sã consciência imagina que, ao serem expostos ao publico para demonstrar que foram recuperados, alguém iria tentar furta-los de novo? Só mesmo Serra para imaginar que os bandidos -- o mandante e um dos executores ainda não foram presos -- iriam até lá exigir os quadros de volta, porque tiveram um trabalhão para futa-los. O Serra é o mesmo que, quando candidato a presidente da Republica em 2002, ao visitar uma favela e receber um pedido de uma favelada, pediu, na frente das câmeras, que ela lhe enviasse um "fax" com a sua reivindicação, lembram-se?
A policia em torno do quadro no Masp é puro factóide. Deveria estar em torno do Museu, dia a dia e noite a noite, antes de acontecer o espetacular furto.
Mas policia dia e noite garantindo a segurança do cidadão, dos seus bens e do patrimônio publico, inclusive protegendo-os contra o narcotráfico não dá i-bope, não é Cabral? Não é Serra?

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

FIM DE ANO

“Hoje, é um novo dia/de um novo tempo/que começou...” Reveillon do Faustão, com a queima de fogos em Copacabana. Show de fim de ano com Roberto Carlos, na Globo. A casa do Papai Noel, da Angelina Salomon, que esse ano não houve. Parentes de outras cidades que chegaram para o Natal e hoje, 26 de dezembro, já se preparam para ir embora, muitos saindo em viagem de férias para curtir o alto verão em alguma praia, depois do peru na casa da vovó.
A verdade é que, no particular, na vida de cada um de nós, o fim de ano é sempre igual. Não interessa se somos paupérrimos, pobres, classe média, ricos ou muito ricos. Os paupérrimos aguardam ansiosos a cesta básica que a assistência social de sua cidade, ou voluntários do “Natal sem Fome” distribuem nessa época; os pobres, esperam que seus patrões lhes paguem o décimo-terceiro salário até antes do Natal, para que possam comprar um “franguinho” ; a classe-média baixa, brinda a chegada do ano novo com a cidra Cerezer, enquanto a média-média brinda com Peterlongo depois de haver, no ultimo fim de semana, passado horas nas filas dos crediários das lojas de departamentos do shopings para comprar os presentes de Natal, e a classe média-alta depois de um bom rega-bofe, se prepara para viajar pelas praias do Nordeste, pela Argentina ou mesmo para a Flórida, aproveitando os pacotes turísticos em 10 vezes sem juros, não sem, antes, claro, pagar a prestação do apartamento comprado em 300 prestações mensais, para se ver “livre do aluguel”. Os ricos nem sequer passaram o Natal em casa, mas a bordo de algum navio em cruzeiro pelo Caribe, onde esticarão suas férias até o final de janeiro.
O ponto comum é que todos – menos, certamente os ricos dessa crônica – terão seus televisores ligados no Reveillon do Faustão, terão assistido ao show do Roberto Carlos e da Xuxa, e curtirão – os que não moram no Rio de Janeiro, nem puderam viajar para la – os fogos de Copacabana na tela da Globo. Provavelmente, dançarão com suas taças de Cerezer ou Peterlongo pela sala da casa, a cada intervalo da programação ao som daquela musiquinha de final de ano da emissora, que foi ao ar pela primeira vez há quase trinta anos.
Ah, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva certamente falará em rede de televisão – e, provavelmente no intervalo do Jornal Nacional – para desejar a todos um feliz Ano Novo, se já não o desejou na segunda-feira, véspera de Natal. Pelo menos vai ser rápido, porque na época dos governos militares, os Generais-presidentes costumavam fazer longos discursos prestando contas aos brasileiros sobre os superávits da balança comercial.
Bom, de fato, o ano que termina não foi de todo ruim. Até que foi bom para os brasileiros em geral. Até a CPMF caiu no finalzinho deste 2007
O que dizer, então, a todos vocês para 2008, se eu sei – e eu sei que estou sendo desmancha-prazeres – que será tudo igual, de novo, daqui a 12 meses?
Ta bom, vai: Feliz Ano Novo.